9 fotógrafos soviéticos icônicos que capturaram o espírito de sua época (FOTOS)

Vladímir Mikosha/TASS
Compilamos uma lista com as principais lendas da fotografia soviética — uma tarefa nada fácil, dada sua abundância!

1. Aleksandr Ródtchenko (1891-1956)

Ródtchenko teve uma colossal influência sobre a arte da fotografia mundial.

“Orquestra”, 1929.

Em 1925, Aleksandr comprou uma câmera leve de 35 mm e começou a fazer experiências com ângulos e perspectivas. Ele usava a fotografia para expandir os parâmetros de como ver e o que ver. Nada convencional, ele capturou o mundo de cima, de baixo e de todos os lados, levando o espectador a encontrar aquilo que antes era invisível.

No início dos anos 1930, ele usou a fotografia como uma ferramenta importante para a mudança social, revelando o contraste entre a realidade soviética romantizada e a real.

Desenhista teatral, pintor, escultor e estampador, o multitalentoso Ródtchenko foi também um gigante da fotografia. Ele fez experiências em uma variedade de plataformas e foi membro fundador do movimento de vanguarda do Construtivismo Russo.

“Esquina de prédio”.

Suas obras são frequentemente expostas nos principais museus do mundo, entre eles o Museu de Arte Moderna de Nova York.

Leia mais sobre Ródtchenko aqui!

2. Borís Ignatóvitch (1899-1976)

Ignatóvitch começou sua carreira como jornalista antes de se tornar um dos fotógrafos mais desbravadores de seu tempo.

Borís ganhou sua primeira câmera Kodak de presente e fez seu primeiro clique de sucesso quase por acaso, em 1923. Ignatóvitch andava na rua quando se deparou com o famoso satirista Mikhaíl Zoschenko, que estava comprando maçãs de um ambulante. Ignatóvitch pegou a câmera e fez um retrato histórico do venerado escritor soviético. 

O satirista Mikhaíl Zoschenko, 1923.

Inspirado por Aleksandr Ródtchenko, Ignatóvitch desenvolveu um novo estilo em que a fotografia tradicional foi substituída por algo menos ortodoxo econvencional. Combinando vanguarda, construtivismo e realismo, suas imagens de naturezas mortas atemporais, close-ups e retratos tirados de ângulos inesperados fazem dele uma lenda da fotografia.

Soldado soviético caminha por ruínas de Rjev, libertada dos invasores alemães.

Ignatóvitch foi louvado por seus ensaios fotográficos de Moscou, tornando-se um dos pioneiros da fotografia aérea. Ele fez imagens de tirar o fôlego com sua Leica de grande angular. Entre as décadas de 1920 e 1930, suas fotos foram publicadas em capas de publicações importantes, como “Pravda”, “Arquitetura Soviética” e “URSS em Construção”.

“Iôssif Stálin com garota tadjique”.

O início da Segunda Guerra Mundial forçou o talentoso Ignatóvitch a clicar assuntos graves. Ele seguia as forças de combate soviéticas a cavalo com sua câmera.

3. Moisei Nappelbaum (1869-1958)

Nappelbaum é muito conhecido por seus retratos icônicos de Vladímir Lênin e Iôssif Stálin. Mas, acima de tudo, Moisei deu uma contribuição significativa para o desenvolvimento do gênero da fotografia de retrato.

Naquela época, fazia-se principalmente retratos de estúdio posados ​​e formais. Via de regra, essas imagens careciam de calor. Nappelbaum decidiu abandonar as regras tradicionais da fotografia em favor de experimentos criativos.

A escritora Anna Akhmátova, 1922.

À primeira vista, seus retratos são simples e diretos. Ao mesmo tempo, eles estão cheios de conflitos internos e tensão. Para ele, o que mais importava era a personalidade.

Os escritores Aleksandr  Blok e Kornêi Tchukóvski, em 1921.

Ao longo de sua carreira, Nappelbaum explorou o potencial da fotografia como uma forma de arte expressiva. O fotógrafo podia passar horas estudando seus modelos para revelar alguns de seus traços mais ocultos.

No crème de la crème de seus retratados, estão Anna Akhmátova, Borís Pasternak, Serguêi Essênin, Konstantín Stanislavski, Serguêi Eisenstein, Aleksandr Blok e Aleksêi Tolstói.

Vladímir Lênin, 1918.

“O passado de uma pessoa, tomado na vida e na atitude em relação às pessoas, imprime uma marca incrível em seu rosto. Só é preciso ler nas entrelinhas”, dizia Nappelbaum.

4. Evguêni Khaldei (1917-1997)

Khaldei tinha 13 anos quando fez sua primeira câmera com uma caixa de papelão, criando a lente com o uso de um par de óculos antigos.

“Sevastópol depois a derrota das tropas nazistas.”

Mais tarde, como fotógrafo da agência de notícias estatal Tass, ele passou 1.418 dias cobrindo a devastadora Segunda Guerra Mundial como fotorrepórter. Seus icônicos cliques foram feitos com uma Leica.

Khaldei foi testemunha e cronista da história, tirando fotos dramáticas da linha de fogo. Ele clicou a Batalha por Moscou, em 1941 e documentou a situação dos judeus libertados do gueto de Budapeste, em 1945, por exemplo.

As persistentes fotos ​​de Khaldei de Hermann Goering, que já foi o segundo homem mais poderoso da Alemanha, retratam a face do mal melhor que quaisquer palavras.

O primeiro-ministro britânico Winston Churchill, o presidente dos EUA Harry S. Truman e o líder soviético Iôssif Stalin.

Ele clicou Iôssif Stalin, Winston Churchill e Harry S. Truman na histórica Conferência de Potsdam, além de fazer imagens raras de gente comum durante a guerra.

“Levantando a bandeira sobre o Reichstag.”

Seu clique mais conhecido, “Levantando a Bandeira sobre o Reichstag”, tornou-se o epítome da vitória soviética sobre a Alemanha nazista.

Leia mais sobre a foto "Levantando a Bandeira sobre o Reichstag" aqui!

5. Iúri Abramotchkin (1936-2018)

O corpo da obra de Abramochkin é a quintessência do que era um artista soviético na época em que apenas o realismo social era permitido. O fotógrafo documentava os desafios do dia-a-dia. Mas, de alguma forma, Iúri conseguiu trazer seu próprio estilo distinto de fotografia para o cenário.

O líder soviético Leonid Brejnev com o presidente cubano Fidel Castro.

Ele fotografou líderes soviéticos e estrangeiros, como Richard Nixon, Fidel Castro e Charles de Gaulle, e cosmonautas.

O cosmonauta soviético Iúri Gagárin.

Quando não estava ocupado tirando fotos de Iúri Gagárin, ele clicava gente comum – pioneiros (movimento equivalente ao dos escoteiros na URSS, mas permeado da ideologia vigente), pescadores, mineiros e vendedoras.

Futuros mineiros.

Quem quer que fosse clicado por ele, sempre parecia ter muito movimento e não era nada monótono. Suas imagens eram sempre divertidas e bem-humoradas.

6. Aleksandr Abaza (1934-2011)

Abaza não buscava uma carreira fotográfica. No início, a fotografia era para ele apenas um hobby. Ele se formou na faculdade politécnica e serviu na Marinha antes de se tornar um fotojornalista de destaque.

Campeonato Mundial de Speedway.

Abaza fazia fotos dando grande atenção aos detalhes. Ele clicou canteiros de obras soviéticos, fábricas, desfiles e pessoas comuns, e suas fotografias se destacavam pela profundidade, complexidade e clareza. Eles revelaram emoção crua, drama e alma.

Abaza nunca fez fotos encenadas. O desafio era criar imagens sinceras das fábricas e indústrias soviéticas.

Travessia de esqui.

Fotógrafo veterano, ele também esteve nas ruas de Moscou em agosto de 1991 filmando os tanques, veículos blindados e multidões de pessoas confusas durante a tentativa de golpe de agosto daquele ano.

7. Evguêni Umnov (1919-1975)

Você provavelmente já viu fotos de Umnov sem saber. Ele era aclamado por seus retratos de celebridades, presentes na maioria das revistas soviéticas, mas é mais conhecido pelas fotos dos bastidores do balé clássico.

“Prima ballerina” do Balé Bolshoi, Maia Plisetskaia.

Na época de Evguêni, o estilo de realismo socialista soviético dominava todas as formas de arte, inclusive a fotografia.

A bailarina soviética Olga Lepechinskaia.

As fotos que ele tirou dos bailarinos do Teatro Bolshoi foram elogiadas por ninguém menos que Sol Hurok, um dos maiores empresários do mundo, que levou as estrelas do balé soviético para o público americano.

O Conjunto Moiseiev.

A elite cultural e intelectual recebeu Umnov de braços abertos. Os artistas soviéticos não eram muito supersticiosos, mas se mostrou uma regra de ouro o fato de que, quando Umnov pegava a câmera e tirava uma foto, o retratado via sua carreira decolar.

8. Eduard Pesov (1932)

Pesov passou quatro décadas documentando questões políticas. Ele foi um mestre dos retratos de líderes soviéticos e figuras políticas a partir de meados da década de 1960.

Leonid Brejnev e Richard Nixon em Ialta.

O fotojornalista cobriu reuniões históricas e a vida cotidiana de Nikita Khruschov, Leonid Brejnev, Mikhaíl Gorbatchov e Borís Ieltsin, assim como ministros das Relações Exteriores e chefes de Estado, em especial o presidente dos Estados Unidos Gerald Ford, entre outros.

Richard Nixon e sua mulher, Patricia.

Mas as imagens de Pesov eram muito mais que fotos posadas e formais. Ele conseguia se colocar no lugar certo, na hora certa, quando clicava políticos poderosos.

O cosmonauta soviético Aleksêi Leonov com a mulher, Svetlana, e o astronauta norte-americano Donald Slayton, em Sôtchi.

A foto histórica que ele tirou de Brejnev e Ford, em 1974, em Vladivostók fala mais que qualquer palavra. “Sou uma ovelha em pele de lobo”, dizia Ford, vestindo um casaco de pele de lobo do Alasca e brincando com os repórteres. Brejnev experimentou então o casaco do presidente dos EUA e posou para os fotógrafos. Pesov capturou toda a cena com sua câmera.

9. Vladímir Lagranj (1939)

Reverenciado nos círculos fotográficos, Lagranj teve um impacto considerável no fotojornalismo moderno.

Crianças em um café, em Moscou.

O promissor artista tinha 24 anos quando ganhou seu primeiro troféu em um concurso internacional de fotografia em Budapeste. A partir de então, ele fez sucesso trabalhando para revistas soviéticas e estrangeiras, incluindo a “Paris Match”.

Vista de Moscou.

Jornalista de profissão, suas imagens em preto e branco mostram o poder de sua simplicidade infantil e terrena.

Depois da escola.

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