O dia em que soviéticos e americanos se enfrentaram em batalha durante a Segunda Guerra Mundial

Global Look Press; Pixabay; US Navy/Wikipedia;Getty Images;Timothy Miller/Sputnik
O estranho confronto entre as tropas americanas e soviéticas foi imediatamente ocultado pelas autoridades militares dos dois países.

O dia 7 de novembro de 1944 prometia ser um perfeito para as tropas soviéticas, que avançavam perto da cidade de Niš, no sul da Iugoslávia. O Exército Vermelho e os guerrilheiros locais haviam recentemente libertado Belgrado e continuavam sua bem-sucedida ofensiva nos Bálcãs. Além disso, a URSS comemorava o 26º aniversário da Revolução de 1917, e a coluna se movia decorada com inúmeras bandeiras vermelhas e acompanhada por uma orquestra.

De repente, porém, dezenas de aviões desconhecidos surgiram no céu. A Luftwaffe não operava naquela região e os soviéticos logo perceberam que era um grupo de caças Lockheed P-38 Lightning de aliados norte-americanos voando em sua direção.

Esquadrão de caça de Lockheeds P-38.

Inesperadamente, os aviões começaram a disparar contra as tropas soviéticas. Os soldados começaram a correr, mostrando com as mãos e as bandeiras vermelhas que os pilotos tinham cometido um erro, mas sem sucesso.

Os soldados soviéticos foram obrigados a preparar suas armas antiaéreas e enviar seus próprios caças ao céu. Iniciava-se uma das batalhas mais estranhas da Segunda Guerra Mundial

Batalha aérea

Durante a Segunda Guerra Mundial houve muitos episódios de "fogo amigo". Os aviões P-38 eram muito parecidos com aviões de reconhecimento alemão FW-189, e foram abatidos várias vezes por canhões AA soviéticos. No entanto, nunca houve tantas vítimas como naquele dia, perto de Niš.

O bombardeio da coluna soviética resultou em 27 mortos e 37 feridos. Mais de 20 veículos militares do Exército Vermelho foram destruídos.

Quando os canhões AA soviéticos instalados em um campo de aviação próximo receberam a notícia sobre o ataque à coluna, eles imediatamente abriram fogo contra os P-38. Os caças americanos então desviaram sua atenção para o campo de aviação soviético e começaram um novo ataque que custou a vida de mais quatro soldados soviéticos.

As aeronaves americanas foram interceptadas por caças soviéticos, causando o primeiro combate aéreo entre os dois países. Como resultado do confronto, que durou cerca de 15 minutos, os soviéticos perderam quatro caças Yak-3 e Yak-9, enquanto os americanos perderam três aviões P-38.

Artilheiros antiaéreos soviéticos.

"Os ataques só cessaram quando o capitão Koldunov, correndo o risco de ser abatido, se aproximou da aeronave líder dos Estados Unidos e lhe mostrou as marcas de identificação de sua aeronave", escreveu o general soviético Aleksêi Antonov.

Depois de cometer esse fatal erro, os aviões americanos se retiraram imediatamente da batalha e deixaram a região.

Erro fatal

Imediatamente, os dois países iniciaram uma investigação conjunta do incidente. Os americanos reconheceram abertamente sua culpa.

Yak-3.

Segundo os militares americanos, seus aviões pretendiam bombardear as tropas alemãs localizadas perto da cidade de Novi Pazar, mas, devido a um erro de navegação, um grupo de P-38s rumou 100 km mais a leste. Lá, eles encontraram a coluna de tropas soviéticas, confundindo-a com os nazistas.

Além dos líderes da Força Aérea dos Estados Unidos, o embaixador W. Averell Harriman pediu desculpas à União Soviética em nome do Presidente Franklin Roosevelt.

A batalha podia causar um grande escândalo e aumentar significativamente as tensões entre a União Soviética e os Estados Unidos.

No entanto, para não beneficiar a máquina de propaganda de Hitler, os dois países decidiram ocultar todas as informações sobre a batalha entre os aliados.

Em 26 de novembro de 1944, as Forças Aéreas dos Estados Unidos e da União Soviética marcaram conjuntamente fronteiras rígidas nas quais seus aviões poderiam operar separadamente, com vistas a não repetir o trágico episódio.

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