Ivan Konev, o marechal soviético que colocou um ponto final na Alemanha nazista

Iakov Riúmkin/Sputnik
Em 1941, Ivan Konev esteve sob a ameaça de um tribunal militar e de execução. Mas, em 1945, tornou-se um dos principais comandantes do Exército Vermelho.

“Com perseverança e força de vontade, Ivan Stepanovitch Konev era o mais próximo de Jukov. Konev tinha uma boa intuição e combinou habilmente o poder da artilharia e da aviação com a velocidade, o ataque e a surpresa de um ataque. Konev tentava ver o campo de batalha com seus próprios olhos e preparava cuidadosamente cada operação”, escreveu o marechal Aleksandr Vassiliévski sobre um dos líderes militares soviéticos na 2ª Guerra.

A carreira militar de Konev começou nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, em que serviu na artilharia como oficial comissionado. Durante a subsequente Guerra Civil Russa, Ivan Stepanovitch lutou nas fileiras do Exército Vermelho contra o “governante supremo da Rússia” Aleksandr Koltchak na Sibéria e contra invasores japoneses no Extremo Oriente. Quando a guerra acabou, ele decidiu permanecer nas forças armadas.

Konev na década de 1910

No início da guerra contra a Alemanha nazista, o tenente-general Konev era o comandante do 19º Exército estacionado no oeste do país. Suas tropas estavam entre as primeiras a sofrer o ataque devastador da Wehrmacht. Em 12 de julho de 1941, ele relatou ao quartel-general da frente: “Não tenho uma única formação (...) pronta para o combate. Estou segurando a frente graças às unidades individuais organizadas. Por quatro dias, não tive apoio de nossa aviação. As tropas estão lutando arduamente contra as forças terrestres.”

Em 11 de setembro de 1941, Konev foi nomeado comandante da Frente Ocidental, o que quase o condenou à morte. No início de outubro, suas tropas sofreram uma grande derrota perto de Viazma: mais de 380 mil soldados foram mortos ou feridos e outros 600 mil, feitos prisioneiros. A estrada para Moscou ficou praticamente aberta para os alemães.

Ivan Stepanovitch enfrentou um tribunal militar e quase foi executado. Um de seus antecessores no cargo, o general Dmítri Pavlov, também derrotado, havia sido fuzilado em 22 de julho daquele ano. No entanto, graças à intervenção pessoal de Gueórgui Jukov, Konev conseguiu escapar de consequências mais graves e foi nomeado comandante da Frente de Kalínin, cujas tropas, em 5 de dezembro de 1941, foram as primeiras a lançar uma contraofensiva em larga escala e forçar o recuo do inimigo para 150 quilômetros da capital.

Ivan Konev e Gueórgui Jukov (centro)

Viazma não foi, porém, a última derrota de sua carreira. As operações Rjev-Sitchevski, Jizdrinskaia e Starorusskaia, realizadas sob o comando de Konev no final de 1942 e início de 1943, não alcançaram seus objetivos e terminaram em grandes perdas para as tropas.

No entanto, a batalha decisiva de Kursk no verão de 1943 marcou o início de uma série de vitórias brilhantes para Ivan Stepanovitch. Depois que o Exército Vermelho resistiu aos ataques alemães, as tropas da Frente da Estepe sob o comando de Konev partiram para a ofensiva em 17 de julho, devolveram o inimigo de volta a suas posições originais e, diante do sucesso, libertaram Belgorod e o grande centro industrial de Carcóvia. Chegando ao Dnieper no final de setembro, eles cruzaram o rio em marcha, dominaram as cabeças de ponte em sua margem direita e conseguiram manter e expandi-las em confrontos ferozes.

O talento militar de Konev veio à tona durante a Operação Korsun-Shevtchenko, em janeiro e fevereiro de 1944. Agindo em conjunto com as tropas do general Nikolai Vatutin, ele cercou um agrupamento inimigo com 59 mil soldados no centro da Ucrânia, suprimindo com sucesso suas tentativas de romper o cerco. Embora parte das tropas alemãs tenha conseguido escapar, o inimigo teve cerca de 40 mil mortos ou feridos.

“Todo mundo estava fugindo e ninguém sabia para onde ele estava fugindo e por quê. Veículos, armas, carroças quebradas e centenas de cadáveres de soldados e oficiais jaziam nas estradas e fora dela”, relembrou um prisioneiro alemão mais tarde. Pelo sucesso da “Stalingrado no Dnieper”, como a batalha ficou conhecida, Konev recebeu o título de Marechal da União Soviética.

Outro sucesso expressivo de Konev foi a Operação Uman-Botosani na primavera de 1944. Graças ao uso competente de três exércitos de tanques ao mesmo tempo e à sua reação instantânea a qualquer mudança no campo de batalha, as tropas da 2ª Frente Ucraniana sob seu comando derrotaram o 8º Exército Alemão e libertaram parte da Ucrânia Ocidental e da Moldávia. Ao entrarem no território da Romênia, tornaram-se as primeiras tropas do Exército Vermelho a cruzar a fronteira do Estado da URSS. O marechal quase foi morto na operação quando teve seu veículo alvejado por um caça alemão ao cruzar o rio Bug Meridional.

De maio de 1944 até o final da guerra, Konev comandou as tropas da 1ª Frente Ucraniana, que participou da vitória sobre o Grupo de Exércitos do Norte da Ucrânia no verão de 1944, da libertação do oeste da Polônia e da tomada da estrategicamente importante região industrial da Silésia no inverno e primavera de 1945. As tropas de Ivan Stepanovitch também tiveram participação na Operação Berlim, mas a tarefa de invadir o “covil da besta” foi confiada à Primeira Frente Bielorrussa, do marechal Jukov.

Konev em Praga

Embora Konev não estivesse destinado a tomar a capital do Terceiro Reich, ele entrou para a história como o comandante que liderou a última operação estratégica do Exército Vermelho na Grande Guerra Patriótica da União Soviética contra a Alemanha nazista. Durante a ofensiva de Praga (6 a 11 de maio), os remanescentes dos Grupos de Exércitos Centro e Sul foram enfim derrotados, com quase 860 mil soldados inimigos feitos prisioneiros, e o território da então Tchecoslováquia foi completamente libertado.

Ivan Konev e o general Andrei Eremenko em Praga

Em suas memórias intituladas “Quarenta e Cinco”, o marechal Ivan Stepanovitch Konev escreveu: “Quando visito o cemitério de Olšany em Praga, o local de descanso de nossos soldados e oficiais que morreram na operação de Praga, é com amarga tristeza que vejo em suas lápides enfeitadas com flores a data da morte de 9 de maio. A guerra já havia acabado, mas essas pessoas perecerem aqui, nos arredores de Praga, quando o nosso país todo já comemorava a vitória, pereceram nas últimas batalhas com o inimigo, completando com bravura o que eles tinham começado”.

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