O que se aprendia nas aulas de defesa civil na URSS?

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Não sabe onde conseguir uma máscara de proteção? Na União Soviética, todo estudante do ensino fundamental sabia como fazer uma!

Na Rússia, assim como na Europa, o ensino de defesa civil à população se iniciou durante a Primeira Guerra Mundial: então surgiram os alarmes de bombas, assim como regras de conduta em caso de ataque químico e instruções para fornecer assistência médica. Na década de 1930, eventos regulares eram organizados para informar os cidadãos sobre os meios de defesa contra diversos tipos de ameaças.

Pioneiros nas aulas de defesa civil, 1937.

O sistema definitivo de defesa civil da URSS se formou na década de 1960, durante a Guerra Fria, quando quartéis-generais de defesa civil surgiram em todos os povoados e em todos os empreendimentos de porte.

De bebês a aposentados

As palestras sobre defesa civil e treinamento prático eram obrigatórias na URSS desde os oito anos de idade e continuavam ao longo da vida. O principal objetivo era ensinar os cidadãos a se protegerem contra os efeitos das armas nucleares, químicas ou bacteriológicas.

Adolescentes nas aulas de defesa civil.

As aulas introdutórias começavam na segunda série. Havia diversos cursos para faixas etárias diferentes, mas os alunos do primeiro ano já sabiam costurar máscaras faciais básicas de gaze e algodão e evacuar edifícios quando o alarme soasse. As crianças eram informadas sobre as armas de destruição em massa desde a escola primária. Os alunos escolares sabiam que precisavam se esconder da onda de choque de uma explosão nuclear em uma floresta ou ravina e da radiação em um abrigo subterrâneo.

Você acha que nos acampamentos de pioneiros (movimento equivalente ao dos escoteiros), as crianças apenas relaxavam ao ar livre? Nada disso. Eles tinham jogos em equipe como o Zarnitsa, no qual os jovens eram treinados para se orientar geograficamente e administrar os primeiros socorros.

Crianças nas aulas de desativação, 1942.

Nos estabelecimentos de ensino médio e superior e nas empresas, eram realizadas simulações de defesa civil de acordo com a especialidade dos indivíduos.

Exercícios de defesa civil na fábrica de conserto de locomotivas de Moscou.

Câmeras de proteção especiais com janelas transparentes que eram montadas em carrinhos de bebê ou trenós foram desenvolvidos para os pais empregarem nos filhos que não pudessem usar máscaras de gás devido à idade.

Para os aposentados, os órgãos de defesa civil locais organizavam palestras nos pátios de edifícios residenciais e em parques. Além disso, independentemente da idade, dava-se atenção especial à preparação moral e psicológica. As pessoas eram ensinadas a manter a calma e a agir de acordo com as instruções em quaisquer circunstâncias.

Senhoras treinam para combater bombas, 1941.

Explosão à esquerda, explosão à direita!

Além das palestras, os cidadãos soviéticos tinham que cumprir certos padrões de treinamento. Por exemplo, eles deviam escolher rápido uma máscara de gás: quando era dado o comando, a pessoa tinha que ir até uma mesa, medir a cabeça, encontrar o tamanho certo de máscara de gás, aparafusar o recipiente do filtro na máscara, colocá-la e verificar se estava hermética. Um melhor tempo para fazê-lo era um minuto — dois minutos já resultavam em uma nota ruim. Outro teste exigia que as pessoas colocassem suas próprias máscaras de gás em alta velocidade: 10 segundos era excelente, mas qualquer coisa acima de 12 era insatisfatório.

Sob a ordem "Explosão à esquerda/direita", era preciso se jogar no chão e, preferencialmente, encontrar alguma proteção contra uma explosão nuclear. Havia uma tolerância de três segundos para tanto. A nota era baixa se havia capacidade de avaliar precisamente as qualidades de proteção do local ou se houvesse falha em esconder as mãos ou a cabeça. E havia normas semelhantes quanto ao fornecimento de ajuda médica e fortificar reforços, quanto à velocidade com que as pessoas iam para os abrigos e assim por diante.

Treinamento na fábrica, 1990.

Além disso, uma brochura intitulada "O que todos devem saber e fazer" foi publicada em enormes tiragens. Ela se iniciava com a seguinte afirmação:"o campo imperialista está preparando o mais terrível crime contra a humanidade, uma guerra termonuclear mundial que pode resultar em uma destruição sem precedentes." Portanto, o dever de todo cidadão soviético era, "mesmo em tempos de paz, estudar as formas e meios de assegurar a proteção contra armas de destruição em massa e saber como aplicá-las na prática” para proteger sua família.

Nela, eram descritas em detalhes as medidas a serem tomadas em resposta a ameaças específicas. Por exemplo, se armas bacteriológicas fossem usadas (na URSS, o antraz, a peste e a cólera eram considerados os agentes bacteriológicos mais perigosos), a quarentena seria imposta nos pontos críticos afetados: as instituições culturais de massa seriam fechadas, o trânsito para dentro e para fora do a área seria controlado e brigadas sanitárias especiais fariam visitas de porta em porta. Membros da família e qualquer pessoa que tivesse contato com uma pessoa infectada receberiam equipamentos preventivos e de proteção de emergência e seriam colocados sob observação médica regular. Depois disso, os interiores dos edifícios seriam desinfectados, assim como os membros da brigada.

E hoje?

Na escola.

Embora muitas pessoas não levassem esses exercícios a sério, muitas famílias na URSS tinham máscaras de gás, e os jovens sabiam costurar máscaras com materiais improvisados e localizar os abrigos antiaéreos mais próximos.

Após a queda da URSS, a defesa civil foi colocada sob a jurisdição do Ministério de Situações de Emergência, e fábricas e estabelecimentos de ensino atualmente só realizam exercícios de segurança contra incêndio. Em outras palavras, as pessoas são treinadas apenas para evacuar edifícios quando soa o alarme. As aulas de defesa civil ainda são ministradas, mas não na mesma escala. Antigos abrigos se tornaram locais de peregrinação para exploradores urbanos, transformados em museus, ou desativados. A geração mais velha, no entanto, ainda se lembra como agir em caso de ameaça de armas de destruição em massa.

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