Mendeleiev, autor da tabela periódica, foi um espião russo

Lori/Legion Media
Declaração é do diretor do Serviço de Inteligência do país.

O mais famoso químico russo, criador da primeira versão da tabela periódica dos elementos químicos, Dmitri Mendeleiev (pronuncia-se Mendeléiev), foi um dos agentes mais importantes da Inteligência da Rússia no século 19, declarou o diretor do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, Serguêi Naríchkin, em entrevista à revista Istorik. Segundo ele, Mendeleiev roubou informações sobre a pólvora sem fumo dos franceses.

Naríchkin explicou que, antes da criação do Serviço de Inteligência Estrangeira, pessoas de várias profissões eram contratadas para criar uma estrutura profissional especial e obter informações secretas no exterior.

Segundo ele, Mendeleiev conseguiu obter as informações necessárias para a produção segura de pólvora à base de piroxilina na Rússia. Essa substância, chamada "pólvora sem fumo", que permite aumentar o alcance e a precisão dos tiros, foi inventada pelos franceses, que não queriam compartilhar a fórmula.

No entanto, cientistas e historiadores duvidam a declaração do diretor do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia.

No artigo publicado na revista científica "Questões da História da Ciência e da Tecnologia", da Academia de Ciências da Rússia, o professor da Universidade Pedagógica Estatal da Rússia, Igor Dmitriev, escreve que "não há nenhuma prova convincente de que Mendeleiev trabalhou como agente da inteligência" e descarta a história de que Mendeleiev obteve uma fórmula secreta de pólvora francesa sem fumo.

Segundo ele, em documentos históricos há uma menção a Mendeleiev, na qual o químico disse a seu filho que ele "revelou rapidamente o segredo da produção de pólvora", utilizando as estatísticas sobre o movimento de carga na linha férrea. Dmitriev observa que o filho do químico era uma criança na época dos eventos descritos e a história que o pai lhe contou, "foi formulada para a percepção das crianças".

O historiador também afirma que, nos documentos pessoais de Mendeleiev, em seus cadernos, diários e cartas, não há qualquer prova de que o químico estudasse estatísticas ferroviárias para revelar os segredos da pólvora francesa.

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