Pedro, o Grande (ou o Mulherengo e Torturador?)

Pixabay; Maria Giovanna Clementi; Jean-Marc Nattier/Hermitage Museum; Public domain
O grande tsar e reformador russo era um grande admirador da beleza feminina. Mas até as mulheres mais encantadoras podiam perder a simpatia dele e os homens que se envolviam com elas, a cabeça - literalmente!

1. Evdoquía Lopukhiná

Evdoquía Lopukhiná.

Pedro, aos 16 anos de idade, e Evdoquia (que foi batizada Praskóvia Lopukhiná, mas ganhou um nome mais “nobre”, Evdoquía, depois de se tornar tsarina) se casaram em Preobrajênski em 1689. Mas o casamento não deu certo: o jovem tsar curtia mais ficar com amigos adultos, beber, festejar e era obcecado pela Europa.

Já Evdoquía, filha de um alto funcionário da corte, era completamente desligada de modismos e curtição. “Ela tem um rosto razoável, mas tem um cérebro mediano e a moral diversa do marido, razão pela qual perdeu toda a felicidade e abalou todos os descendentes”, escreveu sobre Evdoquía Borís Kurákin, marido de sua irmã.

Pedro, o Grande.

Evdoquía deu a Pedro três filhos, mas apenas o terceiro, Aleksêi, sobreviveu. Pedro, porém, não se dedicava a ele, ocupando-se o tempo todo de questões militares e políticas, assim como de sua nova paixão, amoroso, Anna Mons. Ele praticamente se esqueceu da mulher, Evdoquía – que passou a apoiar seus oponentes.

Em 1698, Pedro ordenou que Evdoquía virasse freira, à força, e fosse enviada ao Convento de Súzdal-Pokróvski. Mas lá ela continuou a levar a vida de tsarina, recebendo convidados e até amantes.

Igreja de Pokróvski.

Isto tudo durou nove anos. A partir daí, quando o Tsariévitch Aleksêi tentou fugir para o exterior, Pedro iniciou uma grande investigação. Como resultado, o último amante da tsarina foi submetido a uma terrível tortura, e ela também foi açoitada.

Evdoquía viveu por muitos mais anos, até 1731. Ela recebeu autorização para retornar a Moscou e retomar seu estilo de vida real, mas ela já não tinha nenhum papel político. Suas últimas palavras foram: “Deus me permitiu conhecer o verdadeiro valor da grandeza e da felicidade terrena”.

  1. Anna Mons
A casa de Anna Mons no Subúrbio Alemão (1911).

Não restaram retratos da lendária amante de Pedro, Anna, que era filha de um comerciante de vinhos da Vestfália e mantinha um hotel no Subúrbio Alemão, em Moscou. Anna conheceu o tsar por meio de seus companheiros Aleksandr Mênchikov e Franz Lefort - ambos os quais tinham sido seus amantes também.

Ela era uma das belas alemãs que viviam em Moscou em busca de favores dos poderosos. Mas Pedro se apaixonou completamente, tanto que ele enviou a mulher para o convento e quis fazer de Mons sua tsarina.

Mênchikov.

Provavelmente ele tenha sido dissuadido da ideia, mas, em Moscou, Anna passou a ser chamada de “Tsarina Kukui” – já que os moscovitas chamavam o Subúrbio Alemão de “Kukui”.

Pedro dedicou uma mesada para Anna e sua mãe e a presenteou com uma casa de pedra e um retrato dele com diamantes. Mas, anos depois, ele descobriu que ela o traía. Ser amada pelo imperador não era brincadeira: foi decretada prisão domiciliar e a casa elegante que ganhara foi confiscada.

O Subúrbio Alemão de Moscou.

Mais tarde, o diplomata prussiano Georg-Johann von Keyserling, que havia morado por algum tempo com Mons, quis se casar com ela. Mas o tsar e o príncipe Mênchikov, que ouviram juntos o pedido, simplesmente zombaram do diplomata e chegaram até a empurrá-lo escada abaixo.

Um retrato de como seria Anna Mons - não restaram quaisquer retratos da época.

No final das contas, a permissão para se casar foi concedida. Mas Keyserling morreu repentinamente, e Anna foi processada por muito tempo devido a seus pertences e propriedades.

3. Marta Skavrônskaia (Ekaterina 1°)

Pedro arrumou a segunda esposa no mesmo lugar que Anna Mons: ele a tomou de Mênchikov. Criada proveniente de Marienburg, Skavrônskaia tinha sido capturada pelo conde Borís Cheremiétev junto com outros prisioneiros e levada para sua casa. A bela e afável mulher foi tirada de Cheremiétev por Mênchikov, e foi em sua casa que o tsar a encontrou.

Ekaterina 1°.

De acordo com François Villebois, um francês que servia na Rússia, Pedro “olhou para Ekaterina por um longo tempo e, provocando-a, disse que ela era inteligente. Ele fez troça dizendo para ela que levasse uma vela ao quarto dele quando ela fosse dormir. Era uma ordem em tom de brincadeira, mas não permitia qualquer objeção. foi assim que a bela donzela passou a noite no quarto do tsar”.

Não se sabe ao certo o lugar exato do nascimento de Marta e a origem de seus pais. Mas Pedro não se incomodou com isso. Ele enviou a nova amada para a casa de sua irmã Natália, onde Marta aprendeu russo e boas maneiras. Em 1708, ela foi batizada na Igreja Ortodoxa Russa e ganhou um novo nome, Ekaterina.

Três anos depois, o tsar declarou que Ekaterina era sua esposa. Grávida de sete meses de Pedro, a mulher o acompanhou na dura campanha de Prut, na Moldávia, durante a qual ela lidou com todas as dificuldades de uma vida em um acampamento militar admiravelmente, impressionando assim ainda mais o tsar. Em 1713, ele estabeleceu a Ordem de Santa Catarina em sua homenagem.

O tsar gostava de ver sua esposa o tempo todo. Um contemporâneo escreveu: “Não teve um único desfile militar, lançamento de navio, cerimônia ou festa ao qual ela não estivesse presente... Ekaterina, confiante no coração do marido, zombava de seus frequentes casos amorosos, assim como como Lívia Drusa fazia com Augusto (63 - 27 a.C.) em Roma. Apesar disso, ele mesmo lhe contava dos casos e sempre terminava com as palavras: ‘Nada pode se comparar a você’”.

Ekaterina deu a Pedro onze filhos, mas a maioria morreu na infância, exceto Anna e Elizaveta. A último se tornou, posteriormente, a imperatriz Elizaveta Petrovna.

Mas o amor idílico terminou em 1724, quando Pedro descobriu o caso da mulher com Willem Mons, irmão de Anna. Um adorador da crueldade e dos gestos teatrais, Pedro ordenou que a cabeça decepada de Willem fosse apresentada a Ekaterina em uma bandeja.

Os dois só se reconciliaram pouco antes da morte do tsar. Acredita-se que Pedro tenha morrido nos braços de ekaterina. Após a morte dele, Ekaterina foi a primeira mulher governante com plenos poderes sobre a Rússia.

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