Que tipo de preservativos os soviéticos usavam? (FOTOS)

Dária Sokolova; ValérI Khristoforov/TASS
Os preservativos (que na URSS eram oficialmente conhecidos como “Produto de Borracha N° 2”), eram bastante demandados por geólogos e pescadores - e não porque eles fossem lá grandes amantes!

Pergunte a qualquer um que tenha vivido na União Soviética o que é o “produto nº 2”, e ele imediatamente começará a rir e explicar que esse era o nome dado aos preservativos na época. O fato é que, a princípio, os preservativos eram fabricados em apenas uma fábrica em toda a URSS, a fábrica de produtos de borracha Bakovski. Localizada na região de Moscou, ela produzia apenas dois tipos de produtos: preservativos (o famigerado “produto n° 2”) e  máscaras de gás (o “produto n° 1”).

Talco no lugar de lubrificante

A fábrica de Bakovski começou a operar no final da década de 1930. De acordo com algumas fontes, a produção de preservativos foi apoiada por Lavrênti Béria, figura importante do Partido Comunista e muito próxima de Iôssif Stalin.

Durante a guerra, a fábrica passou a produzir, obviamente, apenas produtos militares. Ela só voltou a produzir preservativos em meados da década de 1950. A fábrica Bakovski produzia cerca de 200 milhões de unidades de “produto n° 2” anualmente. Mais tarde, os preservativos também passaram a ser fabricados em fábricas em Kiev e Armavir.

Preservativos soviéticos produzidos em 1955.

Os preservativos soviéticos eram muito diferentes dos modernos: eram feitos de borracha e não eram lubrificados, mas cobertos com talco.

O cheiro deles também não era lá propício a uma atmosfera romântica. Além disso, esses preservativos não eram muito fortes no quesito “sensibilidade”: pelos padrões estatais da época, a borracha precisava ter 0,09 mm de espessura – os preservativos atuais têm apenas 0,05 mm.

Fábrica de borracha Bakovski.

Durante o governo Khruschov, os preservativos começaram a ser produzidos em três tamanhos, o que criou um constrangimento adicional para os clientes que faziam filas nas farmácias, já que eles tinham declarar o tamanho de suas “posses”.

Um preservativo soviético custava 10 copeques. Para efeito de comparação, um litro de leite custava 28 copeques e um pedaço de pão, 24 copeques.

Preservativos soviéticos de 1968.

Realmente, a qualidade dos preservativos soviéticos deixava muito a desejar: muitos deles rasgavam e, em geral, eram grossos demais para serem confortáveis. Foi somente na década de 1980 que a fábrica Bakovski começou a fabricar preservativos de látex com a qualidade verificada eletronicamente.

Mas, mesmo antes disso, alguns cidadãos soviéticos conseguiam obter preservativos estrangeiros de melhor qualidade no mercado ilegal. Esses vendedores ilegais vendiam, nos anos 1980, preservativos que custavam de 3 a 5 rublos e eram laváveis para uso posterior.

Publicidade de preservativos soviéticos, em 1990.

Um item para qualquer eventualidade

Na União Soviética, os preservativos deviam ser usados ​​em relações sexuais (apesar de todo o tabu). Mas, eles tinham muitos outros usos práticos.

Os preservativos eram muito procurados entre praticantes de trilhas, geólogos e pescadores, porque eram indispensáveis ​​como recipientes leves e herméticos para armazenar amostras de solo, cigarros, fósforos ou sal. Reza a lenda que um preservativo de fábrica Bakovski pode levar até 1,5 litros de água. Os preservativos também eram uma fonte inesgotável de diversão para as crianças, que as enchiam de água e as jogavam das varandas.

"Usei muito os preservativos: primeiro para tampar latas e, segundo, como galochas para os pés do meu primeiro bulldog no inverno, quando as ruas ficavam salpicadas de sal", escreve uma russa na internet. “Eu mesma ficava com vergonha de comprar uma quantidade tão grande (oito por dia) para tais fins. Meu marido se recusava a fazê-lo, porque os preservativos tinham que ser de tamanho pequeno. Então, meu melhor amigo ia à farmácia e gritava da porta 'Você tem preservativos pequenos? Eu preciso de 300!'"

Após a queda da URSS, em 1991, o mercado ficou cheio de preservativos baratos indianos e chineses em embalagens brilhantes. A fábrica Bakovski tentou competir, criando, entre outras coisas, algumas variedades pouco convencionais. Uma delas eram os preservativos pintados e desenhados no estilo Gjel (a famosa arte russa azul e branca em cerâmica) ou na forma de animais. A certa altura, a fábrica começou a produzir balões. Mas isso também não a salvou: em 2019, a fábrica Bakovski entrou em falência e, em março de 2020, a empresa foi liquidada.

Preservativos em forma de brinquedos Gjel.

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