Antes e depois: palácios de São Petersburgo destruídos pelos nazistas (FOTOS)

História
ALEKSANDRA GÚZEVA
Essas majestosas residências reais, com seus esplêndidos parques, foram ocupadas pelos alemães e quase completamente destruídas. Demorou muitos anos para serem cuidadosamente restauradas, e agora podemos admirar sua beleza mais uma vez.

1/ Peterhof

A residência real em Peterhof é, talvez, o mais esplêndido dos famosos palácios construídos nos arredores de São Petersburgo. Pedro, o Grande, começou a construí-lo em 1715 e queria que o palácio superasse Versalhes em beleza e luxo.

No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, pouco restou do Peterhof. Em 23 de setembro de 1941, foi ocupado pelos alemães. Por dois meses, o Exército soviético tentou recuperá-lo, mas em vão. Peterhof permaneceu sob bombardeios constantes até o cerco de Leningrado ser levantado, em janeiro de 1944.

A construção mais afetada foi o Grande Palácio, que acabou sendo atingido por inúmeras bombas e basicamente reduzido a escombros.

Muitos danos também foram infligidos ​​ao parque e às fontes – esculturas que não haviam sido removidas ou escondidas foram destruídas em bombardeios. Os alemães também queimaram a maioria das árvores do parque e, antes de recuar, minaram todo o território.

Os jardins começaram a ser restaurados na primeira primavera após o término do Cerco, e no verão de 1945 foram reabertos aos visitantes.

No entanto, as fontes, e ainda assim nem todas, só voltaram a funcionar no final da década de 1950. Uma delas – a Cascata do Leão – foi reaberta apenas em 2000.

2/ Tsárskoie Selô

Este palácio e parque ao sul de São Petersburgo era residência de verão dos tsares. Sua construção começou sob Catarina 1ª, esposa de Pedro, o Grande, mas foi apenas durante o reinado da filha do imperador, Isabel, que o palácio ganhou a aparência barroca.

Assim como Peterhof, esta residência real sofreu inúmeros danos durante a guerra. A funcionária do museu, Vera Lemus, lembra como funcionários ainda estavam escondendo os itens valiosos ao ouvir os tiros das tropas alemãs que se aproximavam.

Em setembro, os alemães ocuparam Tsárskoie Selô. O Palácio de Catarina ficou seriamente destruído e se tornou alvo de bombardeios. Os alemães usavam o térreo como garagem. Além de desfigurarem diversos dos objetos de arte remanescentes no palácio, eles também saquearam parte de sua coleção única.

Uma das maiores perdas culturais da Segunda Guerra Mundial foi a Sala de Âmbar original no Palácio de Catarina, que desapareceu sem deixar rasto. Nos anos 2000, pequenos fragmentos foram devolvidos à Rússia, mas a parte principal teve que ser recriada a partir do zero. Este trabalho foi enfim concluído em 2003.

Alguns dos salões do Palácio de Catarina foram reabertos aos visitantes em 1959, mas a restauração de Tsárskoie Selô continua até hoje.

3/ Pavlovsk

O Pavlovsk foi construído no final do século 18 como residência de verão para o imperador Paulo 1º. Localizado não muito longe de Tsárskoie Selô, também foi capturado pelos alemães. O jardim inglês e o palácio de Paulo 1º foram gravemente danificados: ao recuar, os alemães incendiaram o palácio.

O museu deve muito à sua heroica diretora, Anna Zelenova. Aos 28 anos, ela não apenas foi a força motriz por trás da evacuação e da preservação dos tesouros da coleção do museu, mas permaneceu no local, salvando seus itens, até o último momento e partindo somente um dia antes de Pavlovsk ser capturado pelos alemães. Zelenova teve que voltar para Leningrado (atual São Petersburgo), que fica a cerca de 30 km, a pé.

Zelenova retornou às ruínas de Pavlovsk uma semana após a libertação. Embora as autoridades não acreditassem que um palácio que estava quase completamente destruído pudesse ser restaurado, ela imediatamente começou os trabalhos de recuperação.

Por esse motivo, Pavlovsk se tornou a primeira propriedade real nos arredores de São Petersburgo a ser totalmente restaurada, em 1977.

4/ Gatchina

Esta residência ao sul de São Petersburgo foi construída em meados do século 18 por Grigóri Orlov, o favorito de Catarina, a Grande. Depois de sua morte, a imperatriz comprou a propriedade e deu a seu filho Paulo 1º de presente. O palácio já era sombrio, mas, depois de passar pelos alemães, deixava uma impressão ainda mais aterradora.

As autoridades soviéticas decidiram que restaurar a enorme propriedade Gatchina seria muito oneroso, portanto, dividiram sua coleção entre outros museus. Foram feitos consertos básicos dentro do palácio; entre eles, a restauração de escadas e do piso, e a cobertura de todos os baixos-relevos danificados e moldes de estuque com escudos.

O palácio abrigou inicialmente uma escola militar e depois um instituto de pesquisa. Foi quase decidido removê-lo da lista de patrimônios históricos e culturais, mas, em 1976, a então curadora do museu, Adelaida Ielkina, conseguiu que o prédio fosse desocupado para abrigar um museu lá, e começaram os trabalhos de restauração. Dez anos depois, os primeiros salões foram restaurados para seu aspecto original do final do século 18.

Decidiu-se que a galeria não seria totalmente restaurada e, em vez disso, teria um salão memorial para exibir a aparência após a saída dos alemães. Esta foto foi tirada em 2019.

Os trabalhos de restauração, no entanto, progridem lentamente e ainda estão em andamento: mesmo no palácio principal, nem todos os interiores foram restaurados.

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