Das grandes esperanças ao Grande Expurgo: 17 fotos soviéticas dos anos 1930

Ivan Shagin/russiainphoto.ru, David Trachtenberg/Sputnik
A década de 1930 na União Soviética é geralmente associada às repressões em massa de Stálin. No entanto, foi também uma época em que o cinema soviético floresceu, a exploração do Ártico obteve sucesso inacreditável e uma poderosa capacidade industrial nacional estava rapidamente se erguendo.

1/ “Zonzos de sucesso”

Idosos de fazenda coletiva verificam a qualidade dos grãos de nova colheita na Sibéria Oriental, em 1936

Lançada no final da década de 1920, a coletivização (que consolidava propriedades rurais e trabalho de camponeses em fazendas coletivas) foi realizada de maneira brutal e forçada, o que levou a resistência pública. Em 2 de março de 1930, foi publicado o artigo de Stálin “Zonzos de Sucesso”. Nele, dizia-se que a coletivização agrícola fora realizada com zelo excessivo, levando a ‘excesso’ que precisavam ser corrigidos. Depois disso, o ritmo da coletivização foi reduzido significativamente.

2/ Fim do movimento Basmachi

Grupo de oficiais do Diretório Político Unificado do Estado com Ibragim Bek (centro), líder da resistência armada Basmachi contra os bolcheviques, 1931

Alimentados por slogans islâmicos, os chamados Basmachi lutaram contra os bolcheviques pela libertação nacional na Ásia Central. Eles lideraram um conflito armado, destruindo ferrovias, atacando pequenos vilarejos e matando ativistas comunistas. Em 1931 e 1932, o Exército Vermelho eliminou as principais forças Basmachi. No entanto, confrontos isolados ocorreram até o início da década de 1940.

3/ Fome de 1932 e 1933

Fome na Ucrânia, 1932

A coletivização total e a tomada à forçada de grãos levaram à fome em enormes territórios da Ucrânia, região do Volga, Urais do Sul, Sibéria Ocidental e Cáucaso do Norte – e, consequentemente, a morte de mais de 7 milhões de pessoas.

4/ Gulag

Condenado a campo de concentração forçado com oficial da Diretório Político Unificado do Estado na construção de canal, 1933

O sistema soviético de campos de trabalho forçado estava em plena operação durante os anos 1930. Até dois milhões de pessoas viviam nesses campos por todo o país. Durante a década, mais de 360.000 condenados morreram devido a tratamento brutal, fome e exaustão na construção de ferrovias, canais, fábricas e estações hidrelétricas.

5/ Industrialização 

Trabalhador da Magnitogorsk Iron and Steel Works, 1937

Durante os anos 1930, a URSS alcançou resultados impressionantes na industrialização, tornando-se um dos líderes mundiais. Mais de 4.500 novas fábricas e usinas foram construídas. Especialistas alemães e americanos convidados, como Albert Kahn, desempenharam um papel significativo nesse processo. Em geral, a recém-criada capacidade industrial permitiu que os soviéticos modernizassem significativamente suas forças armadas, o que era essencial devido à possibilidade de um novo conflito global – que se concretizou em 1939.

6/ Liubov Orlova e o florescimento do cinema soviético

Cena do filme “O  Circo”, de Grigôri Aleksandrov, com Liubov Orlova como Marion Dixon

Os crescentes padrões de atuação e direção, além da implementação de som e decorações de alta qualidade, permitiram que o cinema soviético atingisse níveis sem precedentes. Alguns dos filmes dessa época, como “O Circo” e “Volga, Volga”, fizeram sucesso entre espectadores soviéticos e, mais tarde, russos. A atriz mais popular da URSS, Liubov Orlova, se tornou o primeiro símbolo sexual do país.

7/ Resgate do Tcheliuskin

Quebra-gelo Tcheliuskin abrindo caminho através do gelo e da neve, 1934

Em 13 de fevereiro de 1934, o navio a vapor Tcheliuskin afundou no Oceano Ártico, e seus 104 tripulantes ficaram ilhados em um bloco de gelo.

Ao longo de dois meses, todos os tripulantes foram resgatados, e os membros da equipe de resgate se tornaram os primeiros heróis da União Soviética. Milhões de cidadãos soviéticos acompanharam o destino dos marinheiros.

8/ Desfiles de atletas

Parada de atletas na Praça Vermelha, 1º de maio de 1936

Introduzidos em 1919, os chamados Desfiles de Atletas começaram a ser realizados regularmente a partir de 1931. Tornaram-se o método mais eficaz para promover o esporte e um estilo de vida saudável na URSS. Esses desfiles também tiveram papel significativo na criação de um culto à personalidade de Stálin. O desfile dos atletas de 1935 nomeou Stálin como “o melhor amigo dos pioneiros”, enquanto no desfile de 1936 nasceu um novo slogan: “Obrigado, camarada Stálin, por nossa infância feliz”.

9/ Culto à personalidade de Stálin

Stálin durante cerimonial dedicado à abertura do metrô de Moscou, 1935

A propaganda soviética trabalhou pesado para transformar Stálin em um semideus, um governante ideal infalível, que jamais cometeu qualquer erro. “Grande Líder”, “Grande Líder e Professor”, “Pai das Nações”, “Grande Senhor da Guerra”, “Melhor Amigo dos cientistas (escritores, esportistas etc.)” eram apenas alguns de seus títulos.

10/ Grande Expurgo

“Inimigo do povo”, Extremo Oriente russo, 1939

O Grande Expurgo custou a vida de quase 700.000 pessoas.

As repressões de Stálin, ocorridas de 1936 a 1938, eliminaram o núcleo do Partido Comunista e funcionários do governo, decapitaram a liderança do Exército Vermelho e dizimaram a ‘intelligentsia’ e milhares de cidadãos comuns. 

11/ Intervenção soviética na guerra civil espanhola

Pilotos soviéticos no aeródromo de Soto, perto de Madri, 1936

A Guerra Civil Espanhola foi uma espécie de ensaio geral para a Segunda Guerra Mundial. Tanto a União Soviética quanto a Alemanha enviaram às partes em guerra enormes quantidades de armas, tanques, aviões e navios de guerra. Mais de 2.000 especialistas soviéticos, incluindo 772 pilotos e 351 comandantes de tanques, lutaram pela República contra os nacionalistas de Franco, que eram apoiados pela Legião Condor, da Alemanha nazista, e pelo Corpo Truppe Volontarie, da Itália fascista.

12/ Primeiro voo sem escalas Moscou-Polo Norte-Vancouver (Washington, EUA)

Pilotos soviéticos Aleksandr Beliakov, Valéri Tchkalov e Georg Baidukov após desembarque em Vancouver, 29 de junho de 1937

De 18 a 20 de junho, pilotos soviéticos a bordo de um Tupolev ANT-25 fizeram o primeiro voo sem escalas de Moscou para Vancouver, no estado norte-americano de Washington, através do Polo Norte.

O voo levou 63 horas e percorreu uma distância de 8.811 quilômetros.

13/ Grande exploração do Ártico

Da esq. para dir.: hidrologista Piotr Chirchov, operador de rádio Ernst Krenkel, chefe da estação Ivan Papanin e geofísico Evguêni Fiodorov na abertura da primeira estação de gelo à deriva no Polo Norte, em 6 de junho de 1937

Nos anos 1930, a União Soviética alcançou grande sucesso na exploração e uso industrial do Ártico: três pilotos soviéticos fizeram o primeiro voo sem escalas pelo Polo Norte, e o quebra-gelo ‘A. Sibiriakov’ fez a primeira travessia bem-sucedida pela Rota do Mar do Norte em uma única viagem marítima sem interrupção durante o inverno. Os soviéticos fundaram dezenas de portos à beira do Ártico e descobriram inúmeras fontes de gás e petróleo na região. E, em 1937, foi estabelecida a primeira estação de gelo à deriva tripulada do mundo no Oceano Ártico, a Polo Norte-1.

14/ Batalhas de Khalkhin Gol

Soldado japonês se rende a tropas soviéticas nas batalhas de Khalkhin Gol, 1939

Após a ocupação da Manchúria em 1932, o Império Japonês se viu diante de uma longa fronteira com a União Soviética e sua aliada Mongólia. Percebendo o Extremo Oriente soviético como uma área de interesse de expansão, os japoneses começaram a testar as forças do futuro inimigo. Em uma série de confrontos, conhecidos comoBatalhas de Khalkhin Gol, em 1938 e 1939, o exército conjunto soviético-mongol esmagou as forças japonesas. O baque foi tão forte que o Império vizinho sequer se atreveu a atacar os soviéticos em junho de 1941, quando os nazistas invadiram as fronteiras ocidentais da URSS, e mudou seu vetor de expansão para o Pacífico. 

15/ Pacto Molotov-Ribbentrop

Stálin e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha nazista, Joachim von Ribbentrop, no Kremlin, 23 de agosto de 1939

O Tratado de Não Agressão entre a Alemanha e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, mais conhecido como Pacto Molotov-Ribbentrop, permitiu a Hitler enfrentar a Polônia e depois seguir para a França sem receio de ser atingido pelas costas pelos soviéticos e, assim, ter que lutar uma guerra em duas frentes.

O protocolo secreto do pacto determinou a partilha da Europa Oriental entre as superpotências. De acordo com o documento, a Finlândia, a Polônia oriental, uma parte da Romênia e os Estados bálticos se tornariam áreas de interesse soviéticas.

16/ Invasão soviética da Polônia

Motociclistas alemães e tanques T-26 soviéticos da 29ª Brigada de Tanques em Brest, setembro de 1939

Em 17 de setembro de 1939, o Exército Vermelho atravessou a fronteira soviética-polonesa e iniciou sua chamada “campanha de libertação”, que pretendia, de acordo com os soviéticos, “libertar os povos da Ucrânia e da Bielorrússia ocidentais da opressão senhores e capitalistas da Polônia”. Para o já desgastado Exército polonês, este foi o golpe final. Os soldados locais foram ordenados a não abrir fogo contra o avanço das tropas soviéticas. Como resultado da campanha, a União Soviética anexou a Polônia oriental (Ucrânia e Bielorrússia ocidentais), e o Exército Vermelho e a Wehrmacht realizaram um desfile militar conjunto em Brest no dia 22 de setembro.

17/ Início da Guerra de Inverno

General Terenti Chtikov (primeiro plano à direita) examina munição de homens do Exército Vermelho durante a Guerra de Inverno, em 1º de dezembro de 1939

No outono de 1939, Moscou ofereceu a Helsinque a troca do istmo da Carélia, então pertencente à Finlândia, e de várias ilhas no Golfo da Finlândia pelos territórios muito maiores (mas não desenvolvidos) da Carélia soviética. Ao fazer isso, os soviéticos queriam garantir a segurança de Leningrado, que ficava muito perto da fronteira finlandesa.

Com a recusa dos finlandeses, o Exército Vermelho resolveu atacar o país vizinho em 30 de novembro de 1939. Stálin decidiu não apenas tomar os territórios à força, mas “sovietizar” a Finlândia e transformá-la em uma república soviética. No entanto, os soviéticos tiveram o olho maior que a barriga: os finlandeses eram oponentes implacáveis. O Blitzkrieg soviético entrou completamente em colapso: a Linha Mannerheim não foi rompida, as tropas foram cercadas e destruídas, e as vítimas cresceram a um ritmo assustador.

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