5 super-heróis soviéticos que apavoraram os nazistas na Segunda Guerra Mundial

V. Scheglov/Global Look Press
Essas cinco pessoas foram além do humanamente possível: parar um tanque com um machado, usar métodos xamanísticos no combate a atiradores de elite e transformar um batalhão de tanques alemão em um campo de tiro de patos sentados.

1/ Zinovi Kolobanov: a vitória do tanque em que ninguém acreditava 

Zinovi Kolobanov

Quando a Segunda Guerra Mundial começou, Zinovi Kolobanov já tinha vasta experiência militar. Havia lutado, por exemplo, na Guerra da Finlândia, de 1939 e 1940, durante a qual escapou de um tanque em chamas por não uma, mas três vezes.

Em 1941, Kolobanov comandou uma unidade de tanque enquanto tropas alemãs avançavam rumo a Leningrado (atual São Petersburgo). Perto da vila de Voskovitsi, a unidade de Kolobanov recebeu a ordem de defender a estrada que levava à cidade de Krasnogvardeisk (atual Gatchina, a 42 quilômetros de Leningrado). Com apenas 5 tanques pesados ​​ KV-1 à disposição, Kolobanov moveu sua unidade para uma importante encruzilhada, onde ordenou que dois tanques bloqueassem as duas estradas para Krasnogvardeisk. Enquanto isso, estacionou estrategicamente seu tanque a 300 metros de distância em uma posição que mal era possível vê-lo.

Quando os tanques alemães se aproximaram, as tropas estavam confiantes demais – havia até soldados sentados nos cascos com as escotilhas abertas – e claramente não viram o tanque de Kolobanov. Andrêi Usov, o artilheiro de Kolobanov, destruiu então o primeiro e o último dos 22 tanques na coluna inimiga, bloqueando-os efetivamente em uma estrada estreita cercada por pântanos. O restante dos tanques estavam alinhados diante do tanque de Kolobanov, exatamente como em um campo de tiro.

Em meio à turbulência, algumas das munições dos tanques inimigos explodiram, enquanto outros deslizaram para o pântano, deixando-os imóveis, ainda que continuassem disparando ferozmente. Os tanques KV-1 se mostraram praticamente invencíveis às armas alemãs. Após a batalha, havia mais de 100 marcas de tiro no casco do tanque de Kolobanov, mas nenhuma havia perfurado a blindagem. Kolobanov destruiu 22 tanques inimigos, e toda a sua unidade varreu 48 no total, brecando o avanço das forças alemãs.

Logo após sua batalha mais famosa, Zinovi Kolobanov ficou gravemente ferido, recuperando-se apenas em 1945. Viveu em Minsk até sua morte em 1994. A vitória de Kolobanov foi considerada tão incrível e audaciosa que muitos não acreditavam. Quando, na década de 1970, a TV bielorrussa quis fazer uma reportagem sobre o feito de Kolobanov, a matéria foi reprovada pelos superiores por ser considerada absurda.

2/ Semion Nomokonov: o atirador xamã

Semion Nomokonov

Semion Nomokonov foi um indígena siberiano, membro do povo evenque. Foi caçador desde a infância e, por causa de sua visão extraordinária, acabou sendo apelidado de “olho de urubu”. Nomokonov começou a atuar no Exército como médico, e, certa vez, ao transportar um soldado ferido do campo, notou um atirador de elite alemão mirando em sua direção. Foi então que pegou uma arma próxima e o matou quase sem olhar – e assim teve início a carreira de atirador de elite de Nomokonov. 

No total, o siberiano foi ferido oito vezes – e matou 368 soldados inimigos, incluindo um major-general. Suas façanhas foram lendárias, e os alemães o apelidaram de “xamã da Taiga”. Muitas vezes, durante a missão, ele utilizava espelhos para distrair o inimigo com lampejos, e usava capacetes vazios em varas para criar supostos soldados ao seu redor. Ninguém conseguia se disfarçar melhor que Nomokonov.

Ele contabilizava as mortes fazendo entalhes no cachimbo e costumava usar um rifle simples, sem mira telescópica. “Alguém poderia pensar que o caçador recorria a algum tipo de força impura”, escreveu um jornalista sobre Nomokonov.

3/ Ivan Sereda: não brinque com o cozinheiro

Ivan Sereda

Ivan Sereda tinha apenas 22 anos em junho de 1941. Como muitos ucranianos, o jovem adorava comer e cozinhava muito bem, pois havia se formado em uma escola de culinária antes mesmo do início da guerra. Sereda mostrava disposição para entrar no campo de batalha, mas havia poucos cozinheiros capazes de fornecer nutrição saudável às tropas – por esse motivo, foi designado a trabalhar na cozinha do campo.

Certo dia, quando seu regimento estava nas linhas de frente perto de Daugavpils, na Letônia, dois tanques inimigos apareceram na retaguarda das posições soviéticas, perto da cozinha de Sereda. O jovem soviético rapidamente se escondeu com os cavalos do regimento na floresta. As únicas armas que ele tinha eram um machado e um rifle velho. Um dos tanques avançou, enquanto outro parou ao lado da cozinha.

Os alemães começaram a sair do tanque para fazer um balanço da cozinha capturada e, com sorte, achar uma refeição quente. De repente, porém, Ivan saiu correndo de seu esconderijo com um machado na mão, obrigando os alemães a voltar para o veículo. A metralhadora começou a disparar, mas Ivan já estava em cima do tanque, dobrando o cano da arma com o machado. Então, começou a comandar suas tropas (que não estavam lá, mas os alemães não sabiam disso) a atingir o tanque inimigo com granadas. Paralelamente, Ivan continuava batendo na armadura do tanque com o machado.

Quando os inimigos aterrorizados tentaram escapar do tanque, Ivan os manteve sob a mira de armas até que suas tropas retornassem. Mais tarde, Sereda recebeu as medalhas de maior prestígio do país – Herói da União Soviética e Ordem de Lênin – por sua proeza. Certamente, não foi por suas habilidades culinárias.

4/ Dmítri Ovtcharenko: como um nazista perde a cabeça

Dmítri Ovtcharenko

Camponês da região de Lugansk, Dmítri Ovtcharenko não foi um aluno muito aplicado, tendo concluído apenas cinco séries. No entanto, Dmítri possuía uma força física considerável e, por isso, acabou sendo convocado nos primeiros dias da guerra.

Ao ser ferido, Ovtcharenko foi remanejado para um regimento de logística encarregado de fornecer comida e munição às tropas.

Em 13 de julho de 1941, durante o transporte de mercadorias, o camponês foi pego de surpresa por um esquadrão alemão com 50 soldados e três oficiais. À mão armada, eles tomaram o rifle de Ovtcharenko e o interrogaram perto de sua carruagem com feno, comida e munição. Num piscar de olhos, no entanto, o soviético pegou um machado escondido sob o feno e decapitou o oficial que o questionava. Nos segundos seguintes, lançou três granadas contra os inimigos, matando mais de 20 pessoas, e o resto fugiu. Ovtcharenko conseguiu, porém, matar outro oficial, decapitando-o com o mesmo machado. Para evitar qualquer dúvida sobre seu feito, ele decidiu reunir provas, levando os documentos que identificavam as tropas alemãs.

Logo depois, Dmítri recebeu a medalha de Herói da União Soviética e foi enviado para luta em um esquadrão de metralhadoras. Infelizmente, como morreu na Hungria no início de 1945, não presenciou a vitória final sobre os nazistas.

5/ Liudmila Pavlitchenko: a atiradora que inspirou Woody Guthrie

Liudmila Pavlitchenko

Liudmila Pavlitchenko é considerada a melhor atiradora de todos os tempos. Embora apelidada de “Dona Morte” por jornalistas americanos, na União Soviética, seu nome não estava associado à morte – mas à vingança por justiça.

Ainda jovem, Pavlitchenko estudou para se tornar historiadora. Quando a guerra começou, ela já havia terminado sua tese, mas se voluntariou no Exército. Durante seus anos de faculdade, ela havia feito cursos de treinamento de atiradores de elite. Nos primeiros anos do conflito, conheceu um atirador, Leonid, e eles decidiram se casar. Mas Leonid logo morreu em batalha, e Pavlitchenko teve que carregar o corpo do noivo.

Em junho de 1942, Pavlitchenko já contabilizava 309 mortes. Um de seus mais longos duelos de atiradores de elite foi contra um alemão que havia derrubado dois de seus colegas atiradores russos. O duelo silencioso prosseguiu durante um dia inteiro.

Após 24 horas, quando ambos já estavam exaustos, os adversários se encontraram. Pavlitchenko foi mais rápido, no entanto. No caderno de anotações do atirador alemão, ela encontrou registros das mortes de mais de 400 soldados soviéticos e aliados.

Em junho de 1942, Pavlitchenko foi ferida. Depois de se recuperar, ela foi enviada aos EUA para fins de propaganda, onde conheceu o presidente Roosevelt e fez uma pequena turnê pelo país e pelo Canadá.

“Tenho apenas 25 anos, senhores, e já matei 309 opressores fascistas. Vocês não acham, cavalheiros, que estão se escondendo nas minhas costas há muito tempo?”, disse em seu famoso discurso em Chicago. Pavlitchenko causou tamanha impressão nos americanos que até o lendário compositor Woody Guthrie escreveu uma canção sobre a “senhorita Pavlitchenko”, com o assombro refrão: “Trezentos nazistas caíram por sua arma”.

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