9 guerras estrangeiras que a URSS não podia ignorar

Yuri Somov/Sputnik
A União Soviética criava e protegia regimes socialistas amigáveis em diferentes regiões do mundo e não hesitava em enviar os seus soldados para defendê-los. O Russia Beyond compilou a lista de todas as guerras estrangeiras que contaram com a participação dos militares soviéticos.

1. Guerra Civil do Afeganistão (1928-1929)

Cerca de 50 anos antes da guerra Afegã-Soviética, as tropas da URSS já estavam naquela região. Em 1929, o rei local Amanullah Khan, amigo do governo soviético, foi deposto pelos rebeldes britânicos liderados por Habibullah Kalakani.

Para apoiar seu aliado, a URSS enviou secretamente para o Afeganistão mais de dois mil soldados, disfarçados como habitantes locais, para combater os rebeldes. No entanto, quando as principais forças de Amanullah foram derrotadas perto de Cabul, ele próprio fugiu do país. As tropas soviéticas foram retiradas do Afeganistão logo em seguida.

2. Guerra Civil Espanhola (1936-1939)

As tropas soviéticas desempenharam um papel importante na defesa de Madri em 1936. Os nacionalistas de Franco já tinham chegado aos arredores da cidade quando foram surpreendidos por um contra-ataque de tanques T-26 com tripulações soviéticas. Além disso, as tropas republicanas receberam o apoio dos pilotos da URSS, que pilotavam caças I-15 e bombardeiros ANT-40.

Dos quase 1.800 militares soviéticos que lutaram na Espanha durante a Guerra Civil, 127 foram mortos em ação, 11 morreram de ferimentos e o destino de 32 permanece desconhecido ainda hoje.

3. Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945)

Em 1937, a pedido do Partido Kuomintang chinês, a União Soviética forneceu à China ajuda generalizada. Enviou armas, munições e mais de 700 pilotos para combater os invasores japoneses. Os pilotos soviéticos organizaram um amplo programa de treinamento para pilotos chineses, auxiliando na criação da Força Aérea daquele país.

Em 1940, quando as relações entre Kuomintang e Mao Tse Tung pioraram significativamente, a URSS passou a se preocupar que as armas soviéticas de Chiang Kai-shek pudessem ser utilizadas contra os comunistas chineses. O governo soviético decidiu interromper o fornecimento de equipamentos e retirou todos os pilotos da região.

4. Guerra da Coreia (1950-1953)

No início da década de 1950, a Península da Coreia se transformou em campo de treinamento para os primeiros duelos aéreos entre caças.

A União Soviética enviou seu 64º Corpo de Aviação de Caças para lutar extraoficialmente na Coreia em outubro de 1950, quando o avanço das tropas sul-coreanas e da ONU tinha levado a Coreia do Norte à beira do colapso. Os pilotos soviéticos, em aviões MiG-15, e centenas de milhares de "voluntários" chineses ajudaram os norte-coreanos a realizar, com êxito, seu contra-ataque.

5. Guerra de Desgate (1967-1970)

Mais de 70 caças MiG-21 soviéticos foram enviados para o Egito para fornecer apoio militar durante a guerra contra Israel. Os caças foram desmantelados e secretamente enviados em aviões de transporte An-12. Os especialistas montaram os caças no Egito e os pintaram de cores da Força Aérea daquele país.

Os pilotos soviéticos patrulhavam o território do Egito, protegendo seus objetos estratégicos contra os ataques aéreos israelenses. Em 30 de julho de 1970, os caças israelenses Mirage III e F-4 Phantom realizaram a Operação Rimon 20, organizada especialmente contra as forças soviéticas na região, que resultou na derrubada de quatro MiG-21. Após esse fato, o governo soviético retirou os pilotos da região.

6. Guerra do Vietnã (1955-1975)

Mais de seis mil especialistas militares soviéticos foram enviados para apoiar o Vietnã do Norte em sua guerra contra o Vietnã do Sul e os Estados Unidos. Vestidos como civis, sem documentos de identificação, os soviéticos protegeram os aliados dos ataques aéreos dos Estados Unidos.

Os militares soviéticos criaram o sistema de defesa aérea do Vietnã do Norte, que resultou na redução significativa da atividade das Forças Armadas dos EUA na região.

A Frota Soviética do Pacífico também enviou 17 navios de reconhecimento ao Mar do Sul da China, onde eles acompanhavam os grupos de ataque de porta-aviões americanos e coletaram informações sobre os ataques aéreos.

7. Guerra Civil Libanesa (1975-1990)

Em 1982, quando o exército israelense derrotou as tropas sírias no Líbano, o governo da Síria pediu ajuda à URSS. Sob o pretexto de exercícios militares, oito mil militares e sistemas de mísseis antiaéreos S-200 SAM foram enviados secretamente para a Síria para patrulhar os céus da região.

Consciente da chegada dos soviéticos, Israel limitou sua atividade aérea perto das fronteiras sírias. No entanto, em 1983, as tropas soviéticas de defesa aérea abateram um avião israelita de alerta precoce E-2 Hawkeye. Três meses depois, em vingança, as forças especiais israelenses atacaram as posições das tropas soviéticas, mas foram repelidas pelos sírios.

8. Guerra Civil Angolana (1975-2002)

Mais de 11 mil militares soviéticos participaram de um dos maiores conflitos civis do continente africano. A URSS apoiou o Movimento Popular para a Libertação de Angola, de esquerda, e ajudava a organizar operações militares com participação dos soldados soviéticos.

Uma das maiores operações preparadas pelos militares soviéticos, foi o ataque e apreensão da cidade de Mavinga, uma das principais fortalezas da UNITA. Antes da chegada dos soviéticos, a cidade resistiu a ataques durante 15 anos.

9. Guerra do Afeganistão (1979-1989)

No início, o governo soviético não queria se tornar parte do conflito civil entre o governo da República Democrática do Afeganistão e os grupos rebeldes Mujahideen. O Contingente Limitado das Forças Soviéticas no Afeganistão foi responsável apenas pela segurança de objetivos estratégicos e rotas de transporte importantes.

No entanto, a partir da primavera de 1980, a União Soviética foi envolvida em hostilidades em grande escala, o que, ao longo dos 10 anos seguintes, custaram a vida a mais de 15 mil soldados soviéticos e desempenharam um papel significativo no colapso da URSS.

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