Por que a Rússia considera o Ártico como seu?

Christopher Michel (CC BY-SA 2.0)
Depois de mais de um milênio de exploração e desenvolvimento do Ártico, território tem importância nacional e país está pronto para defender seu direito sobre os recursos naturais da região.

Desde tempos antigos, os habitantes da Rússia eram atraídos pelo Norte. Na maioria dos casos, eles estavam buscando peles valiosas. As ilhas do Oceano Ártico eram um campo de caça ativa dos colonos russos de Pomor, na costa do Mar Branco. Em 1499, foi fundada a primeira cidade russa no Ártico, Pustozersk, atualmente abandonada.

A primeira expedição russa ao Ártico não teve objetivo de pesquisa. O ataman (um título de liderança) cossaco Semiôn Dejniov foi enviado ao Norte para buscar espinhos de morsas e de peixe. Consideradas muito valiosas, essas matérias-primas eram utilizadas para diversos fins: espinhos pequenos de peixes eram usados como agulhas de costura, e os maiores, por exemplo, de morsa, eram usados para construir armaduras, já que são muito fortes e leves, e para construir as estruturas de navios, já que são ocos por dentro, flutuam e são muito resistentes. Depois de visitar a Tchukótka, Dejniov fez uma descoberta extraordinária: o estreito entre a Eurásia e a América.

No início do século 18, sob ordem do primeiro imperador russo, Pedro, o Grande, a Rússia construiu uma poderosa frota para incrementar a exploração polar. Após as expedições de Vitus Bering, dos irmãos Láptev e de Semiôn Tcheliuskin, realizadas entre 1734 e 1743, foi elaborado um mapa detalhado do litoral, dos rios e das ilhas árticas da Rússia. Essas viagens entraram na história como a “Grande Expedição ao Norte”.

No século 19, os russos deixaram de ser os únicos exploradores do Ártico. O grande arquipélago no Oceano Ártico conhecido como a Terra de Francisco José foi descoberto, em 1873, por uma expedição austro-húngara, em nome de cujo imperador foi batizado - embora pertença à Rússia atualmente.

Ilha Ziegler, Terra de Francisco José

Nos últimos anos do Império Russo, iniciou-se o desenvolvimento ativo da região por este. Em 1899, foi construído o primeiro quebra-gelo polar do mundo, o Ermak, projetado para navegar o ano todo. Em 1916, às vésperas da Revolução, foi fundada a cidade de Múrmansk, a mais setentrional da Rússia e que hoje é o maior centro urbano do norte da Rússia.

Quebra-gelo Ermak

O século 20
Em 1932, Otto Schmidt fez a primeira viagem sem escalas a bordo de um quebra-gelo ao longo da Rota do Mar do Norte, ou seja, pela costa ártica da Rússia, da Europa à Ásia. Graças a esses quebra-gelos, os navios comuns passaram a navegar ininterruptamente de Múrmansk a Vladivostók.

Otto Schmidt

Em 1937, a URSS abriu a primeira estação científica no gelo à deriva no Oceano Ártico. Durante a era soviética, 31 estações deste tipo foram construídas. A Rússia moderna construiu mais dez delas.

Entre 18 e 20 de junho de 1937, uma aeronave experimental de longo alcance ANT-25, sob o comando de Valéri Tchkálov, realizou o primeiro voo sem escalas do mundo da URSS para os Estados Unidos através do Polo Norte.

Após a Segunda Guerra Mundial, a URSS lançou uma poderosa frota de quebra-gelos na região do Ártico, que incluía navios nucleares. Em 1977, um quebra-gelo soviético se tornou o primeiro navio de superfície do mundo a alcançar o Polo Norte.

Além de navios civis, o Ártico tinha muitos navios militares. Os Estados Unidos e a URSS quase sempre mantiveram seus submarinos na região.

Crise
A crise econômica que se seguiu à queda da URSS afetou os interesses da Rússia no Ártico. Todas as estações flutuantes na região foram fechadas. Países ocidentais, além de China, Japão e Índia, começaram a exigir a internacionalização dos recursos do Ártico e a igualdade de acesso aos minerais da região.

Hoje, a Rússia tem uma posição mais firme na política do Ártico. Para garantir seus interesses, foi criado o Comando Estratégico Conjunto da Frota do Norte, mais conhecido como Forças do Ártico.

Um símbolo das ambições da Rússia no Ártico foi sua expedição polar de 2007. Os batiscafos (veículos submersíveis destinados à exploração dos oceanos em regiões de águas ultraprofundas) russos foram os primeiros a chegar ao fundo do oceano na área do Polo Norte e instalaram ali uma bandeira russa de titânio, a 4.302 metros de profundidade.

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