Por que Grã-Bretanha e URSS invadiram Irã enquanto os nazistas estavam às portas de Moscou?

Dmitry Minsker/Sputnik
As tropas soviéticas e britânicas reuniram-se pela primeira vez não em Wismar, em maio de 1945, como acredita a maioria das pessoas – o primeiro encontro aconteceu em 1941, quando os aliados invadiram e compartilharam o Irã. Mas para quê?

No verão de 1941, os soldados alemães ocuparam a maior parte da região do Báltico, a Bielorrússia, metade da Ucrânia, aproximaram-se de Leningrado (atual São Petersburgo) e chegaram à região de Moscou.

E, apesar da ameaça, os soviéticos decidiram abrir uma nova frente a milhares de quilômetros da Europa, contra o Irã.

Por qual motivo? O Irã causava muita preocupação entre os Aliados. Apesar da sua proclamada neutralidade, o país adotou fortes posições pró-Alemanha. O Terceiro Reich teve influência colossal sobre a política e a economia iranianas, e os alemães realizavam operações constantes de inteligência no país. Além do mais, todas as solicitações britânicas e soviéticas para expulsar inúmeros cidadãos alemães foram negadas pelo líder iraniano Reza Shah Pahlavi.

A situação era inaceitável para os Aliados, sobretudo porque o importante Corredor Persa atravessava o território iraniano. Para excluir qualquer hipótese de o Irã ajudar ou até juntar-se às potências do Eixo, os Aliados concordaram em manter o país sob o seu controle até ao fim da guerra. Em 25 de agosto de 1941, as tropas soviéticas e britânicas lançaram uma invasão conjunta, conhecida como Operação Countenance.

Manobra (meio) diplomática

A URSS encontrou uma razão legal para a invasão, não declarando guerra ao Irã. O governo soviético referiu-se ao Tratado de Amizade Russo-Persa de 1921, segundo o qual “...se um terceiro país desejar usar o território persa como base de operações contra a Rússia, a Rússia terá o direito de enviar suas tropas para o interior persa com a finalidade de realizar as operações militares necessárias para sua defesa”.

A invasão soviético-britânica, com Forças Aerotransportadas e domínio absoluto da aviação nos céus, deixou poucas chances para o Exército iraniano. Embora tenham tentado resistir nos primeiros dias, os iranianos começaram a se render em massa.

Acumulando derrotas em todas as frentes, o governo do Irã ordenou que suas tropas parassem de atacar em 29 de agosto. No dia seguinte, as tropas britânicas e soviéticas reuniram-se em Sanandaj. Em 31 de agosto, as lideranças das tropas apertaram as mãos em Qazvin, que fica apenas 165 quilômetros a noroeste de Teerã.

Em 15 de setembro, as tropas aliadas realizaram um desfile militar conjunto em Teerã. A campanha custou a vida de 40 militares soviéticos e 22 britânicos. O Irã perdeu mais de 800 soldados, além de 200 civis mortos em bombardeios.

Quase anexado por Stálin

As tropas soviéticas ocuparam o norte do país, e os britânicos, o sul e o sudoeste. O Irã ganhou um novo líder. Reza Shah Pahlavi abdicou do trono em favor de seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, que declarou guerra à Alemanha.

Os Aliados prometeram deixar o Irã seis meses após o fim do conflito. Embora a Grã-Bretanha tenha evacuado as suas tropas a tempo, os soviéticos não mostraram tanta pressa. Stálin organizou a criação de dois Estados – a República Popular do Azerbaijão e a República de Mahabad, conhecida oficialmente como República do Curdistão, no norte do Irã –, com a intenção de anexá-los posteriormente.

A decisão provocou uma enorme reação diplomática do Ocidente e das Nações Unidas, que enfim forçaram a URSS a deixar o país. Em pouco tempo, o Exército iraniano recuperou o controle sobre os territórios do norte.

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