Trump anuncia final de tratado que evitou guerra nuclear com a URSS; entenda contexto

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Há pouco mais de 30 anos, Ronald Reagan e Mikhaíl Gorbatchov chegaram a um acordo para eliminar toda uma classe de armamentos nucleares e evitar um possível conflito militar que devastaria a Europa. Agora, os EUA anunciam sua saída do tratado.

No último domingo (21), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a saída do país do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF). O acordo foi assinado em 1987 pelo presidente norte-americano Ronald Reagan e pelo líder soviético Mikhaíl Gorbatchov.

"Concluiremos o contrato e sairemos do tratado", disse Trump durante encontro com jornalistas em Nevada, nos EUA.

O Russia Beyond explica por que este tratado é tão importante.

1. Qual foi o problema com mísseis nos anos 1980?

Em 1977, a URSS revelou um novo míssil no programa de modernização de seu arsenal que seria implementado na Europa Oriental, o Sabre SS-20 de alcance médio.

A notícia chocou a Europa Ocidental: as três ogivas nucleares de 150 quilotoneladas dos mísseis não eram reguladas pelos tratados de armas existentes e poderiam atingir qualquer cidade da Europa Ocidental, sem que a Otan ou os EUA pudessem reagir.

2. O que é um míssil de alcance médio?

De acordo com a classificação internacional, esta categoria inclui mísseis nucleares com 500 a 1.000 quilômetros alcance (ou seja, curto alcance) e de 1.000 a 5.500 quilômetros (ou seja, de alcance médio). Estes mísseis podem atingir seus alvos mais rapidamente que os mísseis balísticos intercontinentais, e o mais importante é que o seu alcance relativamente curto não era regulado pelo Tratado de Limitação de Armas Estratégicas de 1972.

3. Por que a URSS ameaçava a Europa?


O objetivo era substituir os antigos mísseis SS-4 e SS-5 por SS-20 e garantir a supremacia militar soviética na Europa. No entanto, a decisão levou a uma rápida deterioração das relações com o Ocidente.

"Tanto o Ocidente quanto a China estavam muito preocupados com a implementação desta arma. Isto era uma evidência de que os soviéticos se preparavam para uma guerra nuclear", diz o historiador Aleksêi Bogaturov.

A Europa Ocidental era mais vulnerável: um possível ataque soviético podia destruir toda a infraestrutura militar do continente antes que os aliados norte-americanos pudessem sequer reagir.

4. Qual foi a reação do Ocidente?

Os Estados Unidos, como líderes da Otan, agiram com determinação. Em 1983, eles desenvolveram novos mísseis: Pershing II foram instalados na Alemanha Ocidental e diversos outros mísseis de cruzeiro foram enviados a Bélgica, Itália, Holanda e Reino Unido. Esses mísseis podiam atingir alvos no território da Europa que era controlado pelos soviéticos.

5. O que aconteceu depois?

Os políticos soviéticos e ocidentais entenderam que era absolutamente necessário reduzir as tensões: a Europa era como um barril de pólvora pronto a explodir.

Diversas rodadas de negociações fracassaram, principalmente porque três líderes soviéticos, Leonid Brejnev, Iúri Andrôpov e Konstantín Tchernênko, morreram antes do final das negociações. Finalmente, em 1987, Mikhaíl Gorbatchov e Ronald Reagan chegaram a um acordo e assinaram o tratado.

Segundo o INF, os EUA e a URSS deviam desmontar todos seus mísseis de curto e médio alcance (de 500 a 5.500 quilômetros). Além disso, Moscou foi forçada a destruir mísseis não apenas na Europa, mas também na Ásia.

Ambos os lados cumpriram os termos do tratado, a URSS destruiu 1.846 sistemas de mísseis e os EUA, 846.

“A operação foi um grande sucesso: pela primeira vez na história, os dois lados conseguiram desmantelar toda uma classe de armas novas e altamente eficazes, o que realmente melhorou a situação na Europa e no Extremo Oriente”, explica Aleksêi Bogaturov.

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