Bolgar, a misteriosa cidade muçulmana russa da qual você provavelmente nunca ouviu falar

Maksim Bogodvid/Sputnik
Um pitoresco país eslavo na ponta sul dos Bálcãs, famoso por suas praias, rosas e estações de esqui. Esta é provavelmente a primeira coisa que vem à mente quando se ouve “Bulgária”. Mas você já ouviu falar sobre outra Bulgária? No meio da Rússia?

A Bulgária tem um primo menos conhecido escondido no interior da República Autônoma do Tatarstão: Bolgar. Embora possa ser menos famosa, Bolgar não tem uma história menos ilustre e é uma das cidades mais antigas da Rússia.

Os protobúlgaros: Kubrat e seus 5 filhos

Muito antes dos mongóis, a estepe eurasiática era dominada por outro grande império turco, os protobúlgaros, cujo Estado estava concentrado em torno do mar de Azov (atual Rússia e Ucrânia). Conhecido por ser igualmente habilidoso na construção da nação quanto em guerras, eles ergueram cidadelas de pedra maciças onde quer que pusessem os pés. Sob o comando do lendário Khan Kubrat, o Império Protobúlgaro chegou a cobrir grande parte da costa do mar Negro.

Após a morte de Kubrat, no entanto, seus cinco filhos decidiram se separar, cada um indo em uma direção diferente para administrar suas próprias terras. Os dois mais bem-sucedidos foram Asparuh, que fundou a Bulgária conhecida hoje, e Kotrag, que vagou para o norte ao longo do rio Volga. 

Renascimento no Volga

Eventualmente, os búlgaros de Kotrag se estabeleceram em um pedaço de terra ao longo do rio Volga e ali fundaram a grande cidade de Bolgar, uma verdadeira metrópole eurasiática. Após algumas campanhas contra os vizinhos, os búlgaros do Volga, como vieram a ser chamados, criaram um vasto império no centro da Rússia.

Em 922, o governante Aidai Khan se converteu ao Islã e investiu na construção de madraças (casa de estudos islâmicos) e mesquitas, e o Estado se tornou um grande intermediário ao longo dos trajetos comerciais da Rota da Seda. Lápides atestam um grande distrito judeu e armênio, e viajantes como ibn-Fadlan saudaram a ênfase do Khan em educação. Bolgar virou o centro da civilização islâmica na Europa Oriental.

Bolgar continua sendo uma importante localidade dentro da Rússia. Situados em uma curva calma do rio Volga, os restos da cidade incluem cidadelas de pedra, mesquitas e túmulos que comprovam a existência de um Estado forte e qualificado em alvenaria.

Esses traços da Bulgária do Volga são vistos como a origem de todos os muçulmanos que vivem ao longo do Volga hoje, sobretudo os tártaros e os basquires. Uma vez por ano, eles visitam Bolgar em uma peregrinação religiosa conhecida como “Pequena Hajj”. Até hoje, muitos tártaros se consideram antes de mais nada búlgaros.

Importância nacional

Bolgar não tem apenas importância regional. É um Patrimônio Mundial da UNESCO, reconhecido como parte integrante da história de toda a nação russa – e foi o primeiro patrimônio protegido em toda a Rússia.

Em julho de 1722, o tsar Pedro, o Grande, ordenou pessoalmente ao governador do Tatarstão a renovação do local: 

“Sr. Governador! Durante a nossa estada em Bolgar, vimos que os antigos campanários estão em ruínas, e devem ser restauradas. Por esta razão, envie agora doze ou quinze maçons.”

A questão é que antes do Palácio de Inverno, do Kremlin ou de Novgorod, havia Bolgar, o lar de uma civilização misteriosa que outrora dominou a Europa Oriental.

O que visitar em Bolgar

A melhor maneira de visitar Bolgar é saindo de Kazan a bordo de hidrofólios, que viajam para lá diariamente ao longo do pitoresco Volga. O local histórico fica convenientemente ao longo do rio, com um miniporto e um museu arqueológico.

A maioria das ruínas deixadas em Bolgar é do período em que serviu como a capital da Horda Dourada. Mausoléus, palácios, mesquitas e igrejas ortodoxas pontilham o território. São imperdíveis as visitas a Mesquita-Catedral, a Câmara Negra e o Mausoléu do Leste, a câmara funerária de 700 anos para a nobreza de Bolgar. Também não devem passar batidos os restos do grande palácio de Khan e o poço oculto de Gabdrakhman, cujas águas teriam poderes curativos.

Os edifícios mais novos de Bolgar são igualmente impressionantes. O Memorial Sinal, um santuário para a adoção do Islã, abriga o maior Alcorão impresso do mundo (com nada menos que 500 kg). A enorme Mesquita Branca é uma reconstrução da antecessora antiga, que foi destruída no século 15.

Para uma boa refeição tártara, vale a pena conferir os restaurantes Zuleika e Genghis Khan e uma espécie de McDonald’s tártaro: Tubetei. Ali também há alguns hotéis nas proximidades. Para mais informações, visite este site.

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