Como operam os guarda-costas de Putin

Presidente da Rússia, Vladimir Putin (centro), cercado por guarda-costas ao deixar a Cúpula Europa-Ásia (Asem) em Milão, em 17 de outubro de 2014

Presidente da Rússia, Vladimir Putin (centro), cercado por guarda-costas ao deixar a Cúpula Europa-Ásia (Asem) em Milão, em 17 de outubro de 2014

Reuters
Como é de se esperar, a unidade de segurança pessoal do presidente russo russa é a mais bem treinada do país. O Russia Beyond reúne abaixo todas as informações (sabidas) sobre o funcionamento da escolta de Putin.

Meses antes de o presidente russo Vladimir Putin deixar suas residências para aparecer em público em qualquer lugar, sua equipe de segurança já está em ação. Em primeiro lugar, a unidade analisa todas as ameaças possíveis: desde atividade criminosa, agitação social e percepção de imagem até mesmo a possibilidade de desastres naturais, como, por exemplo, terremotos ou inundações na região durante a potencial visita.

A preparação

Cerca de um mês antes da visita do presidente, membros da equipe comparecem ao local para coordenar sua agenda de segurança com as autoridades regionais e verificar as acomodações onde o presidente ficará. Os aposentos passam por todos os reparos necessários, de modo que, durante a estada do presidente russo, nenhum técnico ou pessoal de manutenção tenha que acessar o local.

Os engenheiros e técnicos de TI da equipe de segurança instalam bloqueadores para impedir qualquer sinal de rádio na área de hospedagem do presidente. O equipamento da equipe de vigilância tem como rastrear todos os smartphones e outros dispositivos nas proximidades para controlar qualquer atividade suspeita. De acordo com a legislação russa, a segurança da presidência tem o direito de instalar e usar hardware e software de escutas, realizar buscas corporais, ter acesso a qualquer edifício e organização ou apreender qualquer veículo - se houver ameaça à segurança do chefe de Estado. No entanto, a apreensão de veículos civis é permitida apenas “em condições extremas” e não há registros oficiais nem mesmo de uma única ocorrência do tipo. Somente depois de executados os preparativos minuciosos, o presidente chega e a segurança inicia seu trabalho.

Quem o Serviço Federal de Proteção (FSB) atende

A agência responsável pela segurança do presidente russo é denominada Serviço Federal de Proteção (FSB, na sigla em russo). Os registros de sua equipe e financiamento são parcialmente confidenciais, mas fontes oficiais afirmam que o serviço conta com mais de 50.000 funcionários no total. Por que tantos?

Além do presidente, o FSB garante a segurança de diversas pessoas:

Primeiro-ministro (atualmente, Mikhail Michustin)

Porta-vozes da Duma de Estado e do Conselho da Federação;

Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa,

Diretor do Serviço Federal de Segurança;

Presidente do Conselho de Segurança;

Chefe da Administração Presidencial e seus vices;

Presidente da Comissão Eleitoral Central;

Outras figuras de Estado, mediante ordem especial do presidente.

Quem são os guarda-costas de Putin

Dentro do Serviço Federal de Segurança, uma unidade especial garante a segurança pessoal do presidente. Por incrível que pareça, os requisitos para esta posição não incluem experiência de combate real. “É improvável que a segurança do presidente tenha que organizar emboscadas em trilhas nas montanhas ou pular de paraquedas”, explica um ex-funcionário da unidade de segurança do presidente. “A experiência de combate é útil, mas muitas vezes não se aplica ao nosso trabalho. Durante a guerra, você ataca. E um guarda-costas só deve proteger o dignitário de alguém supostamente invisível.”

É por isso que ex-agentes da Polícia não são adequados para esta função - eles são treinados para prender e, no caso dos guarda-costas do presidente, sua segurança é a prioridade, e não necessariamente deter o agressor. O guarda deve ter “psicologia operacional”, o que significa ser capaz de antecipar e prevenir ameaças e fazer isso sem ser notado pelos demais, o que também é importante. Outros requisitos são: os candidatos devem ter menos de 35 anos, entre 175 e 190 cm de altura e pesar entre 75 e 90 quilos.

Os guardas pessoais do presidente também devem ter conhecimento de línguas estrangeiras e conhecimento político - para entender quem aborda o presidente e como essas pessoas devem ser tratadas. No vídeo abaixo, por exemplo, a equipe de segurança de Putin pede ao lutador Conor McGregor para retirar sua mão do ombro do presidente russo:

Os guardas do presidente também têm alta resistência. São treinados para suportar frio considerável usando apenas casacos leves (os mais grossos podem atrapalhar seus movimentos) e não suar com o calor. Segundo relatos, eles usam medicamentos que afetam os processos fisiológicos. A propósito, os guarda-costas podem fumar cigarro - ajuda a acalmar o estresse mais rápido, porém não durante o treinamento ou trabalho. O trabalho dos guarda-costas é desgastante, por isso são dispensados ​​após completarem 35 anos.

Como os guarda-costas de Putin trabalham e qual equipamento utilizam

Durante a “ação” (o tempo do presidente em público), os guardas se organizam em quatro círculos. O círculo mais próximo é composto por seus guarda-costas pessoais: caras de aparência amedrontadora em ternos, óculos escuros, com fone de ouvido na orelha e uma maleta. O visual ameaçador tem um motivo evidente - para os agressores, este é o primeiro sinal de que o dignitário está devidamente protegido.

Outro detalhe dos guarda-costas são suas mãos - elas estão sempre na frente do corpo, a mão esquerda muitas vezes levantada até a metade do tórax. Este é um requisito obrigatório - o guarda deve estar sempre em posição de alerta. Afinal, a tarefa imediata do ‘primeiro círculo’, em caso de perigo, é proteger o presidente com seus corpos. Veja como eles fazem isso neste vídeo em Hannover, em 2013, durante um protesto do grupo feminista Femen:

As maletas que esses guardas carregam são escudos que podem ser usados ​​para proteger o presidente de balas. Os oficiais estão sempre armados com uma pistola Gurza de 9 mm que pode disparar até 40 balas por minuto, penetrando em coletes à prova de balas a uma distância de até 50 metros. No entanto, se ocorrer um tiroteio, isso significa que a equipe de segurança falhou - todos os ataques devem ser evitados com antecedência. Outro equipamento destinado a resguardar a delegação são os guarda-chuva com armação de Kevlar carregados pelos guardas - eles são super-resistentes e podem proteger de projéteis.

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No entanto, não são os guardas do ‘primeiro círculo’ que são os mais importantes, mas os agentes do segundo - ao contrário dos primeiros, são totalmente imperceptíveis na multidão, vestidos formalmente e se comportam com discrição, à procura de agressores em potencial. O ‘terceiro círculo’ circunda o perímetro da multidão, evitando que pessoas suspeitas estejam nas proximidades do presidente. Já o quarto, é composto por atiradores posicionados nos telhados dos edifícios circundantes; por isso é perigoso correr, gritar ou fazer movimentos bruscos ​​perto do presidente - o indivíduo terá um ponto vermelho na cabeça em segundos.

Além disso, durante a aparição do chefe de Estado em espaços públicos, pode haver necessidade de instalação de equipamentos de proteção adicionais. No vídeo abaixo, em que Vladimir Putin homenageia o falecido prefeito de São Petersburgo, Anatóli Sobtchak, depositando flores em seu monumento, é possível as telas de vidro à prova de balas atrás das costas do presidente russo, colocadas especialmente para a ocasião:

Por último, mas não menos importante, o grupo armado da unidade acompanha a delegação presidencial em vans blindadas (habilidades de direção em situações extremas também são requisitos para a maior parte da segurança do presidente). Esses membros de operações especiais contam com AK-47s e fuzis de precisão Dragunov, além de lançadores de granadas antitanque e sistemas de mísseis antiaéreos portáteis ‘Osa’.

No entanto, o principal trunfo da segurança de Vladimir Putin é o próprio presidente. Com experiência nos serviços secretos soviéticos e russos, Putin é “um dignitário maleável”, de acordo com ex-oficiais de segurança do presidente. Ele sabe que sua equipe de segurança tem plena ciência do que está fazendo e sempre atende às suas demandas.

Este artigo é baseado em fontes diversas, desde oficiais a entrevistas anônimas com ex-funcionários da segurança presidencial.

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