Russa abre confeitaria gourmet para cães nos Estados Unidos

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Ideia de Olia Rosenblatt é oferecer comida saudável – e com uma pitada russa.

Ao olhar para esses bolos cobertos com uma deliciosa cobertura, que mais se parece com um espelho, é difícil acreditar que não foram feitos para humanos, mas para cães – e fabricados apenas com carne e legumes. Essas iguarias estão à venda no café Mishka, em São Francisco, aberto pela moscovita Olia Rosenblatt, que se mudou para os Estados Unidos após o embargo de alimentos russo, em 2014.

Quando o amor vira negócio

“Durante toda a minha vida, trabalhei sozinha”, conta Olia. “Depois da universidade –estudei Direito e Relações Públicas –, fundei uma pequena empresa de logística e a administrei por sete anos”, continua. A empresa de Olga importava frutas e legumes da Europa, mas, após o embargo de alimentos, os negócios entraram em declínio.

“Então pensei – tenho algumas economias e posso, finalmente, sair de férias e começar a viajar”, ​​diz Olia. “Visitei 31 países e decidi melhorar meu inglês nulo (eu só havia aprendido alemão na escola) em Nova York em 2017.”

Nos EUA, porém, Olia não se limitou apenas a Nova Iorque. No saguão de um hotel californiano, ela conheceu seu futuro marido, Rosenblatt, de Nebraska – a “Sibéria americana”, como descreve. “Ele me lembrava um urso tão grande e silencioso, e foi depois que eu disse isso a ele que ele finalmente se aproximou”, lembra Olia. “Ele me perguntou como se fala urso em russo e eu respondi: ‘Mishka’ – que se tornou a nossa palavra. Quando abrimos a confeitaria em 2018, nem precisávamos pensar no nome.” 

Gourmetização de serviços caninos

No confeitaria Mishka, os bolos custam de US$ 12 a US$ 65 – o dobro do que em outros cafés para cães da Califórnia. Mas os clientes não ficam chocados com esses preços. Segundo Olia, as sobremesas são feitos apenas com carne orgânica e sem conservantes, motivo pelo qual o preço é superior à média. E, além da base com patê de carne, peru, frango e cordeiro, todos os bolos recebem uma cobertura de suco de vegetais – e ela mesma inventou as receitas.

“Durante sete meses, trabalhei na criação da cobertura todos os dias”, conta Olia. “A cobertura vermelha é feito de beterraba; a verde é de espinafre; e a branca, de leite de coco. Quando misturamos diferentes sucos, é possível obter uma nova cor. E tempo é importante aqui! Apenas 10 a mais de fervura, e você terá a cor de borsch em vez do escarlate”, acrescenta.

Para Olia, os cachorros distinguem sabores como as pessoas, e os tutores devem se preocupar com o que eles consomem. Não é à toque que seu Yorkshire Terrier de 13 anos ainda parece bastante jovem e ativo. “É porque eu apenas dou comida caseira. Não fico convencendo ninguém a comprar nossos bolos, mas incentivo todos a cuidar dos animais de estimação da maneira que cuidamos de nós mesmos.”

Olia classifica seu café como uma “butique de luxo para cães”. Além de comida e das sobremesas para cachorro, há também um espaço com roupas e acessórios, assim como um salão para eventos. Todas as roupinhas para animais de estimação são fabricadas na Rússia, já que Olia tentar apoiar pequenas empresas de sua terra natal.

Talvez, por isso, os preços das roupas sejam realmente como nas butiques para humanos. “Em alguns modelos, usamos tweed italiano, que custa US$ 200 por metro, mais produção e mais entrega... Uma jaqueta pode custar mais de US$ 100, o que é bastante caro para roupa de um cachorro. Mas esse é um trabalho artesanal”, justifica.

Aos sábados, o café organiza reuniões com donos de cães, principalmente para pessoas entre 25 e 45 anos. “Este é um novo negócio em São Francisco, e eu gostaria de abrir mais lugares assim, talvez, em Nova York ou Los Angeles. Estou em busca de pessoas que pensem da mesma maneira”, afirma Olia.

Até o momento, a equipe é composta por sua mãe, que é chef profissional, uma amiga próxima também russa, um gerente de escritório e um chef extra que ajuda na cozinha. “Oferecemos serviço no estilo russo: ainda que os clientes venham com gatos, iremos servir bolos para que ninguém se ofenda.” 

“Todo mundo aqui é imigrante”

Olia afirma que sempre gostou de cozinhar, de cuidar de cães e nunca gostou de ficar ociosa. “Quando comecei, não tinha Green Card, não sabia bem o inglês (afinal, a terminologia comercial não é nada fácil) e tive que obter diversos documentos para estabelecer meu próprio negócio. Para obter a licença de comércio alimentar, tive que passar por sete testes de laboratório. Mas tudo foi feito em apenas dois meses.”

“Sei que pareço russa, mas nunca fui discriminada por aqui”, diz. “Os EUA são um país de imigrantes; todo mundo tem parentes de outro lugar ou até vizinhos russos.”

Mas, segundo Olia, as pessoas logo percebem que ela é nova no pedaço quando ouvem seu sotaque. “Mas acho que eles respeitam que estou fazendo algo aqui, que não estou vivendo de benefício, mas tentando trabalhar. E isso me dá mais força.”

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