Maratonista italiano enfrenta -52°C em corrida de 40 km na Iakútia

Aventura de policial Paolo Venturini, de 50 anos, aconteceu em Oimiakon, o lugar habitado mais frio do mundo. Trajeto foi finalizado em pouco menos de 4 horas.

Na última quarta-feira (20), após três horas, 54 minutos e 10 segundos, Paolo Venturini finalmente chegou ao destino final. Acompanhado de perto por sua equipe em um caminhão, que se movia lentamente atrás dele, o italiano de Pádua finalizou o trajeto de 39 quilômetros da vila de Tomtor até Oimiakon – cidade conhecida como o Polo do Frio do planeta, onde as temperaturas podem cair abaixo de -60°C.   

De um extremo a outro

Viajar para Iakútia não foi uma decisão apressada. Paolo começou a correr aos sete anos de idade e nunca se esquivou de desafios difíceis. Depois de passar a maior parte da carreira organizando operações de resgate da polícia, “sabia dos problemas de fazer o trabalho, mesmo que fosse atravessar um deserto siberiano no inverno”, diz.

Em 2017, ele participou de uma maratona no deserto de Lut, no Irã, e outra na chapada Gandom Beryan, o lugar mais quente do planeta. Em meio a 67°C, percorreu 75 km em pouco menos de 12 horas, perdendo quase 5 kg no caminho.

Depois de levar seu corpo ao limite no calor extremo, não foi surpresa que tenha decidido viajar para algum lugar frio no desafio seguinte. Depois de ler sobre o Polo do Frio, Paolo passou 18 meses preparando o projeto, bolando equipamentos especiais e montando uma equipe para dar suporte e filmar seu projeto “Monster Frozen”, que tem o apoio dos governos russo e italiano.

“As autoridades locais tiveram um papel vital na realização de todo o projeto e garantir o seu sucesso”, diz Paolo. “Estudei o material técnico por um ano e meio e perguntei a pessoas que vivem lá truques para me ajudar a proteger do frio”, completa. O italiano viajou para Iakútia duas vezes antes de realizar a maratona para ter certeza de que estava totalmente preparado.

Como se aquecer no lugar mais frio da Terra

Paolo aconselha corredores inexperientes e amadores a não tentar o mesmo feito. No entanto, com determinação, uma grande equipe de suporte e o equipamento certo, ele mostrou que ainda assim é possível.

“O vento esfria o corpo, por isso é vital usar roupas com propriedades bloqueadoras do vento. O melhor material é lã de ovelha da raça merino – continua quente mesmo quando molhada. Tinha três camadas de roupas feitas dessa lã para a corrida”, conta.

Paolo usou sapatos com dentes para caminhar sobre o gelo e solado impermeável, alguns pares de meias de lã e meias especiais até o joelho aquecidas por baterias.

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“Elas são boas para praticar esportes no inverno, mas também é possível enrolar uma simples sacola plástica na meia para combater o frio por algumas horas… O mais importante é a sola, que deve ser grossa o suficiente para bloquear o frio debaixo. O sapato em si deve ser alto para que o frio não consiga entrar pelo topo”, explica.

Além de manter a cabeça, os braços e as pernas aquecidas, o italiano ressaltou a importância de evitar o consumo de álcool em temperaturas muito baixas – em vez disso, escolher algo como chá. “Não deve estar pelando, mas um pouco mais quente do que a temperatura do seu corpo para que você aqueça por dentro”, diz. “Quando o assunto é comida, deve-se optar por alimentos ricos em proteínas e gordura.”

De Pádua a Iakutsk

Mesmo que o livro dos recordes Guiness tenha recusado a maratona de Paolo (devido à dificuldade de monitorar a corrida em condições tão extremas), o atleta está feliz porque seu desafio foi aprovado pelo governo da Iakútia. “Eles me pediram a bandeira nacional da Itália que eu segurava na mão quando terminei a prova para expô-la no Museu Nacional de História da Iakútia, junto com meu autógrafo, distância, tempo e temperatura, bem como o quepe da Polícia Estatal Italiana”, diz.

O maratonista também apresentou uma carta do prefeito de Pádua a seu homólogo em Iakutsk propondo o estabelecimento de relações entre as cidades.

“Este é um sinal de que o esporte pode promover a amizade entre as nações, mesmo quando os políticos não o fazem. Entre as coisas mais bonitas da Iakútia estão seus habitantes e cultura. Conhecê-los é enriquecedor. Espero que o documentário, que será finalizado em abril ou maio, contribua para promover o turismo a esta parte do país, que tanto merece.”

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