Críticos escolhem as 100 melhores obras da literatura russa pós-soviética

Roman Denisov/Global Look Press
Pelévin é o principal escritor da Rússia desde a queda da URSS, de acordo com pesquisa realizada com 24 críticos literários russos pelo portal GodLiteratury. Autor tem dois títulos só no top-10 da lista.

O portal russo God Literatury, um projeto financiado pela Agência Federal Russa de Imprensa e Meios de Comunicação de Massa (Rospetchat) para divulgar todo tipo de informação acerca da literatura do país, divulgou uma lista dos 100 melhores títulos nacionais pós-soviéticos, segundo as opiniões de 24 críticos de relevo.

Cada um dos críticos apontou as cinco obras mais significativas, em sua opinião, publicadas na Rússia nos últimos 30 anos. O resultado foi uma lista de 103 títulos em que Viktor Pelévin não só é líder como também tem outros quatro títulos ao longo do rol – dois deles, no top-10.

Além do primeiro lugar com “Generation ‘П’” (1999, sem tradução ainda para o português, em tradução livre, “Geração ‘П’”), o autor figurou na lista com “A metralhadora de argila” (de 1996, publicado no Brasil pela Rocco), em terceiro lugar; “Omon Ra” (de 1992, sem tradução ainda para o português), em 17° lugar; “Síni fonár” (em tradução livre, “Lanterna Azul”, de 1992), em 29° lugar; e “Sviaschênnaia kníga oborotnia” (em tradução livre, “O livro sagrado do lobisomen”, de 2004).  

No Brasil, outros títulos seus foram lançados pela Cia das Letras (“O Elmo do Horror – O Mito de Teseu e o Minotauro”) e pela Rocco (“A vida dos insetos”).

Sua obra-prima, porém, “Geração ‘П’”, sobre os “cruéis anos 1990”, ainda não aterrissou nas estantes em língua portuguesa, apesar de ter ganhado uma sensacional adaptação para as telonas em filme homônimo de 2011 por Victor Ginzburg.

O segundo lugar da lista foi para “Repetitsii” (em tradução livre, “Ensaios”, disponível em inglês como “Rehearsals”), considerado um dos romances russos mais difíceis do século 20 e vertido ao inglês pelo britânico Oliver Ready, que conta a história de um dramaturgo francês que é incumbido de montar “O novo testamento” pelo Patriarca Nikon.

Por que 30

O GodLiteratuty considerou o ano de 2018 como o marco de 30 anos de “imprensa livre” na Rússia. Isto porque a liberdade de publicação em relação à literatura de ficção, teria começado no país não com o início da Perestroika e da Glasnost, em 1985, mas depois.

Mesmo assim, esta nova fase teria, sim, se iniciado antes da anulação formal da censura do Glavlit (órgão responsável por filtrar o que era ou não publicado na URSS), ocorrida em 1 de agosto de 1990 com a entrada em vigor da nova Lei de Imprensa. 

Assim, o site celebra 2018 como o marco de 30 anos da livre publicação de livros de ficção na Rússia – “com a ressalva do quão livre ela pode ser no capitalismo, com um gosto extremamente conservador da maior maior parte dos leitores e etc.”, lê-se na página.

Top-10 da lista:

1° lugar: “Generation ‘П’”, de Víktor Pelévin (1999)

2° lugar: “Repetítsii” (em tradução livre, “Ensaios”), de Vladímir Charóv (1992)

3° lugar: “A metralhadora de argila”, Víktor Pelévin (1996)

4° lugar: “Guenerál i egó ármia” (em tradução livre, “O general e seu exército”), de Gueórgui Vladimov (1997)

5° lugar: “Sérdtse Pármi” (em tradução livre, “Coração de parma”), de Aleksêi Ivánov (2003)

6° lugar: “Prokliati i ubiti” (em tradução livre, “Malditos e mortos”), de Víktor Astafiev (1995)

7° lugar: “Lojitsia mgla na starie stupeni” (em tradução livre, “Caem as trevas nos velhos degraus”), de Aleksandr Tchudakov (2000)

8° lugar: “Sovremenni paterik” (em tradução livre, “Patericon contemporâneo”), de Maia Kutcherskaia, 2004

9° “Den opritchnika” (em tradução livre, “O dia do oprítchnik”), de Vladímir Sorókin, 2006

10° “Assan”, de Vladímir Makánin (2008)

Para conferir a lista completa dos 103 títulos de ficção pós-soviéticos mais importantes das últimas três décadas, clique aqui (link em russo).

10 joias da literatura que todo russo conhece desde a infância (e onde encontrá-las em português)!

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