7 coisas que o mundo continua a chamar de “russas” (mesmo que não sejam)

Fora da Rússia em si, a palavra “russo” acompanha uma porção de coisas, de saladas a armas e coquetéis. Nem todas elas são, porém, ligadas ao país.

1. Vermelho russo

Vermelho russo é um tom internacionalmente famoso - e amado pelas compatriotas de Pútin.

A palavra russa “krásni” (“vermelho”) já foi sinônimo de “bonito” ou “honorável”. Assim, o nome da Praça Vermelha de Moscou não tinha nada a ver com a cor do Partido Comunista. Originalmente, aliás, a praça se chamou “Torg” (“comércio”, porque era usada frequentemente como local de comércio) e até “Pojár” (“fogo”, porque os estandes de madeiras frequentemente se queimavam).

Nos cosméticos, porém, há um tom popular conhecido em inglês como “vermelho russo” (classificação HEX: DE282E), que é realmente bastante usado na Rússia.

Os russos, porém, o chamam simplesmente de “escarlate”. Em russo, o “escarlate” pode ser usado para descrever os lábios femininos, pores do sol, sangue, rosas e bandeiras revolucionárias – qualquer coisa brilhante que evoque sentimentos fortes.

2. Montanha russa

Pintura de L. Solomatkin.

A “montanha russa” realmente foi inventada na Rússia. Os russos amam andar de trenó desde tempos imemoráveis. O próprio Pedro, o Grande era adorava esse passatempo e lhe conferiu o selo real de aprovação.

Durante seu reinado, foram construídos ao redor de São Petersburgo pavilhões especiais com ladeiras de madeira anexas.  No inverno, eles eram ensopados com água, criando um percurso cheio de emoção para os doidos por adrenalina do século 18.

A residência do tsar em Oranienbaum, próxima a São Petersburgo ainda ostenta uma dessas ladeiras, onde Catarina, a Grande, gostava de escorregar em seu trenó.

Havia montanhas russas de verão também, com carrinhos de madeira. Foi assim que a montanha russa invadiu a Europa no início do século 19, quando a atração “Les Montagnes Russes à Belleville” (“As montanhas russas de Belleville”) abriu em Paris.

A montanha-russa como a conhecemos hoje, porém, foi inventada nos EUA, baseada no conceito russo. Ironicamente, o que chamamos de “montanha russa” na atualidade é chamado de “montanha americana” na Rússia!

3. Roleta russa

Menção ao termo

As regras deste jogo são simples – e mortais! Um revólver é carregado com uma ou algumas balas, com partes do tambor vazias. Gira-se o cilindro de maneira a não se saber onde estão as balas. Os “jogadores”, então, tomam sua vez para apontar a arma contra a própria cabeça e puxar o gatilho.

A origem do nome ainda é desconhecida, mas é interessante notar que na vasta amplitude da literatura russa do século 19, que retrata uma porção de fanáticos militares, a expressão “roleta russa” não é mencionada nenhuma vez.

Um jogo parecido é descrito pelo renomado escritor russo Mikhail Lermontov em “Herói do nosso tempo” (1840). A última história do romance (“O fatalista”) mostra um jogo que envolve uma pistola com uma única bala, a qual os jogadores não fazem ideia de onde está.

Já em “Atirador de Zurbagan” (tradução livre, 1913), de Aleksandr Grin, uma versão do jogo é feita com um revolver com seis balas (aqui, presume-se que os jogadores realmente têm uma tendência suicida).

Todavia, a expressão “roleta russa” foi usada pela primeira vez apenas em 1937 pelo escritor suíço George Surdez. Em um artigo sob este título, ele cita as palavras de um sargento francês que serviu em uma legião estrangeira do exército russo e observou os oficiais russos tirando uma partida do jogo mortal em 1917.

“Cuco” (em russo, “kukuchka”) também é outro jogo militar insano: diversos oficiais com pistolas são trancados em uma sala escura, um deles começa a gritar “cuco”, enquanto os outros tentam atirar nele. O jogo continua até alguém se ferir – ou o pior acontecer. O jogo tinha o intuito de imbuir os soldados do tsar de destemor, muito necessário então, e indiferença quanto à morte.   

Hoje, a roleta russa é jogada de maneira mais segura, com armas que apenas dão um choque no jogador.

4. “Black Russian” e “White Russian”

Coquetéis levam o nome só por serem feitos a base de vodca.

O “Black Russian” é um coquetel clássico criado em 1949 pelo barman belga Gustave Tops. Ele contém cinco partes de vodca para duas partes de licor de café e é servido em copos à moda antiga com gelo.

Já o “White Russian” é uma variação do primeiro, inventado em 1960 nos Estados Unidos com a adição de nata ou leite.

O coquetel é chamado de “russo” simplesmente porque o principal ingrediente é vodca. Café com vodca, por vezes, também é intitulado “café russo” pelo mesmo motivo. Para os russos porém, a combinação é horrorosa: café na terra de Lênin é misturado é com conhaque.

5. Pão russo

Pão feito na Alemanha era originalmente chamado

Na Alemanha, o pão russo (Russischbrot) é uma massa assado na forma de uma letra do alfabeto. Reza a lenda que ele foi inventado pelo padeiro de Dresden Ferdinand Hanke, que estudou em São Petersburgo.

Mas é mais provável que o nome não tenha nenhuma ligação direta com a Rússia. Ele era originalmente chamado de “rösches Brot”, ou seja, “pão frágil”, já que o formato de letra lhe confere uma destruição rápida e certeira.

Aliás, as letras W e M geralmente nem chegam a ser feitas, porque são as de formato mais frágil.

6. Salada russa

Salada russa existe mesmo (e nós damos a receita!).

Na Europa (assim como no Irã, em Israel, na Mongólia e na América Latina), a “salada russa” contém batata cozida cortada em cubos, cenouras, ovos e frango cozido.  Por vezes, ela recebe também pepinos frescos, milho cozido e endro. Ela é misturada com maionese.

Sim, a salada realmente existe na cozinha russa (aprenda a receita aqui!). Conhecida como “Salada Olivier”, ela é bem tradicional nas mesas festivas (especialmente no Ano Novo) e carrega o nome de seu criador, o chef Lucien Olivier, que viveu na Rússia no século 19.

Ele era dono do restaurante Hermitage, em Moscou, um dos mais chiques da Rússia, e a receita manteve-se secreta até sua morte. A receita original de Olivier continha uma diferença importante: para valer o nome, a salada tinha que ser feita com carne de ave tetraz castanha e servida com mariscos ou camarões.

De qualquer maneira, a salada tem mais de 150 anos e se mantém como um dos pratos mais famosos da cozinha russa pelo mundo todo.

7.“Jeitinho russo”

Achou que só existisse o brasileiro? Então dê uma zapeada na internet. O YouTube está cheio de vídeos intitulados “Russian way”. O “jeito russo” de... tudo! Desde descascar um ovo cozido a remendar uma estrada, tirar um dente, limpar uma chaminé, abrir uma lata etc.

Nem sempre ele funciona, mas é certamente hilário. Não precisamos dizer que você não deve testá-los em casa – é melhor vir à Rússia e testar aqui mesmo!

Gostou desta matéria? Então leia mais sobre o tema em "Quantas Moscous existem por aí?"

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