9 regras para vencer uma pancadaria à la russa

Reconstituição histórica de uma pancadaria russa em Izmailovo, em Moscou.

Reconstituição histórica de uma pancadaria russa em Izmailovo, em Moscou.

Legion Media
Estilo de combate corporal que marcou feriados russos em geral existe desde tempos antigos e personifica as virtudes marciais fundamentais dos homens russos: coragem, bravura e camaradagem.

Não há entretenimento como este! Imagine um corredor entre dois grupos de homens corpulentos semi-nus que encurralam uns os outros como forma de entretenimento.

Este estilo de combate, chamado de “pancadaria russa”, existe desde tempos antigos e personifica as virtudes marciais fundamentais dos homens russos: coragem, bravura e camaradagem.

1. Espere o feriado

Na Rússia, as pancadarias tradicionais acontecem durante grandes feriados, mas especialmente próximo ao Ano Novo e antes do início da temporada de agricultura, quando a velha vida simbolicamente abre alas à nova.

Historiadores afirmam que os na visão de mundo pagã, as lutas em tais ocasiões simbolizavam o conflito entre o novo e o velho. Esse tipo de lutas ocorria sempre em grupos, e as lutas individuais eram apenas um aquecimento para a grande rixa.

2. Saiba seus direitos

A Igreja Ortodoxa Russa sempre foi contra o pugilismo massivo russo devido a suas origens pagãs. O Estado condenava oficialmente essas lutas, mas faziam-se ouvidos moucos para isso, porque a atividade constituía um importante treinamento para a população masculina para o combate militar.

Nos anos 1740, a Igreja apelou ao Senado para que se proibisse o pancadaria massiva russa, mas os senadores se recusaram com firmeza, por ser esta uma tradição masculina e saudável. Um proibição, segundo eles, apenas geraria revolta.

A polícia apenas se postava próxima à pancadaria, já que era simplesmente impossível parar e deter 500 homens lutando.

3. Monte seu time

Esse tipo de luta acontecia em espaços abertos no inverno, como, por exemplo, algum lago congelado, e, durante os meses mais quentes, em algum prado.

As rixas massivas mais espetaculares também eram chamadas “parede contra parede”, e eram compostas de dois enormes grupos: o lado esquerdo da vila contra o lado esquerdo da vila, ou uma vila contra a outra.

Nas cidades, as lutas entre associações artesãs eram comuns: açougueiros contra sapateiros ou uma fábrica contra a outra.

Na Rússia do século 19, se você era profissional nesse tipo de combate podia conseguir um bom trabalho simplesmente porque mercadores ricos e donos de fábricas preferiam empregar aqueles que eram bons de briga.

Derrotar uma fábrica rival, afinal, era questão de honra.

4. Táticas

Toda “parede” tem seu líder, que na véspera da luta reunia seus garotos para passar a tática do combate. Junto a lutadores mais experientes, o líder trabalhava o tempo da luta e as estratégias - por exemplo, quando uma ala iria encurralar a “parede” oposta, e quando os maiores e mais fortes lutadores, a “esperança” da equipe, entrariam na rixa (eles eram mantidos na reserva até algum momento difícil),

Durante a luta, os líderes incentivavam suas equipes e implementavam a tática, ao mesmo tempo em que lutavam.

5. Comer, beber e vestir a roupa de luta

A pancadaria não requer treinamento especial, e só se ganha experiência em ação.

Antes do dia da luta, os homens iam à sauna, dormiam bastante e comiam bem. Nunca houve o hábito de lutar bêbado – todos entendiam que a luta era séria e podia ser mortal.

Para evitar isso, os lutadores colocavam luvas e chapéus para amortecer os golpes do oponente.

Os espectadores também se preparavam para a pancadaria, e vilas inteiras se reuniam para assistir à luta, com mascates ambulantes cerveja e uma bebida alcoólica de mel.

Enquanto isso, nobres e mercadores ricos vinham de cidades e vilas próximas para assistir e fazer apostas.

Alguns dos nobres chegavam até mesmo a entrar na briga. O conde Fiódor Rostoptchin, governador de Moscou, treinava boxe inglês e adorava lutar.

O príncipe Grigóri Orlóv, amante de Catarina, a Grande, também era um grande brigão.

6. Entrada em grande estilo

Episódio de uma pancadaria em ilustração do século 19.

A luta começava com muita fanfarra, com os combatentes se dirigindo pela rua principal ao local de combate. Lá, eles se dividiam e começavam a se insultar com palavrões e piadas cáusticas.

Por vezes, tocava-se uma gaita para levantar a moral. Meninos jovens de ambos os lados começavam a luta, e então adolescentes entravam. O show de verdade começava quando homens adultos e casados começavam a balançar os punhos (os meninos formavam uma luta separada próxima a eles).

7. Luta limpa

A pancadaria russa não era sobre fúria ou vencer a qualquer preço. Se ela terminasse em morte, então não era tão popular. Para evitar a tragédia, havia regras:

1) Não atacar os que estiverem no chão ou sangrando muito;

2) Não atacar espectadores ou transeuntes;

3) Não atacar ninguém pelas costas ou de flanco;

4) Não colocar objetos pesados dentro das luvas. Violar esta regra podia render uma surra pelos membros do seu próprio time e proibição de lutar, o que rendia um estigma terrível; participar das pancadarias era crucial para a honra de um aldeão;

5) Sua única arma são seus punhos (não chutar ou usar qualquer objeto durante a luta);

6) Não desertar para o lado oposto durante a luta – às vezes, a luta era encerrada em uma noite e continuava no dia seguinte, e nesse ínterim a pessoa tinha que continuar do mesmo lado.

8. Intervalos

Alguns feriados são bem longos, então os lutadores podiam fazer um intervalo e continuar no dia seguinte. Normalmente, a luta começava à tarde e continuava com um ou dois intervalos até anoitecer, para continuar no dia seguinte.

Durante os intervalos, os oponentes se reuniam para descansar, discutir a luta e rir. Era crucial mostrar que a luta era um passatempo masculino, não um conflito sério e maligno.

9. Derrotando o oponente e gozando da glória

Pancadaria tradicional durante as celebrações do Chrovetide, ou seja, o período pré-Quaresma, em Súzdal, na Rússia.

Após diversos intervalos, ficava claro que um lado era mais forte que o outro, e esse era o momento de caçar os oponentes do campo e trazê-los aos arredores da aldeia. 

Neste ponto, a vitória teria sido atingida e todos os participantes dos lados se reuniam para comer e beber. A equipe vencedora tinha toda a glória, a admiração das garotas e o respeito dos mais velhos – até a próxima pancadaria, claro!

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