Por que diamantes russos marcam o quilômetro zero em Cuba?

Capitólio Nacional de Havana

Capitólio Nacional de Havana

Sergio Pitamitz/Danita Delimont/Global Look Press
Há uma semana, um novo diamante russo procedente de Smolensk chegou a Cuba para ser instalado no Capitólio de Havana.

O diamante fabricado por ordem do Instituto Bering-Bellingshausen para as Américas (IBAA), com sede em Montevidéu, foi denominado “El Fiel” (O Fiel, em português) como símbolo dos laços históricos que unem Cuba e a Rússia.

O novo diamante será colocado “na cavidade na estrela que marca o quilômetro zero da República de Cuba, no Salão dos Passos Perdidos do Capitólio nacional”, disse à agência Sputnik o presidente do IBBA, Serguêi Brilev.

Por que o novo diamante?

O Capitólio cubano já possuía um diamante russo de 25 quilates cuja aparição (e desaparecimento) na ilha está cercada de lendas e mistérios. A joia pertencia ao último tsar russo, Nicolau 2º, e, depois do assassinato da família real russa, em 1918, foi parar nas mãos do joalheiro turco Issac Estefano (embora não se saiba como ou quando).

De acordo com uma das lendas, o joalheiro levou a pedra preciosa para Cuba, onde abriu uma joalharia e vendeu para as autoridades locais. Ao diamante de Nicolau 2º foram atribuídos todos os tipos de poderes mágicos e propriedades curativas, mas no Capitólio a joia tinha uso prático: foi instalado no Salão dos Passos Perdidos, abaixo e no centro da cúpula, marcando o quilômetro zero das estradas cubanas.

Embora o diamante estivesse aparentemente protegido por um cristal sólido considerado ‘inquebrável’, a pedra foi roubada do Capitólio em março de 1946. Segundo boatos, o roubo foi realizado pelo tenente da polícia especial do Ministério da Educação, Abelardo Fernández González, ainda que o fato jamais tenha sido confirmado.

O diamante reapareceu um ano depois de forma não menos misteriosa: algumas fontes afirmam que foi encontrado sobre a mesa do presidente Ramón Grau San Martín. Para evitar futuros problemas, foi decidido, em 1973, substituir o diamante de Nicolau 2º por uma cópia. Desde então, a joia original é mantida no Banco Central de Cuba.

Brilev garante que o novo diamante russo “El Fiel”, bem mais modesto que o antecessor, continuará marcando simbolicamente o quilômetro zero das estradas cubanas.

Especialistas russos também estão participando da restauração do Capitólio, que abrirá suas portas ao Parlamento cubano no próximo ano. Moscou foi responsável por recuperar o revestimento de ouro da cúpula mais importante da ilha.

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