PIB russo despencará em 2020

Komsomolskaya Pravda/Global Look Press
Como na maior parte do mundo, economia do país será afetada gravemente pela pandemia do coronavírus. As perdas, porém, dependerão também dos preços do petróleo e das medidas de apoio estatais.

Devido à pandemia do coronavírus e, por conseguinte, às rigorosas medidas restritivas impostas, o Produto Interno Bruto da Rússia poderá cair entre 1,18% e 5,6% em 2020, segundo estudo do Centro de Pesquisas Estratégicas da Rússia.

Segundo o estudo, o volume da queda dependerá principalmente das medidas de apoio governamental.

"Ao tratar dos efeitos e das consequências, é muito importante compreender as características da crise de 2020. Os principais fatores são o choque da procura do setor real da economia e a queda drástica da procura externa. Assim, as medidas de apoio governamental que estimulam o consumo final são hoje mais importantes do que nunca. Elas podem impactar significativamente a economia e ajustar a taxa de crescimento do PIB", disse um analista do CSR à agência de notícias russa Tass.

Segundo os cálculos do centro de pesquisas, as atuais expectativas econômicas são de, em 2020, o PIB pode cair 5,6% sem medidas financeiras de apoio estatal; 4,58% com medidas de apoio estatal no valor de 300 bilhões de rublos (R$ 207 milhões); ou 1,18% com medidas de apoio estatal no valor de 1,4 trilhões de rublos (R$ 960 milhões).

De acordo com os economistas, a maioria das empresas russas espera queda de cerca de 19% na procura de bens e serviços. Essa levará a uma queda de 22% das receitas e de 20% dos lucros. Essa dinâmica negativa dos indicadores financeiros e econômicos obriga os empresários a otimizar os custos, reduzir o número de funcionários em cerca de 13% e os salários em cerca de 14%, afirmam os economistas russos.

Além disso, segundo o centro, a crise de preços de petróleo atual difere muito das crises de 2009 e 2015: em 2009, o preço do petróleo caiu 55% enquanto o preço do dólar subiu 45%; em 2015, o preço do petróleo caiu 50% e o dólar subiu 64%; mas em 2020, no final de março, a queda do preço do petróleo foi de 77%, enquanto o dólar subiu apenas 20%, o que não permite compensar sequer parcialmente as receitas de exportação em rublos.

Apoio estatal

Ainda de acordo com o estudo, os empresários russos esperam medidas de apoio fiscais e não fiscais. Entre as medidas não fiscais, estão os subsídios para o pagamento de salários por seis meses, férias semestrais para pagamento de juros, subsídios dos custos de aluguel e assistência financeira para empresas afetadas economicamente pelo coronavírus.

Entre as medidas fiscais, figura, em primeiro lugar, a de anulação do IVA para os próximos seis meses.

"Cerca de 28% das empresas russas correm risco de ir à falência. Os maiores riscos são observados entre as empresas comerciais e de serviços, no setor dos transportes e no setor imobiliário e da construção", disse o analista do centro de pesquisas à Tass. Segundo ele, as medidas de apoio estatal devem ser concentradas nesses setores.

Inflação

Segundo os economistas, a diminuição da procura pode travar a aceleração dos preços, mas, por outro lado, a inevitável desvalorização do rublo levará a um aumento dos preços ao consumidor.

"Hoje, as empresas esperam uma inflação de 11%, mas essa expectativa diminuirá devido à queda da procura por bens e serviços e à diminuição dos rendimentos reais da população", completou o analista.

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