Rússia ameaça proibir importação de carne brasileira

Economia
DMÍTRI GOLUB
Embora o Brasil continue a ser o maior fornecedor de carnes suína e bovina à Rússia, repetida detecção de substâncias proibidas podem levar à total proibição de importações.

O Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) está a prestes a proibir a importação de carne suína e bovina do Brasil, de acordo com a porta-voz da agência, Iúlia Melano.

A decisão final será tomada até o final desta semana e sua análise acontece devido à repetida detecção do hormônio ractopamina na carne brasileira, que é proibido na Rússia.

Assim, de acordo com a porta-voz, poderá haver uma proibição total de todos os derivados de carne bovina e suínas brasileiros.

A ractopamina é uma substância usada como suplemento alimentar para acelerar o crescimento de animais, sobretudo da massa muscular, e reduzir os custos de produção.

Embora estudos científicos não provem que ela seja maléfica ao organismo humano, além de não ter sido detectado nenhum caso de intoxicação humana por tal substância, o hormônio é proibido na Rússia.

Balança de exportações

As exportações brasileiras de carne suína e bovina para a Rússia estão crescendo visivelmente.

Entre janeiro e setembro de 2017, o Brasil foi responsável por uma fatia de mais de 90% do total de importações russas de carne suína, segundo o diretor da Associação Nacional de Carnes da Rússia, Serguêi Iúchin.

O volume ultrapassa o de 2016, ano em que 81,1% da carne suína importada na Rússia tinha origem brasileira, segundo o portal RBC.

O aumento se deve ao crescimento geral das importações de carne pela Rússia, segundo Serviço Federal de Alfândega.

Entre janeiro e setembro de 2017, as importações do produto aumentaram 23,9%, em comparação com o mesmo período do ano anterior, e atingiram 553 mil toneladas.

Mas a produção interna de carne também aumentou, com uma alta de 7,8%, atingindo  1,7 milhão de toneladas, segundo o Rosstat (Serviço Federal de Estatísticas da Rússia).

Para Iúchin, uma saída dos produtores brasileiros do mercado russo não teria impacto significativo sobre os preços locais, já que, nos últimos dois meses, os preços da carne suína na Rússia caíram entre 15% e 18%, chegando a valores entre US$ 2,2 US$ 2,5 por kg. O movimento deve-se ao crescimento da produção local, segundo ele.

Representantes do Rosselkhoznadzor também afirmaram que uma possível proibição sobre os produtores brasileiro não afetaria o mercado e o preços locais.