3 bens (que não dá para acreditar) que a Rússia importa

Valeriy Melnikov
Todos sabem que país é um dos maiores exportadores de petróleo e gás do mundo. Mas poucos têm noção de que Moscou também importa itens produzidos internamente e em larga escala.

A Rússia suspendeu, desde a última quarta-feira (1º), a proibição de importação de tomates da Turquia, imposta após o abate de um caça russo em 2015.

De acordo com as autoridades russas, a expectativa é receber 50 mil toneladas do produto, com novas importações. Em troca, Moscou espera que Ancara afrouxe as restrições às exportações russas de produtos agrícolas e de carne.

A Rússia, porém, também cultiva tomates – em outubro de 2017, a produção interna foi de cerca de 190 mil toneladas. E, embora o governo pretenda ampliar ainda mais esse número, o retorno das importações turcas não deve afetar os produtores russos. 

Trigo e outros grãos

Nos últimos anos, a produção agrícola russa quebrou todos os recordes. O país é atualmente o principal exportador de trigo e centeio e está entre os principais fornecedores de cevada e aveia. Mesmo assim, segundo Serviço Federal de Alfândega, o país gastou US$ 343,9 milhões com a importação de grãos em 2016.

“Nós compramos trigo de alta qualidade para a indústria de moagem e para a produção de marcas mais caras de macarrão. Devido ao clima, não cresce na Rússia”, explicou ao Russia Beyond Ivan Rubanov, diretor do grupo de análise da Comissão de Agricultura do governo. “Além disso, importamos grãos do norte do Cazaquistão, que produz muito, mas tem obstáculos logísticos para exportação. O produto vai para a Sibéria ocidental antes de ser distribuído para outras partes da Rússia ou no exterior.” 

Gás e petróleo

Outros itens improváveis na lista de importações são commodities e produtos energéticos. No ano passado, por exemplo, a Rússia importou produtos de petróleo em um valor superior a US$ 750 milhões, e US $ 122,4 milhões de gás natural. Mas por que um dos maiores exportadores de energia importaria petróleo bruto?

“Em sua grande maioria, o petróleo e os produtos petrolíferos vieram de países da CEI (Comunidade de Estados Independentes), como Cazaquistão e Bielorrússia, além das importações da Finlândia, que é parceira de longo prazo da Rússia”, diz Ivan Kapitonov, vice-diretor da Faculdade de Regulação Governamental da Economia.

Esses acordos são motivados, segundo o especialista, por preço e vantagens logísticas. “Se é mais barato comprar gasolina na Bielorrússia, então é lucrativo comprá-lo lá, o mesmo se aplica ao petróleo. Essas importações não só ajudam a fortalecer as relações com os vizinhos, mas são economicamente racionais”, explica o economista. 

Maquinário

Carros, equipamentos e máquinas formam outro grupo de produtos que a Rússia é conhecida por exportar. Mas fato é que, em 2016, esses bens representaram a maior parcela (quase 50%) das importações do país. Segundo o especialista, a maioria das máquinas importadas é fornecida por produtores europeus e não são se trata apenas de novos carros, iates e eletrodomésticos. “Quando empresas internacionais tomam a iniciativa de localizar a produção na Rússia, elas precisam trazer tecnologia consigo.”

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