5 estrangeiros que se tornaram estrelas do balé na Rússia (incluindo a brasileira Amanda Gomes)

Olga Kereluk
Não é incomum ver jovens bailarinos de outros países indo à Rússia para estudar nas escolas de balé mais prestigiadas do mundo. Alguns, porém, ganham tanto que se  tornam estrelas das companhias de teatro russas - e não apenas em Moscou e São Petersburgo.

1. May Nagahisa, Japão

May Nagahisa foi recentemente promovida a primeira solista no Teatro Mariinski, em São Petersburgo. Na hierarquia do balé, ela está a apenas um passo do topo - o título de principal. Para uma dançarina em um dos mais importantes teatros do mundo, esta é uma ascensão meteórica. Nagahisa estreou no Mariinski aos 15 anos, o que é extremamente raro e essencialmente sem precedentes para um estrangeiro. Na época, May era estudante na famosa Academia de Dança Princesa Grace em Mônaco, em uma uma vaga graças à  sua performance na competição Grande Prêmio da Juventude da América. Foi quase como se o destino a estivesse levando para o famoso Balé Monte Carlo, de Jean-Christophe Maillot, mas Maillot reconheceu que o potencial de Nagahisa no balé clássico era muito maior e mais amplo do que o necessário para suas produções.

Aos 17 anos, Nagahisa se mudou para São Petersburgo, apesar de ter todos os olhos sobre si nas cenas de balé na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. May começou em pequenos solos, e seu Amour em Don Quixote e Butterfly em Le Carnaval foram reverenciados com o entusiasmo normalmente reservado para os papéis principais. E não se deixe enganar pela aparência delicada de Nagahisa, que esconde uma técnica sólida e refinada que lhe permite transformar-se em uma variedade de papéis, incluindo a jubilosa Masha de O Quebra-Nozes quando está no limiar da idade adulta, a trágica Giselle morrendo por causa da traição de seu amante, e a Princesa Shirin, a heroína em A Lenda do Amor.

2. Bulgan Rentsendorj, Mongólia

Uma nova geração de bailarinos saiu direto de seus exames finais na escola de balé para protagonizar peças em balés de três atos. Bulgan Rentsendorj estava totalmente preparada para isso. Ela já havia triunfado no Arabesque, uma das mais desafiadoras competições internacionais de balé. Competindo contra solistas experientes, Bulgan, que ainda estava na escola de balé na época, conquistou o segundo lugar. O Arabesque é realizado em Perm, cidade russa que desde os anos 1960 treina bailarinos para os teatros mongóis. Rentsendorj havia passado oito anos ali e se preparava para voltar para casa depois dos estudos quando lhe ofereceram uma vaga no teatro de Perm, que estava passando por uma mudança de geração na época. Ela encarnou Odette-Odile em O Lago dos Cisnes em seu primeiro mês no teatro, e sua performance foi um sucesso tão grande que outros papéis vieram logo em seguida. Em sua primeira temporada, Bulgan dominou metade do repertório e entrou em sua segunda temporada no teatro como primeira bailarina. Na noite de estreia de La Bayadere, dançou ao lado de Maria Aleksandrova, uma das bailarinas mais virtuosas e carismáticas do Teatro Bolshoi. Embora a temporada tenha sido interrompida por causa da pandemia do coronavírus, não foi um ano totalmente perdido para Rentsendorj, já que o Teatro de Perm transmitiu suas principais produções clássicas pela internet com sua participação.

3. Tomoha Terada, Japão

Terada é um dançarino japonês que chegou aos Urais há sete anos. A única coisa que ele sabia sobre Iekaterimburgo na época era que ali havia uma companhia de balé sediada em um prédio histórico e com repertório de primeira classe. Formado pela Academia de Balé de Kirov, conhecida por levar as tradições do balé russo para os Estados Unidos, Terada nunca teria imaginado que encontraria na capital dos Urais uma vida mais confortável do que em Washington ou em sua cidade natal, Osaka. Estabelecer-se em uma grande companhia de teatro de longa tradição não foi fácil, porém, com o tempo, Tomoha, que tem baixa estatura e é bastante ágil, construiu uma reputação na companhia. Esse status foi solidificado ao ganhar uma medalha de ouro na prestigiosa competição internacional de balé Arabesque, em Perm. O dançarino leve foi recebido com uma resposta extática do público ao demonstrar tanta desenvoltura na versão de Ostap do balé soviético Taras Bulba.

4. Amanda Gomes, Brasil 

A brasileira Amanda Gomes, que se apresenta na Ópera e Ballet de Kazan, nasceu a milhares de quilômetros de qualquer salão de balé. Mas, quando começou a crescer, a Escola do Teatro Bolshoi abriu uma filial no Brasil, e ali Amanda passou a estudar o currículo das escolas de balé russas sob a orientação de Galina Kravtchenko, ex-solista do Bolshoi. Kravtchenko a colocou em contato com a administração do Teatro Acadêmico Estatal Tártaro de Ópera e Balé, em Kazan, onde escalou todas as posições na hierarquia do teatro com sua marca registrada de estilo de dança vigoroso. Na sequência, ganhou medalha de ouro em uma famosa competição internacional no Teatro Bolshoi em Moscou, confirmando seu status como primeira bailarina. Há alguns anos, Gomes ganhou fama nacional na Rússia ao participar de um popular programa de talentos na TV, o Big Ballet, no qual empolgou o público com atuações como a princesa Aurora, a heroica Laurencia e a heroína de um conto de fadas tártaro.

5. Marcello Pelizzoni, Itália

Este dançarino italiano da Sibéria Oriental se tornou um nome conhecido entre os amantes do balé por sua participação no Big Ballet no ano passado. Seu dueto com Anna Fedosova foi um dos favoritos do público, que se encantou com a imagem do príncipe alto e bonito ao lado de sua delicada companheira. Marcello, que nasceu em Parma, chegou à Sibéria depois de estudar por quatro anos na Academia de Coreografia de Moscou. Decidiu ingressar na Teatro Estatal de Ópera e Ballet de Krasnoiarsk e alcançou o que todos os formandos sonham: apresentações frequentes, tutores pessoais e turnês internacionais todos os anos. Graças à sua formação em Moscou, não teve de passar anos no corpo de balé, e, em sua terceira temporada no teatro, Marcello já colecionava todos os  todas os papéis dos sonhos em seu repertório: Albrecht em Giselle, os príncipes de todos os balés de Tchaikóvski (Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida e O Quebra-nozes), Romeu e o Príncipe da Cinderela. Entre seus planos futuros estão uma produção completamente nova de Catarina ou La Fille du Bandit, um sucesso esquecido da era romântica.

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