3 livros imperdíveis de Maksim Górki, o mais idolatrado escritor soviético

Escritor soviético Maksim Górki a bordo do navio a motor Jean Jaures, na União Soviética.

TASS
Autor é considerado o primeiro representante do realismo socialista com sua obra "A Mãe", de 1906, e se tornou um marco da literatura soviética.

1. ‘A mãe’

Este texto imperfeito mas empolgante evoca conscientemente um mundo pré-soviético de pobreza dickensiana, de viúvas amorosas e de operários sobrecarregados e puros que fomentam a revolução.

Górki escreveu parte do romance nos Estados Unidos, e ele foi publicado pela primeira vez em inglês, em uma revista literária de Nova York, em 1907.

Os acontecimentos de “A mãe” são reais e aconteceram próximo de Níjni Nôvgorod, onde Górki nasceu. O exército rompeu um protesto do dia 1° de maio de 1902 e os líderes do desfile foram presos.

O mecânico revolucionário Piotr Zalomov, que marchava com um estandarte e fez um discurso apaixonado em seu julgamento, inspirou Górki na criação de Pável Vlasov e a mãe dele se tornou a heroína do romance.

Lênin classificou o livro como "muito oportuno", mas seu tradutor para o inglês, Hugh Aplin, diz que a obra “não é tanto sobre política", mas também sobre o auto-sacrifício cristão da própria mãe.

Apesar de o romance ter se tornado um ícone do realismo socialista literário, ele é repleto de cenas romantizadas: o colar de folhetos em cercas, a leitura de livros históricos de peso sobre escravidão e o tramar fervoroso em torno do samovar.

Há evocações poderosas da vida das fábricas, desde os olhos do próprio edifício até a crueldade e o cinismo de seus proprietários.

Os julgamentos e campanhas políticas dos trabalhadores são mediados pela visão introspectiva da mãe. Sua transformação emocional, da confusão assustada a uma certeza brilhante, é tema central.

Pável diz a ela logo no início: “Aqueles que nos dão ordens exploram nosso medo”. No final, enquanto ouve, paralisada, o discurso do filho no tribunal, ela sente os olhos gananciosos dos juízes “sujando o corpo dele, flexível e forte”, mas sua crença inspira a própria revelação final dela.

2. ‘Os filhos do sol’

A que tudo indica, não existe ainda uma publicação de

Gorky publicou esta peça surpreendentemente moderna sobre ciência e sociedade na turbulência revolucionária de 1905, um ano antes de “A mãe”. Ele escreveu “Filhos do sol” enquanto estava na prisão por protestar contra o tsar.

A obra enfatiza a justiça social, a desigualdade e a corrupção. Górki pressiona por mudanças antes que os desejos sejam colonizados pela ideologia.

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O potencial do cientista obsessivo de Górki, Pável Protasov, chega a ser cômico, com previsões que incluem “roupas íntimas de fibras de pinho” – sobre o que o artista Vageen comenta: “Este seu futuro parece baita desconfortável”.

Protasov profetiza que “a química destrancará a câmara secreta e, dentro de cem anos, seremos capazes de criar vida em um tubo de ensaio e derrotar a morte com uma pipeta".

3. Infância

Saindo dramaticamente de moda, as obras de Górki foram, compreensivelmente, deixadas de lado, enquanto livros que foram suprimidos durante a era soviética foram redescobertos e celebrados.

Parece irônico agora, quando sua figura sai dos holofotes, ler que a reputação de Górki era "inatacável". Mas este livro intenso de memórias prova que ele ainda merece ser lido. Ele o escreveu em 1913, quando voltou para a Rússia depois de anos de exílio na ilha de Capri.

“Infância” começa com o funeral do pai do escritor: “Os discos negros de moedas de cobre selaram firmemente seus olhos outrora brilhantes”. Com a simplicidade que lhe é característica, Gorki capta a perspectiva de uma criança, que tenta se esconder atrás da avó (a heroína alcoólatra e excessivamente gorda da narrativa) e se preocupa com os sapos que são enterrados vivos com o pai.

Alguns detalhes – pássaros pisco-chilreio na neve ou o sonoro som do violão à luz de velas – jogam luz nos momentos de felicidade desta problemática colcha de retalhos da vida russa: a varíola, as tempestades de neve, o beber vodca de um bule são os detalhes de “pesadelo” que dão vida ao medo e à incompreensão do garoto.

Seu avô, que antes transportava barcaças no Volga, surra-o até que ele esteja inconsciente. Para quem vive em monótona pobreza e miséria, Górki conjetura depois: "o sofrimento vem como uma diversão e... tristeza ... como um feriado".

O início de sua vida, cheio de violência, costuma ser doloroso de lembrar, mas “a verdade é mais nobre que autopiedade”. Apesar de seus momentos sombrios, a autobiografia de Górki tem uma qualidade redentora, refletindo seu otimismo político.

"A vida está sempre nos surpreendendo", escreve ele. “Os poderes humanos criativos do bem despertam nossa esperança indestrutível de que uma vida mais brilhante, melhor e mais humana voltará a nascer”.

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