‘Brasil, Brasil, eu também quero ir ao Brasil’ e outras joias da música popular... russa!

Armando Arorizo/ZUMA Press/Global Look Press
Algumas delas são dedicadas ao futebol argentino, outras às arrebatadoras paixões mexicanas. Há também músicas que glorificam Che Guevara e a luta cubana pela liberdade. Do Brasil, são os animais, feras e litorais que chamaram a atenção dos russos. O Russia Beyond compilou uma lista de vídeos de canções dedicadas à América Latina que você não pode perder!

Brasil e... tartarugas?

A animação soviética de bonecos “Porco-espinho com tartaruga”, de 1981, baseada no conto de Rudyard Kipling “Como apareceram as carapaças”, tem como música de abertura a canção soviética “Na daliokoi Amazonke” (do russo, “Na longínqua Amazônia”).

A letra é baseada na versão russa do poema do escritor britânico “I've never sailed the Amazon...” (“Nunca naveguei o Amazonas”), e foi musicada por Serguêi Nikitin no estilo “bardo” soviético dos anos 1960.

Na longínqua Amazônia
Jamais estive
(...)
Brasil, Brasil
Eu também quero ir ao Brasil
Nos distantes litorais
Só Dom e Madalena
Andam pelos mares ali
Nunca você encontrará
Nas nossas florestas do norte
Onças de rabo comprido
E tartarugas encouraçadas
Mas no ensolarado Brasil
Brasil meu
Tal abundância
De feras nunca vistas
Dos portos de Liverpool
Sempre às quartas-feiras
Vê aqui nadar
No longínquo litoral
Vão elas para o Brasil
Brasil, Brasil
Quero ir ao Brasil

Paixões revolucionárias: Che e Fidel

Para os russos, a figura de Che Guevara sempre teve e continua tendo um significado especial. Os russos são atraídos por seu espírito revolucionário, pela luta incansável e por sua força de vontade, assim como por seu forte caráter.

Assim, não é de se surpreender que eles tenham criado diversas versões em russo da conhecida música “Comandante Che Guevara”.

Mas, além de traduzir e interpretar a famosa canção cubana, os russos também criaram suas próprias obras para render homenagem a seu ídolo revolucionário.

Em julho de 1978, o renomado cantor russo Iôssif Kobzón apresentou no Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, em Havana, a música En recuerdo a Che Guevara”, que ganhou o primeiro prêmio da competição. A emotiva canção foi composta por músicos soviéticos usando como mote a desmontagem de um monumento a Che em Santiago do Chile.

A letra diz:

Torturam Che Guevara novamente,

Por que incomodar o metal?

O trecho central da canção é narrado em primeira pessoa:

Sou Ernesto, sou filho da glória,

Ressurgi da não existência,

E do Estado Vermelho

Não desistirei nunca!

“A balada de Che Guevara” foi composta pelo popular grupo soviético “Pesniarí” em 1977 e fez um sucesso enorme na URSS.

A canção transforma em um “Deus pecador” a figura do revolucionário, que “viveu como a pólvora comprimida” e de quem os inimigos não esqueceram por muito tempo.

Não fazem falta as orquestras

Que os dedos despertem o violão,

Cantemos sobre Ernesto,

Sobre ti, Che Guevara.

No Natal de 1962, no programa dedicado à celebração do Ano Novo, o cantor soviético Iôssif Kobzón, vestido no estilo militar de Fidel Castro e com uma barba postiça apresentou a canção “Cuba, meu amor”, que virou um verdadeiro hit soviético.

O título da canção, “Cuba, meu amor”, transformou-se em frase feita.

Paixões do futebol: Argentina x Jamaica, 5:0

A canção do grupo russo “Tchaif” é de 1998 e dedicada à derrota da seleção jamaicana na Copa em Paris naquele mesmo ano.

O solista do grupo, Vladímir Chahrín, estava na capital francesa naquele momento. Passeando ao lado da Torre Eiffel, ele viu os torcedores jamaicanos cantando músicas tristes, enquanto um grupo de argentinos a seu lado gritavam e dançavam de alegria.

Era 21 de junho de 1998. Ao retornar à Rússia, o músico do “Tchaif” compôs a canção “Argentina-Jamaica 5:0”, que virou um sucesso e manteve a popularidade por muitos anos.

A canção foi composta em estilo reggae e lastima a derrota jamaicana com uma melodia fácil de se lembrar:

Que dor! Que dor!

Argentina-Jamaica 5:0.

Que dor! Que dor!

Argentina-Jamaica 5:0.

Paixões mexicanas: “Acapulco, ay, ay, ay”

Muitos russos, ao escutar esta extravagante e sensual canção gravada nos anos 1990, perguntavam-se: O que é isto? Onde fica Acapulco?

Para os que não entenderam de primeira, a encenação do cantor da Letônia Laima Váikule explica tudo sem mal-entendidos.

O sedutor calor do México, um “macho” latino, um cacto, uma mulher vestila ao estilo de Frida Kahlo, além de muita paixão, um coração partido e um assassinato.

Beijava-me nos lábios por todos os que haviam me amado,

Mas desta vez dancei a rumba com outro.

Quando me viu, sua cara mudou,

Luis, o homem de quem você tem ciúmes é seu amigo José.

Acapulco, ay, ay, ay
Acapulco, ay, ay, ay
Acapulco, ay, ay, ay, ay, ay, ay-ay, ay, ay, ay

Esta canção pouco sofisticada mas muito divertida causou furor entre os russos, que seguiam a música popular.

Com certeza, após o surgimento desta obra o fluxo turístico entre Rússia e México passou a crescer a um ritmo estonteante.

Os russos sempre sentem falta do sol, da paixão e do amor, então os criadores da música foram direto ao ponto com sua letra.

Curtiu? Então veja como ‘Despacito’ ganhou versões em russo e até com balalaika!

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