10 coisas que você não sabia sobre a PRIMEIRA estação orbital do mundo

Russia Beyond (Foto: A. Scherbakov/Sputnik; SCIEPRO/Getty Images)
Cinquenta anos atrás, a União Soviética colocou em órbita a primeira estação espacial da história para habitação humana de longo prazo, a ‘Salyut-1’.

1. Desenvolvida com base em outra estação projetada para disparar contra a Terra a partir do espaço

Estação Almaz

Inicialmente, a estação russo-soviética militar chamada ‘Almaz’ deveria se tornar a primeira a orbitar a Terra. 

O programa Almaz era a resposta soviética ao Laboratório Orbital Tripulado (MOL, na sigla em inglês), a estação orbital da Nasa que tinha como objetivo principal espionagem. A estação norte-americana possuía equipamentos para fotografia, reconhecimento eletrônico, entre outros dispositivos.

A ‘Almaz’ da União Soviética ia ainda mais longe e, além de sua enorme câmera telescópica Agat-1 de 2,5 metros (na época, o dispositivo mais poderoso do mundo para fotografar a Terra), a estação contava com arsenal bélico. De acordo com o projeto, o canhão de aviação instalado na estação seria capaz de realizar disparos contra satélites estrangeiros e até mesmo contra a Terra a partir do espaço. 

O programa MOL foi abortado em 1969, e o Almaz, ainda semiacabado, enfrentava diversos problemas técnicos não resolvidos. A solução mais viável foi construir outra estação com base na Almaz, mas puramente para fins científicos, e criar a primeira estação tripulada no espaço.

2. Foi a primeira estação tripulada permanente

A estação foi construída especialmente para uma tripulação humana viver em órbita. Era composta por apenas um módulo com três compartimentos: um técnico, equipado com motores e painéis solares; outro compartimento era residencial (também usado para trabalho), que poderia acomodar três cosmonautas — onde era possível comer, dormir e fazer experimentos; e o terceiro, o menor, era o compartimento de transferência para atracar com a espaçonave. Toda a estrutura pesava quase 18,5 toneladas.

3. A primeira missão acabou presa no espaço

Em 23 de abril de 1971, uma tripulação de três cosmonautas voou até a estação, colocada em órbita quatro dias antes. A atracação foi bem-sucedida, mas mostrou-se impossível formar uma passagem hermética entre a espaçonave e a Salyut’. Além disso, a sonda de acoplamento da espaçonave havia se encaixado firmemente no cone de acoplamento da estação e estava deformada, de modo que o desencaixe também era impossível. A estação estava basicamente “segurando” a espaçonave. 

Isso se estendeu por cerca de cinco horas, e a situação estava quase crítica. A tripulação foi salva por longos contatos com a torre de controle. A espaçonave foi “liberada” e os três cosmonautas retornaram para a Terra. Como ficou decidido não anunciar o incidente oficialmente, a desculpa era de que o primeiro voo havia sido experimental, sem planos de embarcar na Salyut.

4. Antes da Salyut, ninguém havia permanecido em órbita por tanto tempo

A missão seguinte estabeleceu uma duração recorde de resistência humana — a tripulação ficou no espaço por 23 dias. O voo mais longo até então havia sido a missão lunar norte-americana Apollo 12, com duração de 10 dias.

5. A segunda missão terminou em uma terrível tragédia

Gueórgui Dobrovolski, Vladislav Volkov e Viktor Patsaiev

Após os 23 dias em órbita, a tripulação — composta pelo tenente-coronel Gueórgui Dobrovolski, pelo engenheiro de voo Vladislav Volkov e pelo engenheiro pesquisador Viktor Patsaiev — desativou a estação para a próxima missão, destravou normalmente e se dirigiu para a Terra. Quando já estavam a uma altitude de aproximadamente 150 km da Terra, na fase de descida, ocorreu uma falha de pressurização do módulo de reentrada. Em questão de segundos, a válvula de ar liberou a pressão no módulo dos cosmonautas a um nível incompatível com a vida humana: em ausência de oxigênio e descompressão aguda, qualquer ser humano tem poucos minutos de vida em meio a uma dor indescritível, tímpanos estourados e confusão mental. 

A cápsula pousou normalmente, mas a equipe de resgate encontrou os cosmonautas mortos. Eles foram enterrados na necrópole da muralha do Kremlin.

6. A tripulação principal sobreviveu por causa de uma mancha escura no pulmão

Valeri Kubasov

Tradicionalmente, duas tripulações são treinadas para um mesmo voo — a tripulação principal e uma reserva. Os três cosmonautas que morreram compunham, na verdade, a equipe de apoio. Três dias antes do lançamento, foi decidido não enviar a tripulação principal. Os médicos encontraram uma sombra no pulmão de um dos cosmonautas, Valéri Kubasov, que foi diagnosticada como estágio inicial de tuberculose. Após longas discussões, a comissão estatal decidiu substituir toda a tripulação.

Somente mais tarde soube-se que o que os médicos diagnosticaram como tuberculose o que na verdade era uma reação alérgica. Kubasov viajou ao espaço duas vezes após o incidente.

7. Os pimeiros cosmonautas voaram sem roupas de suporte à vida

O desastre, provavelmente, não teria ocorrido se os cosmonautas estivessem usando roupas de emergência capazes de manter o suporte de vida por pelo menos um período de tempo determinado. Mas a tripulação usava apenas trajes emborrachados, já que a série de naves Soyuz então em operação não incluía trajes de sobrevivência para a tripulação.

O trabalho urgente para desenvolver esse tipo de traje espacial começou logo após o acidente.

8. A Salyut-1 passou 175 dias no espaço

Os trabalhos na Salyut foram interrompidos após a tragédia: a estação continuou sua órbita em modo automático. Foi decidido aprimorar as viagens espaciais tripuladas e trazer a estação de volta à Terra. Em 11 de outubro de 1971, fragmentos da estação que não queimaram nas camadas densas da atmosfera acabaram em um “cemitério de espaçonaves” no fundo do Oceano Pacífico, longe das rotas marítimas.

9. A estação russa era tão secreta que nenhuma foto sobreviveu

Devido ao sigilo em torno de todo o programa espacial soviético, não há mais fotos originais da estação. Sua lateral chegou até mesmo a receber a inscrição de um nome diferente —‘Zaria’ (‘Amanhecer’, em russo) — e isso nunca foi alterado. O nome anterior era igual a de um satélite chinês, razão pela qual a primeira estação orbital russa foi renomeada como Salyut.

10. Sem ela não teria havido Mir ou Estação Espacial Internacional

Mir

Após a primeira Salyut, houve um intervalo de dois anos no programa espacial, após o qual outras 10 (!) estações atualizadas foram lançadas com o mesmo nome. Salyut também se tornou o protótipo do complexo orbital Mir e do segmento russo na Estação Espacial Internacional. 

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