O que os russos acham de Elon Musk?

Nascido em 1971, empresário americano Elon Musk é manchete mundo afora

Nascido em 1971, empresário americano Elon Musk é manchete mundo afora

ZUMA Press/Global Look Press
Enquanto alguns adoram o chefão da Tesla e da SpaceX, outros o consideram superestimado e duvidam de sua contribuição para o mundo da tecnologia.

Elon Musk parece estar em toda parte agora. Ele lança seu Falcon Heavy no espaço –com um Tesla Roadster e um manequim dentro, só para fazê-lo girar sem fim em órbita ao som de “Space Oddity”, de David Bowie. Ele abre uma empresa, coloca o nome de The Boring Company, começa a vender lança-chamas – e fatura o equivalente a US$ 10 milhões com esses isqueiros de grandes dimensões em apenas quatro dias. E até mesmo afirma abertamente ser marciano.

O bilionário norte-americano e CEO da SpaceX e da Tesla Inc. polariza pessoas em todo o mundo – algumas ficam surpresas com seu sucesso e experiências ousadas, enquanto outras são céticas e apontam para o fato de muitos dos projetos de Musk não serem rentáveis. Os russos também seguem o inventor, especialmente quando se trata de projetos espaciais. Mas o que pensam dele no maior país do mundo? 

“Inovador e inspirador”

A maioria dos especialistas familiarizados com a indústria espacial concorda que as ações de Musk afetam o setor. Em 2017, o especialista da Academia Russa de Cosmonáutica Aleksandr Jelezniákov, disse: “O que Musk fez [após lançar o foguete Falcon 9 e recuperar o primeiro estágio de lançamento] é um avanço na tecnologia espacial, temos que admitir. Obviamente, é muito mais barato explorar o espaço com a ajuda de tecnologias que possam ser usadas várias vezes. E Musk, ao desenvolver e melhorar esse sistema, será de grande utilidade para os especialistas em espaço”.

Foguete SpaceX Falcon Heavy decola transportando carga de demonstração para o espaço em fevereiro de 2018 no Cabo Canaveral, Flórida.

Em agosto de 2017, Musk superou sozinho todas as potências espaciais do mundo em termos de números de lançamentos de foguetes – enquanto a SpaceX realizou 12, a Rússia, 11, e a China, 8, enfatizou o site Gazeta.ru em seu editorial dedicado ao lançamento bem-sucedido do Falcon Heavy. “As demonstrações espaciais de Musk tentam, em primeiro lugar, impressionar. Mas esses projetos são importantes como campo de testes para novas tecnologias e capacidades humanas”, prosseguiu o artigo.

Perspectivas e sucesso

Musk certamente sabe como roubar o show – e muitos russos parecem gostar disso, especialmente quando se trata de novos lançamentos.

“O pouso simultâneo dos Falcons é algo que eu jamais esquecerei, meus netos ficarão cansados ​​de eu tanto contar essa história. Estaremos sentados em uma casinha em algum lugar de Marte e eu lhes direi como vi o lançamento do primeiro [Falcon] Heavy ”, escreveu a editora Aleksandra Tskhovrebova, em seu perfil na rede social VK, em fevereiro de 2018, após o lançamento do novo da SpaceX. Outros analistas foram menos eloquentes, mas também elogiaram o feito de Musk. “Acho que isso é superlegal”, descreveu a funcionária municipal Anna Vzorova no Facebook.

Em termos de negócios, Musk também impressiona diversos russos. “A chave para sua popularidade é que ele vem de uma nova geração, uma geração de pessoas empreendedoras e ambiciosas que conseguiram fazer pequenos projetos crescerem e derrubaram os gigantes corporativos da década de 1990”, escreveu o programador Iliá Levin, no site The Question.

O lado obscuro de Musk

Por outro lado, alguns céticos duvidam do sucesso de Musk. Sua empresa Tesla Inc., que produz veículos elétricos, continua não lucrando e apresenta um rombo de US$ 10 bilhões desde que entrou na bolsa de valores em 2010. Analistas do “The Wall Street Journal” dizem que 2018 será crucial para a Tesla: lucro ou falência de risco?

Musk apresentando Tesla Motors 2020 Roadster em novembro de 2017

O cientista político Timofei Bordatchev, de Moscou, compara, em tom de ironia, Musk ao líder norte-coreano Kim Jong-un. “Os dois lançam coisas vagas no céu e são legais em colecionar o publicidade. Heróis do nosso tempo”, declarou.

Os profissionais da indústria espacial são menos irônicos, mas também demonstram ceticismo em relação a alguns dos projetos do americano. Especialistas russos desaprovaram, por exemplo, o projeto de Musk de desenvolver BFR (Big Falcon Rockets), que visa a substituir aviões, transportando pessoas de modo super-rápido de um hemisfério ao outro. Segundo eles, a ideia é absolutamente não rentável.

“Há muitas pessoas – os passageiros e a tripulação – no foguete, não há motor suficientemente poderoso para isso”, apontou Ígor Marinin, editor-chefe da revista “Notícias da Cosmonáutica”, ao jornal RBC.

A nova cara do espaço

A maioria dos russos concorda que, para Elon Musk, os negócios sempre vêm em primeiro lugar, o que explica o seu sucesso. “Musk é campeão mundial em arrecadar fundos para seus projetos, é o ‘rei Midas’ das inovações – tudo o que ele diz é abordado quase sem críticas e se transforma em grandes investimentos”, escreveu Aleksêi Ionin, analista no GLONASS NPO, ao jornal “Novaia Gazeta” em 2017.

Paralelamente, Ionin admite que Musk fez uma revolução na indústria espacial – mas não por causa de suas tecnologias. Segundo o analista, o empreendedor mudou a abordagem em relação ao espaço, passando de tecnologias complicadas para aparatos mais simples e baratos. “Ao criar o Falcon 1 [em 2006], ele conseguiu produzir um foguete três a quatro vezes mais barato do que os seus concorrentes, ainda mais barato que os foguetes russos. Foi quando ele fez uma verdadeira revolução”, concluiu.

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