Por que o novo navio científico da Rússia está armado até os dentes com mísseis de cruzeiro?

Alexei Danichev/Sputnik
Originalmente projetado para testar invenções científicas e explorar os oceanos, primeira embarcação da série Almirante Gorchkov é agora uma potência militar e será integrada às Forças Armadas do país em agosto.

O Ministério da Defesa russo encomendou, na segunda-feira (26), quatro navios da série Almirante Gorchkov, inicialmente concebido como navio científico, mas depois reclassificado para função militar.

A expectativa é que a nova encomenda seja entregue até o final de 2022.

Além da compra, o ministério também destinou mais verba para o desenvolvimento e modernização do projeto 22350.

“O país precisa de, pelo menos, mais 12 navios desse tipo para defender as rotas marítimas e as fronteiras do país”, disse Viktor Murakhovski, editor-chefe da revista “Arsenal da Pátria” ao Russia Beyond.

A primeira embarcação do projeto será integrado à frota da Rússia em agosto.

Da ciência à defesa

Em 2006, a Rússia decidiu incorporar todas as mais recentes tecnologias no projeto naval 22350. A embarcação tornou-se também modelo para testar os mais novos sistemas navais militares do país.

Quando a crise econômica de 2008 atingiu a Rússia, o governo cancelou os aspectos científicos do projeto e reclassificou o 22350 para uma função militar.

Hoje, com perfil bem diferente do projeto original, o primeiro navio da série Almirante Gorchkov é eficaz contra alvos aéreos e aquáticos e sob a água, pode eliminar forças inimigas com mísseis precisos e realiza missões de reconhecimento.

“Desde o início, o navio virou meio que um campo de testes para todo um espectro de equipamentos científicos e de reconhecimento russos modernos, bem como para novas armas já adotadas pelas Forças Armadas. Entre essas últimas, estão os mísseis de cruzeiro Kalibr exibidos ao mundo durante a operação síria”, disse Murakhovski, acrescentando que todos os componentes científicos foram retirados do navio.

Armas e outras características

O navio russo tem um deslocamento de 5.400 toneladas e porta 16 mísseis de cruzeiro Kalibr. Esses projéteis podem atingir alvos até 2.500 km de distância e viajar 20 metros acima do solo – contornando o terreno – carregados com ogivas de 450 kg.

Segundo especialistas, esses mísseis representam um novo tipo de arma de dissuasão que pode ser usada como alternativa aos mísseis nucleares.

Atualmente, o Exército russo está testando em batalha a versão naval do sistema de defesa aérea Pantsir-S1, que será acrescentado à fragata do Almirante Gorchkov. Por enquanto, porém, o navio conta com o sistema de defesa Redut.

O 22350 também está equipado com um canhão de 130 mm capaz de eliminar alvos até 23 km de distância.

“Essa fragata possui vários sistemas que podem fazer grande parte do trabalho antes realizada por humanos. Isso inclui navegação e operação dos sistemas de armas e de inteligência do navio”, disse Murakhovski.

Ainda assim, são necessários cerca de 200 tripulantes para operar todos os sistemas. O navio pode atingir 1,85 km/h e percorrer 7.400 quilômetros com um único tanque.

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