Tsar Aleksandr I teria forjado própria morte para se tornar eremita, sugerem calígrafos

Retrato de Aleksandr I por Thomas Lawrence  Foto: Vostockphoto

Retrato de Aleksandr I por Thomas Lawrence Foto: Vostockphoto

Análise de manuscritos do tsar e de santo peregrino indicam que caligrafia pertence a mesma pessoa.

Especialistas em grafologia anunciaram que as caligrafias do anacoreta (monge cristão ou eremita) Fiódor Tómski e do imperador Aleksandr I são idênticas, indicando que o tsar pode ter morrido muito mais tarde do que se acredita. A informação foi divulgada durante um fórum dedicado ao Imperador Aleksandr I, em Tomsk, na Sibéria.

“A grafologia permite afirmar com elevada probabilidade que se trata da mesma pessoa”, declarou a presidente da Sociedade Russa de Grafologia, Svetlana Semiónova, que analisou e traçou comparações entre os manuscritos do imperador e do anacoreta.

Os manuscritos, elaborados por Aleksandr I aos 47 anos e por Fiódor Tómski aos 82 anos, foram disponibilizados para análise sem que os grafólogos soubessem da procedência dos documentos.

Durante o estudo, os especialistas também identificaram uma coincidência entre as caligrafias da esposa de Aleksandr I, Elizaveta Aleksêievna, e da freira Vera Moltchalnitsa. Reza a lenda que Elizaveta, assim como o marido, encenou a própria morte e se dedicou a servir a igreja.

Lenda quase real

A verdadeira identidade de Fiódor Tómski é uma incógnita para cientistas há algumas décadas. As suspeitas de que o anacoreta fosse o imperador surgiram enquanto ele ainda era vivo.

Nos últimos anos de vida, Aleksandr havia mencionado a intenção de abdicar do trono e se dedicar a Deus. Por isso, após o anúncio repentino de sua morte em 1825, aos 47 anos de idade, surgiu a lenda de que o tsar teria partido em peregrinação por toda a Rússia.

O peregrino Fiódor Tómski, por sua vez, chegou à cidade siberiana de Tomsk em 1837. Embora levasse um modo de vida ascético, suas maneiras revelavam que era uma pessoa bem-educada e instruída.

Tómski alfabetizava as crianças e dava a elas ensinamentos sobre as Escrituras Sagradas e História. Essas atividades garantiam o seu sustento, mas o eremita aceitava apenas alimentos na qualidade de pagamento.

Com o tempo, sua postura irrepreensível e abnegada foi conquistando os moradores locais, que passaram a recorrer a ele em busca de conselhos sobre diversas questões cotidianas.

Em 1984, Tómski foi canonizado pela Igreja Ortodoxa Russa. Os restos mortais do Santo Fiódor constituem uma das mais importantes relíquias sagradas de Tomsk.

Quem foi Aleksandr I?

Primogênito de Pável I, Aleksandr I nasceu em 1777 e supostamente morreu de febre tifoide, em 1825, na cidade de Taganrog. 

Durante os anos de seu reinado, a Geórgia (1801), a Finlândia (1809), a Bessarábia (1812), o Azerbaijão (1813) e o antigo Ducado de Varsóvia (1815) foram anexados à Rússia.

Em 1813 e 1814, o imperador liderou a coalizão antifrancesa das potências europeias.

Entre as transformações realizadas por ele na política interna destacam-se o decreto sobre a liberdade dos agricultores (1803) e a política de assentamentos militares, nos quais moradores combinavam serviço militar com agropecuária.

 

Publicado originalmente pelo jornal Rossiyskaya Gazeta

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