Sanções norte-americanas só serão levantadas após devolução da Crimeia

Kerry visitará Moscou na semana que vem, mas assunto principal da pauta será Síria, segundo ministério russo

Kerry visitará Moscou na semana que vem, mas assunto principal da pauta será Síria, segundo ministério russo

AP
EUA publicam documento com condições no aniversário de dois anos de referendo e às vésperas da visita do secretário de Estado John Kerry a Moscou. Um dia depois, presidente ucraniano declara que Rússia é maior ameaça ucraniana na atualidade.

Na última terça-feira (15), o Departamento de Estado dos EUA divulgou documento em que afirma que as sanções impostas contra a Rússia só serão levantadas quando a Crimeia for "devolvida" à Ucrânia.

"Não aceitaremos um novo desenho das fronteiras feito à força no século 21. As sanções relacionadas à Crimeia serão mantidas enquanto a ocupação durar. Clamamos novamente que a Rússia coloque um fim nessa ocupação e devolva a Crimeia à Ucrânia", lê-se no texto.

A notícia ocorre no dia do segundo aniversário do referendo em que 96,77% dos cidadãos da Crimeia e 95,6% dos de Sevastópol apoiaram a integração da península à Rússia.

Para Moscou, a integração da Crimeia foi feita de maneira democrática, em conformidade com o Direito Internacional e a Carta da ONU, já que os cidadãos da península votaram, em 15 de março de 2014, pela unificação com o país vizinho.

Cutucão

Nesta quarta-feira (16), o presidente ucraniano Petrô Porochenko sancionou a nova concepção de desenvolvimento de segurança e defesa do país, em que classificou a Rússia como "maior ameaça da atualidade".

"As perspectivas a médio prazo irão se manter, sobretudo a ameaça de ações agressivas da Rússia para o esgotamento da economia ucraniana e para minar a estabilidade sócio-política com o objetivo de destruir a Ucrânia e tomar seu território, para o emprego da força aérea, assim como para a tecnologia de guerra híbrida; para a ocupação temporária pela Federação da Rússia do território da Crimeia e em ações posteriores para a desestabilização das circunstâncias na região do Mar Báltico, do Mar Negro e do Mar Cáspio", lê-se no documento publicado no site de Porochenko.

O cutucão acontece às vésperas da visita, programada para semana que vem, do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, a Moscou.

O assunto principal a ser tratado pelo norte-americano, porém, será a situação na Síria, de acordo com declaração feita pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakhárova, nesta quarta-feira.

Kerry declarou na terça-feira que espera encontrar-se com o presidente russo, Vladímir Pútin. A visita ainda está sendo negociada.

Com material do jornal Rossiyskaya Gazeta e das agências de notícias Tass e Ria Nôvosti.

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