Após casos de corrupção, comissão especial substitui Ministério da Crimeia

Infraestrutura de transportes e bancária ainda é desafio para autoridades da Crimeia

Infraestrutura de transportes e bancária ainda é desafio para autoridades da Crimeia

Reuters
O governo russo criou comissão especial para conduzir a estratégia de desenvolvimento socioeconômico da península. Grupo assumirá papel do Ministério da Crimeia, extinto em 15 de julho, após diversos episódios de corrupção envolvendo autoridades locais.

O Kremlin anunciou, em um comunicado oficial, a criação de uma comissão especial para delinear ações voltadas ao desenvolvimento socioeconômico da Crimeia e de Sevastópol. A nova composição será liderada pelo vice-premiê russo Dmítri Kozak, que ficou responsável pelos preparativos do Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sôtchi.

A comissão recém-criada vai substituir o Ministério da Crimeia, extinto por decreto do presidente russo Vladímir Pútin em 15 de julho. O órgão, que fora criado para a integração da península, se viu envolvido em uma série de escândalos de corrupção na Crimeia.

“O fechamento mostra que o governo considera resolvido o problema de integração da Crimeia à Rússia”, diz Evguêni Itsakov, professor na Academia Presidencial da Economia Nacional e Administração Pública, para quem o desmantelamento do ministério foi “um pouco prematuro”.

Entre as maiores pendências do governo central em relação a Crimeia, Itsakov destaca o desenvolvimento da rede de transporte e a resolução de problemas no setor bancário local.

“É claro que o processo de integração da península vai continuar, pois há muito o que fazer. Mas, uma vez que os problemas básicos já foram resolvidos, o fim do ministério tem bastante lógica”, discorda o analista da Finam Management, Dmítri Baranov.

“Um departamento especial para essa finalidade é desnecessário. O processo de integração da Crimeia deve ser controlado pelas principais autoridades do Estado. Se preciso, o governo poderá recriar um órgão especial para concluir a integração com sucesso”, continua Baranov.

O Ministério do Desenvolvimento Econômico da Rússia decidiu criar também um grupo de trabalho para estudar e classificar os principais problemas administrativos e jurídicos na Crimeia. Segundo o chefe da pasta, Aleksêi Uliukaiev, esse grupo incluirá representantes da região.

Escândalos à parte

O Ministério da Crimeia, criado por decreto em março de 2014, tinha como meta promover a integração da península à Rússia por meio da elaboração de um programa de desenvolvimento e transferência de responsabilidades do governo central para as autoridades locais. 

Para conduzir o plano de desenvolvimento até 2020, o órgão solicitou uma verba de pouco mais de US$ 11 bilhões ao governo federal. No ano passado, a região recebeu quase US$ 2 bilhões do orçamento federal.

No entanto, a recente dissolução do ministério foi precedida por uma série de escândalos de corrupção.

Pouco dias antes do encerramento das atividades do órgão, oficiais do Serviço Federal de Segurança (FSB, na sigla em russo) prenderam em flagrante o chefe do Serviço Federal de Impostos da República da Crimeia, Nikolai Kotchánov, por suborno.

No mesmo dia, também foi preso o ministro da Indústria da República da Crimeia, Andrêi Skrinnik, suspeito de desvio de propriedade estatal. Ao todo, durante o último semestre, seis ministros do governo local foram afastados dos cargos e permanecem sob investigação.

 

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