Quem nunca? As brincadeiras das crianças soviéticas

Crianças brincam em pátio em Moscou em 1991.

Crianças brincam em pátio em Moscou em 1991.

Igor Zotin/TASS
Mascando alcatrão ou ‘assistindo a tapetes’, elas não precisavam de internet

1. Caminhadas

As crianças soviéticas passavam grande parte das férias ao ar livre, e voltavam para casa somente quando era absolutamente necessário. A maior alegria do verão era ir com a turma da escola para uma caminhada que durava diversos dias – ou até semanas.

Nas caminhadas, elas aprendiam a montar barracas, acender fogueiras, se direcionar, ler mapas, reconhecer pegadas de animais etc. Além disso, as aventuras sempre remetiam às obras que elas tanto liam de Júlio Verne ou James Cooper.  

Os “pioneiros”, ou seja, análogos dos escoteiros norte-americanos, tinham entre 9 e 14 anos e eram supervisionados por um líder que contava a história da região e os ensinava a usar símbolos.

2. Colecionar e trocar coisas

Um colecionador de carrinhos em 1968. / Boris Ushmaykin/RIA NôvostiUm colecionador de carrinhos em 1968. / Boris Ushmaykin/RIA Nôvosti

Crianças soviéticas de todas as idades sempre colecionavam alguma coisa: decalques de cachorros, trens, carros, ou personagens dos desenhos animados. E todo pequeno colecionador tinha seus decalques grudados em uma porta ou janela do quarto – não importa o quanto sua mãe tentasse arrancar de lá, já que eles não saiam.

Selos e moedas eram outros itens colecionáveis e todo mundo trocava os tesouros repetidos.

3. Trabalhos em madeira

Pequeno estudante de escola preparatória de artes e músic na União Soviética em janeiro de 1990. / TASSPequeno estudante de escola preparatória de artes e músic na União Soviética em janeiro de 1990. / TASS

Todo menino em idade em que se podia confiar uma faca devia ter habilidades no corte da madeira em forma de objetos. Os mais populares eram barcos, espadas e estilingues. Metade das criações era presenteada a crianças menores, e o resto ficava ao bel prazer dos criadores.

Barcos de madeira tinham cordas amarradas para serem mais facilmente recuperados de um rio ou lago.

4. Pular elástico

Meninas pulam elástico na URSS. Foto: http://ussr-kruto.ru/2015/10/13/igry-vremen-sssr-detstvo-bez-gadzhetov/Meninas pulam elástico na URSS. Foto: http://ussr-kruto.ru/2015/10/13/igry-vremen-sssr-detstvo-bez-gadzhetov/

As meninas, por sua vez, se divertiam pulando elástico, brincadeira altamente difundida na era soviética. A brincadeira precisava de 3 garotas e um longo elástico amarrado formando um círculo. As puladoras mais qualificadas conseguiam pular até o elástico chegar à altura das orelhas das amigas.

5. Mascar alcatrão

Crianças em kolkhoz no interior de Sarátov. / Vitáli Karpov/RIA NôovostiCrianças em kolkhoz no interior de Sarátov. / Vitáli Karpov/RIA Nôovosti

Arranjar chicletes durante a União Soviética era uma tarefa árdua. Era raro uma criança sortuda ter pais que trouxessem essas joias do exterior. Os chicletes eram mascados até muito depois de perderem o sabor, mergulhados na geleia ou no açúcar para ganharem uma sobrevida qualquer, mesmo que curta.

Quem não tinha acesso ao chiclete de verdade mascava alcatrão usado na construção de estradas e como selador de telhados. O alcatrão é duro no começo, mas se você mascar bastante, ele faz frente ao chiclete.

6. Assistir a diafilmes

Alunos assistem a diafilmes engraçados em Tbilisi, na Geórgia soviética, em fevereiro de 1984. / Serguêi Edisherashvili/TASS Alunos assistem a diafilmes engraçados em Tbilisi, na Geórgia soviética, em fevereiro de 1984. / Serguêi Edisherashvili/TASS

Pais mais rigorosos mandavam seus filhos direto para a cama logo após o lendário programa de TV “Spokoinoi notchi, malichi” (Boa noite, crianças!). Os mais velhos podiam ficar acordados um pouco mais, lendo livros ou assistindo a diafilmes no escuro.

Os diafilmes eram pedaços de positivos de filmes fotográficos representando diferentes episódios de uma história, com imagens e textos. O rolo era inserido em um projetor especial, e assistir aos diafilmes era um evento para toda a família.

Um lençol branco pendurado na parede ou no armário servia de tela. O projetor era disposto sobre uma pilha de livros, o filme era inserido e as luzes apagadas.

7. 'Assistir ao tapete' na parede

Na região de Moscou, um clássico tapete de parede soviético. Família fotografada em setembro de 1979. / Foto: Nikolai Akimov/TASSNa região de Moscou, um clássico tapete de parede soviético. Família fotografada em setembro de 1979. / Foto: Nikolai Akimov/TASS

Quem não tinha um projetor de diafilmes ficava olhando o tapete pendurado na parede. Quase todo lar soviético tinha um tapete sobre o sofá ou a cama. Eles tinham dois propósitos: cobrir imperfeições do papel de parede e isolar o som. As crianças procuravam nas suas formas animais, contornos de rostos, plantas e outros, além de um jeito de cair no sono.

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