‘Russo louco’ desafia a América Latina

Yaroslav Smirnov en Colombia.

Yaroslav Smirnov en Colombia.

Archivo personal
Iaroslav Smirnov, conhecido como “russo loco”, leva uma vida nômade. Percorreu 135 países em cinco anos sem utilizar dinheiro – em troca de alojamento e itens básicos, oferece trabalho, informação e criatividade, a exemplo de tribos indígenas. Hoje, após dois anos e meio rodando pela América Latina, Smirnov está no Uruguai. Seu único objetivo? “Cumprir seu sonho e ser ele mesmo”, responde.

“Não fui eu que escolhi esse nome, me colocaram esse apelido na TV Azteca, no México”, conta Iaroslav à Gazeta Russa. “É uma grande marca que gruda na cabeça das pessoas. Além disso, eu a registrei nos EUA, então, podemos dizer que eu sou oficialmente o único ‘russo louco’”, brinca. “Eu gosto deste nome, pois só os loucos podem mudar o mundo, e, de fato, o transformam.”

Iaroslav Smirnov na Colômbia (Foto: Arquivo pessoal)Iaroslav Smirnov na Colômbia (Foto: Arquivo pessoal)

Segundo Iaroslav, ele começou a viver como um adulto ainda muito jovem. Aos 12 anos, já tinha uma pequena loja e vendeu comida na praia. A partir do 15, o russo saiu de casa dos pais para entrar na faculdade como parte de um programa especial para crianças prodígio. “Mas eu não acho que eu tenho um talento sobrenatural, eu apenas gosto de física e ciência em geral”, diz Iaroslav.

Iaroslav Smirnov em Iucatã, no México (Foto: Arquivo pessoal)Iaroslav Smirnov em Iucatã, no México (Foto: Arquivo pessoal)

Aos 18, Iaroslav foi estudar na China, mas abandonou o curso duas semanas depois de chegar ao país, porque enxergou “muitas possibilidades de fazer negócios em Hong Kong, abrir minha própria empresa; ao mesmo tempo, conheci a minha ex-mulher, e começamos a viver juntos”, continua.

“Sim, eu, provavelmente, já tomei muitas decisões rapidamente, talvez rápido demais”, brinca o russo.

Smirnov passou 3 semanas no deserto de Wadi Rum, na Jordânia (Foto: Arquivo pessoal)Smirnov passou 3 semanas no deserto de Wadi Rum, na Jordânia (Foto: Arquivo pessoal)

Depois de oito meses, porém, cansou-se da rotina. “Não era somente chato, mas eu me sentia perdido. Tinha dinheiro, status, uma bela mulher ao meu lado, mas eu não podia viver como uma máquina, um robô, fazendo a mesma coisa todos os dias. Isso me mantava por dentro”, diz Iaroslav. Foi assim que surgiu a ideia de “desafiar a si mesmo” e “ter uma biografia melhor que qualquer roteiro de filme”.

Smirnov após uma conferência no México (Foto: Arquivo pessoal)Smirnov após uma conferência no México (Foto: Arquivo pessoal)

Iaroslav deixou sua empresa, fechou suas contas bancárias, pediu divórcio para a mulher e jogou todo o resto para o alto por um sonho. Primeiro foi para o Tibete, onde passou seis meses como um monge. “Era um sonho desde pequeno”, diz. Na sequência, o russo embarcou em uma vida nômade, que hoje já dura cinco anos.

Viagem ‘louca’ e ideias ‘loucas’

O mais curioso sobre as viagens de Iaroslav é que ele não paga pelos serviços com dinheiro, mas recorre ao princípio da troca – de conhecimento, informação, criatividade e experiência em algo que a pessoa precise. “Como fazem nas tribos”, explica. Desse modo, por exemplo, cruzou o Atlântico, a partir de Gran Canaria (Espanha) até New Jersey (EUA), como parte da tripulação de um veleiro.

Além disso, o russo prefere se hospedar nas casas de moradores locais, uma vez que, segundo ele, é “a melhor maneira de conhecer a cultura e as tradições do país”.

Smirnov em Michoacán, no México (Foto: Arquivo pessoal)Smirnov em Michoacán, no México (Foto: Arquivo pessoal)

A Gazeta Russa soube da jornada de Iaroslav durante sua tour pela América Latina, que já dura dois anos e meio. A essa altura, grandes jornais e redes de televisão de países da América Central e da América do Sul já tinham começado a entrevistá-lo.

Iaroslav percorreu até então 135 países, e, além de ter “trabalhado” como monge no Tibete, participou de um projeto na Tanzânia, protegendo leões caçadores, e tem uma empresa que organiza passeios individuais para lugares exóticos.

Smirnov na Jordânia (Foto: Arquivo pessoal)Smirnov na Jordânia (Foto: Arquivo pessoal)

Iaroslav organizou festivais de música eletrônica no México e na Guatemala, trabalhou como fotógrafo freelance para a revista “National Geographic” (segundo ele, “não por ser o melhor fotógrafo do mundo, mas porque chegou a lugares que quase ninguém havia estado antes”), e colaborou com órgãos internacionais, como ONU e Unicef, em países arrasados por guerra como Sudão e Congo.

Além de tudo isso, chegou a atuar como toureiro no México, onde estudou na Academia de Guadalajara. “Não mato os touros, me dá pena. Sou a favor da nova versão, algo entre acrobacias e corrida, sem martirizar o animal nem fazê-lo sangrar.”

Smirnov em Uganda (Foto: Arquivo pessoal)Smirnov em Uganda (Foto: Arquivo pessoal)

O “russo louco” também trabalha como consultor em diversas empresas e já deu dezenas de conferências internacionais. “Amo falar em público, sobretudo quando se trata de uma plateia grande, com mais de mil pessoas. É melhor do que sexo”, diz.

“Se quiser conseguir alguma coisa, trate de fazer seu sonho virar realidade. É preciso coragem para mudar a própria vida. Você tem que se mexer todos os dias, trabalhar duro para chegar onde quer. Não há segredos ou receita mágica. Basta ser corajoso.”

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