Menos de 50% dos russos esperam guerra nuclear, mostra pesquisa

Tropas de divisão aérea dos EUA observam explosão atômica em campo de testes em um deserto em Las Vegas, em 1951

Tropas de divisão aérea dos EUA observam explosão atômica em campo de testes em um deserto em Las Vegas, em 1951

Getty Images
Levantamento recente mostra queda de pessimismo em relação a estudos anteriores. Medo de conflito nuclear teve pico durante início da crise ucraniana, em 2014.

Menos da metade dos russos acreditam que haverá uma guerra nuclear em um futuro próximo, de acordo com um levantamento feito pelo Centro de Pesquisa da Opinião Pública Russo (VTsIOM). Alguns dados revelaram, porém, uma divisão na sociedade.

Enquanto 41% dos entrevistados pensam que se deve permitir aos países desenvolver livremente armas nucleares e não impor quaisquer medidas restritivas, 38% dos respondentes defendem que países que desenvolvam armas nucleares sejam isolados da comunidade mundial para evitar uma corrida armamentista nuclear.

Os pesquisadores entrevistaram 1.200 pessoas nos dias 10 e 11 maio.

Tendência positiva

Os resultados de pesquisas semelhantes eram visivelmente diferentes três anos atrás. Um estudo conduzido pelo Fundo de Opinião Pública em julho de 2014, em meio à crise na Ucrânia e ao confronto entre a Rússia e a Otan, mostrou que 64% dos russos acreditavam que o mundo enfrentava a ameaça de uma guerra nuclear.

Cerca de 52% dos entrevistados afirmaram então que a principal ameaça de uso de armas nucleares vinha dos EUA; a Coreia do Norte foi apontada por apenas 12%.

Outro levantamento realizado pelo mesmo instituto, porém no final de 2016, mostrou que só 25% dos russos não acreditavam na possibilidade de uso de armas nucleares em caso de guerra entre a Rússia e a Otan.

Paralelamente, 78% dos respondentes disseram que a Rússia não seria o primeiro lado a usar armas nucleares em caso de conflito com a aliança.

EUA e Rússia em 1º

Os russos não estranham o conceito de segurança nuclear. Durante a Guerra Fria, o mundo estava à beira de um possível conflito nuclear, e a URSS era peça-chave nesse contexto.

A Crise dos Mísseis de Cuba, em 1961, foi o mais próximo de um confronto direto entre as superpotências. A guerra nuclear foi evitada graças aos esforços conjuntos dos então líderes dos dois países, Nikita Khruschov e John F. Kennedy.

Mas nem mesmo o fim da Guerra Fria, após o colapso da União Soviética, em 1991, excluiu totalmente a possibilidade de um conflito nuclear.

Uma pequena deterioração nas relações nos anos 1990 deu lugar a um duro confronto entre Rússia e Otan na década seguinte, que atingiu seu ápice com a crise ucraniana em 2014.

Ainda hoje, Estados Unidos e Rússia possuem os maiores estoques de armas nucleares: em torno de 8.000 e 7.300 ogivas nucleares, respectivamente.

Além de um atrito nuclear direto com a aliança ocidental, os russos têm motivo para desconfiar de um potencial conflito entre Índia e Paquistão.

Segundo uma pesquisa do VTsIOM, a maioria dos russos não considera nenhum dos dois países uma ameaça direta a Moscou. No entanto, embora os países tenham relativamente poucas ogivas nucleares (cerca de 100 cada), um conflito nuclear entre eles teria graves repercussões para a Rússia e para o mundo todo.

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