Pútin sugere aliança política para conter ciberameaças

Em 2016 foram registrados 74 milhões de ciberataques contra sites oficiais e sistemas de informação das autoridades russas

Em 2016 foram registrados 74 milhões de ciberataques contra sites oficiais e sistemas de informação das autoridades russas

Getty Images
Para presidente russo, autoridades devem debater segurança cibernética em ‘nível político’. País foi principal alvo de ataques, mas estruturas não foram afetadas.

O presidente russo Vladímir Pútin exortou as autoridades internacionais a debater o problema da segurança cibernética em um “nível político sério”, após ciberataques atingirem empresas e órgãos públicos de, pelo menos, 74 países em 12 de maio.

“Essa questão deve ser discutida imediatamente em um nível político sério, e um sistema de proteção contra tais eventos deve ser criado”, disse Pútin nesta segunda-feira (15).

“Não houve danos significativos para nós e nossas agências, bancos ou sistema de saúde. Mas, de um modo geral, isso [ataque cibernético] e desperta preocupação.”

Pútin ressaltou que a liderança da Microsoft havia declarado que os ataques podem ter usado uma ferramenta roubada da NSA (agência de segurança nacional dos EUA) e que a Rússia não tem qualquer participação nos ciberataques em larga escala.

“Isso reflete melhor a realidade sobre essa questão, e que eles sempre procuram um culpado quando não há ninguém para se culpar”, acrescentou o presidente russo.

Cerca de 45 mil ataques cibernéticos foram feitos usando um vírus de resgate (ou “ransomware”), que bloqueiam o sistema e seus dados até que seja paga uma recompensa em dinheiro – até US$ 600 em bitcoins.

O vírus infectou computadores do serviço de saúde do Reino Unido, redes de computadores espanholas da Telefonica, e o call center da operadora russa Megafon. O maior banco de crédito da Rússia, o Sberbank, também registrou tentativas de ataques a sua infraestrutura, embora o sistema não tenha sido infectado pelo vírus.

No Brasil, os ciberataques atingiram várias empresas e órgãos públicos, entre eles a Petrobras, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), os Tribunais da Justiça de 11 estados, e o Itamaraty.

As invasões ocorreram por meio de e-mails com arquivos infectados, e segundo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência, “não há evidências de que a estrutura de arquivos da Administração Pública Federal tenha sido afetada”.

Impacto na Rússia

O ataque cibernético não infligiu danos significativos às agências russas.

O sistema de emissão de carteiras de motorista deixou de funcionar em algumas regiões russas e um ataque de vírus dirigido ao sistema de TI da Russian Railways foi localizado, mas os técnicos da estatal agiram rapidamente para destruí-lo.

A empresa salientou que, devido às medidas, não houve falhas no processo técnico, e todos os passageiros e cargas foram transportados conforme a programação.

O centro de monitoramento de ciberataques na área financeira e de crédito do Banco da Rússia também anunciou que não registro de “nenhum incidente comprometendo os recursos de dados das instituições bancárias” do país.

Parceria sem sucesso

Ainda durante o encontro com jornalistas nesta segunda, Pútin lembrou que, “no ano passado, convidamos nossos parceiros norte-americanos a investigar questões de segurança cibernética e até a celebrar um acordo intergovernamental sobre essa questão”.

“Infelizmente, nossa proposta foi rejeitada, e a administração anterior disse que estava disposta a voltar a debater a nossa ideia, mas nada foi feito na prática”, completou.

“Estamos plenamente conscientes de que os gênios, em particular, os criados por serviços secretos, podem prejudicar seus próprios autores e criadores, se eles forem deixados fora da garrafa”, concluiu o presidente.

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