Papa compartilha relíquias sagradas com Moscou

Bispo ortodoxo Egorievsk Mark celebra missa dentro da cripta da igreja de São Nicolau, em Bari, em março de 2009

Bispo ortodoxo Egorievsk Mark celebra missa dentro da cripta da igreja de São Nicolau, em Bari, em março de 2009

AFP
Objetos de São Nicolau sairão da Itália pela primeira vez em quase 1.000 anos. Acordo foi alcançado após encontro histórico entre líderes das igrejas Ortodoxa Russa e Católica.

As relíquias de um dos santos mais venerados do mundo, São Nicolau, deixarão a Itália para passar um temporada na Rússia. A notícia foi divulgada pelo departamento de comunicações exteriores do Patriarcado de Moscou.

“De 21 de maio a 28 de julho, parte das relíquias de São Nicolau, da Basílica Papal em Bari, na Itália, serão apresentadas na Igreja Ortodoxa Russa”, diz o comunicado.

Ainda segundo o Patriarcado, as relíquias permanecem em Bari há 930 anos, e esta será a primeira vez que saem da cidade.

O acordo sem precedentes foi alcançado como resultado do encontro histórico entre o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, e o Papa Francisco, em 2016 em Cuba.

As relíquias sagradas serão levadas à Rússia em um voo fretado e acompanhadas por uma delegação da Igreja Católica Romana.

“Mas nem todas as relíquias de São Nicolau serão transportadas para a Rússia, apenas uma parte delas”, disse o padre Aleksêi Dikarev, do departamento de comunicações externa da Igreja Ortodoxa Russa, citado pelo jornal “Kommersant”.

As relíquias serão expostas primeiramente na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou, e depois em uma das catedrais de São Petersburgo.

“Para os fiéis, a exposição das relíquias de São Nicolau não é apenas uma ocasião simbólica, mas também uma confirmação do diálogo entre as duas igrejas”, disse Roman Lunkin, diretor do Centro para Estudo de Problemas Religiosos e Sociais no Instituto RAS da Europa, também citado pelo “Kommersant”.

“São Nicolau é um santo tanto para fiéis católicos como ortodoxos e, por isso, esse acontecimento demonstra o milagre da unidade cristã”, acrescentou Lunkin. “A exposição das relíquias é também um gesto de boa vontade sem precedentes do Vaticano, porque uma batalha tem sido travada desde a Idade Média pelas relíquias desse santo e só agora elas estão deixando Bari.”

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