Governos sul-americanos reagem a tragédia na Rússia

Moscovitas prestam homenagem às vítimas de explosão, em frente à estela de Leningrado (atual São Petersburgo), ao lado da Praça Vermelha

Moscovitas prestam homenagem às vítimas de explosão, em frente à estela de Leningrado (atual São Petersburgo), ao lado da Praça Vermelha

Reuters
Explosão que causou morte de 14 pessoas gerou comoção dentro e fora do país. Embora as causas e os responsáveis ainda não tenham sido determinados, possibilidade de atentado terrorista é principal hipótese considerada por autoridades russas.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro expressou consternação pela notícia da explosão que deixou 14 mortos e outros 42 feridos no metrô de São Petersburgo, em um comunicado divulgado na noite desta segunda-feira (3).

“O governo brasileiro transmite condolências aos familiares das vítimas, estima a pronta recuperação aos feridos e empenha solidariedade ao povo e ao governo da Rússia”, lê-se na nota publicada no site do Itamaraty.

Segundo o órgão, não há registro de brasileiros entre as vítimas.

A Argentina também enviou suas “condolências e solidariedade” ao governo e ao povo russo, “bem como às famílias das vítimas”. Em um comunicado oficial, o presidente Mauricio Macri disse “lamentar profundamente” a tragédia.

Já a Venezuela condenou “as ações terroristas contra a heroica Rússia”, ressaltando a importância do país para o “equilíbrio e a estabilidade frente ao belicismo impune dos centros imperiais” e no combate “sem falsas posturas” do terrorismo.

“A República Bolivariana da Venezuela reitera os laços profundos de amizade e fraternidade que a unem à Rússia e expressa as suas condolências e solidariedade fraterna para o governo e as pessoas, especialmente as famílias das vítimas e feridos, ao mesmo tempo em que rechaça qualquer forma ou manifestação de terrorismo que mine a paz e a segurança da comunidade internacional”, lê-se em uma nota.

A explosão de uma bomba no metrô de São Petersburgo, entre as estações Sennaya Ploshad e Tekhnologichesky Institut, deixou 14 pessoas mortos e, ao menos, 42 feridos nesta segunda.

O incidente foi qualificado pela Procuradoria-Geral da Rússia e pelo Comitê de Investigação do país como um “ataque terrorista”.

As autoridades suspeitam que ataque tenha sido perpetrado por um homem-bomba da Ásia Central, que carregava o explosivo em uma mochila ou sacola, segundo a agência de notícias Interfax. Acredita-se que jovem de 22 anos possa ter laços com grupos terroristas islâmicos.

O presidente russo Vladímir Pútin, que estava na cidade no momento da explosão, declarou, porém, que “todas as linhas de investigação estão sendo consideradas”.

Pútin também deixou flores do lado de fora da estação Tekhnologicheskiy Institut (Foto: Kremlin.ru)Pútin também deixou flores do lado de fora da estação Tekhnologicheskiy Institut (Foto: Kremlin.ru)

Raiva e tristeza

“Este foi um terrível ato de terror e aqueles que o organizaram e realizaram devem ser identificados e severamente punidos”, declarou o líder tchetcheno Ramzan Kadirov, em seu perfil no Instagram, no qual publicou uma foto com uma declaração de Pútin afirmando ser possível se tratar de um ataque terrorista.

Kadirov descreveu os organizadores do ataque como “criminosos” e acrescentou que a resposta deveria ser “não apenas severa, mas impiedosa”, porque, segundo ele, “essas pessoas só compreendem força”.

Outros políticos russos, porém, foram mais cautelosos, limitando-se a expressar condolências às famílias e amigos dos mortos ou feridos.

“É uma dor que afeta a todos”, escreveu o primeiro-ministro Dmítri Medvedev em sua conta no Facebook, enquanto o governador de São Petersburgo, Gueôrgui Poltavtchenko se referiu ao fato como uma “terrível tragédia” e exortou os moradores da cidade a serem vigilantes e cuidadosos.

Velas e flores em estação de metrô de São Petersburgo (Foto: Reuters)Velas e flores em estação de metrô de São Petersburgo (Foto: Reuters)

A Rostourism, agência federal para o turismo da Rússia, também emitiu um comunicado aos visitantes de São Petersburgo para que mantivessem a calma. Segundo as últimas informações, não há nenhum turista entre as vítimas do ocorrido.

Vozes do Ocidente

Autoridades da Europa e dos EUA também expressaram pesar e solidariedade para com a Rússia após a explosão no metrô de São Petersburgo.

“Horrorizado pela notícia da explosão em São Petersburgo”, disse o ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson, em seu Twitter.

“Meus sentimentos estão com as vítimas e suas famílias”, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres. Além de condenar a explosão, Guterres reforçou que os responsáveis ​​pelo ato devem ser responsabilizados.

Alguns estrangeiros expressaram suas condolências em língua russa. Uma nota de pêsames em cirílico foi divulgada pela embaixada dos EUA em Moscou, bem como pelo CEO da Apple, Tim Cook.

“Искренние соболезнования всем, кого коснулась трагедия в Санкт-Петербурге” [“Sinceras condolências a todos os afetados pela tragédia em São Petersburgo”], publicou Cook, acrescentando um emoji com a bandeira russa à mensagem.

Caos no transporte

Enquanto autoridades e pessoas ao redor do mundo manifestavam solidariedade, os moradores de São Petersburgo tiveram de lidar com as conseqüências da explosão.

Todas as estações de metrô da cidade permaneceram fechadas por grande parte do dia, e as ruas ficaram completamente paralisadas, uma vez que as pessoas tentavam voltar para casa após o trabalho.

Além da gratuidade no transporte público imposta pelas autoridades municipais, os serviços de táxi como Yandex.Taxi e Uber também deixaram de cobrir tarifas.

Não havia, porém, táxis suficientes para todos, e os motoristas que tinham espaço em seus carros lançaram uma hashtag #home nas redes sociais a fim de socorrer qualquer pessoa que precisasse de uma carona. “Nessas horas, as pessoas devem estar mais próximas umas das outras”, escreveu um dos internautas.

Solidariedade entre cidades

Foram decretaram três dias de luto após a explosão no metro de São Petersburgo, e muitas pessoas têm levado flores à entrada da estação Tekhnologichesky Institut, por onde as vítimas e feridos foram retirados.

Moscovitas participam de memorial nos entornos do Kremlin (Foto: Reuters)Moscovitas participam de memorial nos entornos do Kremlin (Foto: Reuters)

Os moradores de Moscou também estão depositando flores na estela dedicada a Leningrado (atual São Petersburgo), que fica localizada ao lado da Praça Vermelha.

Um dos presentes explicou à agência de notícias TASS que a estela de pedra em homenagem à cidade heroica de Leningrado, que passou por 872 dias sob cerco nazista, era “o lugar mais apropriado para a expressão de solidariedade”.

Até mesmo os torcedores do clube de futebol moscovita Spartak, que geralmente não demostram sentimentos calorosos em relação a São Petersburgo, expressaram sua solidariedade. Durante um jogo contra o Orenburg, foi exibida uma bandeira com as seguintes frases: “Nossos corações estão despedaçados com imenso luto. São Petersburgo, nós choramos com vocês”.

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