Marcha das Mulheres em Moscou atrai só a organizadora

Marcha reuniu mais de 2 milhões de mulheres em Washington no sábado (21)

Marcha reuniu mais de 2 milhões de mulheres em Washington no sábado (21)

Reuters
Enquanto milhões de mulheres se reuniram nas principais cidades do mundo, protesto na capital russa não teve adesão nenhuma. Horário de evento foi misteriosamente trocado na internet, alega organizadora.

Milhões de mulheres de diversas partes do mundo foram às ruas no sábado (21) para protestar contra o machismo e a xenofobia, na sequência da posse de Donald Trump como presidente dos EUA. Em Moscou, uma Marcha das Mulheres foi programada para domingo (22), mas apenas uma pessoa compareceu ao evento: a organizadora.

Na página da iniciativa na internet, a manifestação está agendada para duas da manhã na margem do rio Moscou. Devido ao horário proposto, ninguém apareceu.

“Eu tinha escrito às 10 da manhã. Eu não faço ideia de como a hora foi trocada”, diz organizadora do evento, Marie Loretta. “No final, nenhuma das meninas que tinham me contatado vieram. Assim, havia apenas uma participante: eu. Caminhei até Vorobióvi Gori (Pardais da Montanha) e tirei algumas fotos”, continua.

Marie tentou reunir assinaturas pelas redes sociais, mas “sem especial entusiasmo”, confessa. A ideia, segundo ela, não realizar uma “verdadeira marcha, mas um simples passeio pela cidade em uma demonstração de solidariedade”.

Segundo Marie, ideia era "dar apoio às mulheres de todo o mundo" Foto: FacebookSegundo Marie, ideia era "dar apoio às mulheres de todo o mundo" Foto: Facebook

“Eu tive a ideia de organizar essa Marcha das Mulheres em solidariedade às mulheres de todo o mundo. Eu sabia que em Moscou seria difícil”, diz a jovem. “Sou de Cingapura e vivi vários anos em Pequim, então eu sei bem que há restrições sobre as manifestações.” No caso da Rússia, antes de organizar um protesto, é necessário obter autorização prévia das autoridades locais.

Feminismo não consolidado

Nem mesmo os principais organizadores dos protestos em massa de 2011 na Rússia apoiaram o movimento.

Em sua conta no Twitter, o líder da oposição Aleksêi Naválni se limitou a comparar os protestos pelo mundo com o policiamento nas manifestações na Rússia. “Uma marcha de meio milhão de pessoas e nem mesmo um policial. Em Moscou, quando se reúnem grandes multidões, a cidade parece em estado de sítio”, escreveu.

Contatada pela Gazeta Russa, Maria Arbátova, uma das líderes do movimento feminista na Rússia, tentou explicar o desinteresse geral pelo tema.

“Nós temos uma história diferente. Enquanto nos EUA da década de 60, o movimento feminista andava de mãos dadas com a defesa dos direitos dos homossexuais e dos negros a Rússia tem uma história distinta. É por isso que a sociedade não a reconhece. Não é possível estabelecer qualquer tipo de comparação. O movimento feminista nunca se consolidou na Rússia”, disse Arbátova.

Segundo ela, a própria oposição política ignora as preocupações com os direitos das mulheres e dos homossexuais no país. Nas redes sociais, essa ideia toma forma.

“O que ele fez Trump errado para as mulheres  em dezenas de países no mundo? O que são estas manifestações após as eleições? O resultado da votação não muda”, publicou um usuário no Facebook. 

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