Temperaturas extremas deixam russos ilhados durante as férias

Nevasca no Ano Novo levou quase 130 moscovitas ao hospital por congelamento

Nevasca no Ano Novo levou quase 130 moscovitas ao hospital por congelamento

Global Look Press
Frio de -30ºC a -46ºC causa inúmeros transtornos nas vias, maior número de hospitalizações e mortes. Mas houve também quem aproveitou as ruas vazias para participar de um desfile de bicicletas com vista para o Kremlin.

Para os russos, a primeira metade de janeiro significa uma longa e aguardada temporada de férias – no total, são 11 dias de folga, incluindo o dia de Ano Novo e as celebrações ortodoxas de Natal, em 7 de janeiro. Este ano, porém, devido a nevascas intensas, os moradores da Rússia central foram forçados a passar as férias dentro de casa em vez de aproveitar os dias de folga. E o pior: nem sempre em lares aquecidos.

Em Krasnogorsk, nos arredores de Moscou, onde as temperaturas caíram para -32ºC, 12.000 pessoas ficaram sem aquecimento em casa após um acidente na usina local.

“Nós dormimos vestindo casacos de pele por duas noites, com nossos aquecedores elétricos e a gás, e ainda assim não ajudou muitos”, disse um morador local. “As janelas estavam cobertas de neve, não era possível ver nada através delas.”

Emergências nas ruas

“Não me lembro de quando tínhamos tido tanto trabalho assim”, observa Ígor Katsiuba, diretor da unidade de busca e resgate do Ministério para Situações de Emergência russo. “Famílias congelaram nas estradas. Os carros pararam na geada.”

Além disso, por causa do frio, as baterias de celular descarregam rapidamente, e muitas pessoas não conseguiam pedir ajuda. “É por isso que tivemos de abastecer as principais estradas com poderosas estruturas de aquecimento 24 horas por dia. Mais de cem pessoas foram levadas para o hospital”, conta Katsiuba.

Em Perm, que fica 1.200 km a nordeste de Moscou, e na região de Sverdlovsk, a 1.500 km a leste da capital, nem mesmo as pessoas mais velhas se lembravam de ter experimentado sensação térmica semelhante – as temperaturas caíram para -45ºC.

Já território de Khabarovsk (6.000 km a leste de Moscou) e na região de Níjni Novgorod (450 km a leste), os termômetros chegaram a registrar um grau a menos: -46ºC. Embora os moradores de Khabarovsk já tivessem vivenciado geadas parecidas antes, a situação em Níjni Novgorod costumava ser diferente. “Não me lembro de as ruas estarem tão vazias durante o Natal”, disse Andrêi Beliaev, de 36 anos.

Moscovitas sobrevivem a -30ºC

Os moscovitas também testemunharam temperaturas extremamente baixas para a cidade – quase -30ºC na região central e -33,4ºC nas periferias e arredores. Trata-se do inverno mais rigoroso na capital em 120 anos.

Mais de 70 voos foram atrasados ​​ou cancelados nos aeroportos da cidade, e o Ministério da Saúde declarou o nível de perigo laranja na cidade (penúltimo).

A recomendação era que as pessoas não deixassem suas casas a menos que necessário. Apesar das precauções, 129 moradores de Moscou foram levados para o hospital durante o Ano Novo por congelamento de membros; dois deles morreram.

Um dos atendidos na capital foi Ígor Valeev, de 25 anos, que havia passado 40 minutos no frio. “Estava vestido para inverno, mas meu carro não pegava, e eu tinha que dirigir para ver meus parentes. Tentei ligar o motor e nada. Eu nem percebi que já não sentia os dedos dos pés e mãos. Quando eu cheguei ao hospital, eles já estavam cheios de bolhas, e os médicos disseram que eu tive sorte – mais meia hora, e eles teriam que ter sido amputados”, conta o jovem.

“É preciso se manter o mais aquecido possível durante esse frio, mas é melhor não sair de casa de modo algum”, disse à Gazeta Russa um correspondente no centro de emergência médica do Ministério da Saúde russo.

“Os maiores erros cometidos por pessoas que congelam é que elas tentam se aquecer com água fervente ou colocar seus membros congelados em água quente ou esfregá-los. Isso não deve ser feito! Deve-se fazer isso apenas com água morna, aumentando gradualmente a temperatura. Melhor ainda é colocar uma faixa de isolamento sobre as partes do corpo que foram afetadas, com uma camada de algodão por baixo. E não se aqueçam na lareira: isso pode levar à formação de coágulos sanguíneos”, explicou.

Embora as geadas e o frio intenso já tenham passado na maior parte da Rússia, em algumas áreas, como no Extremo Oriente e na Sibéria, os governos locais mantêm o nível de perigo laranja para prevenir os moradores.

Refresco sob duas rodas

No entanto, os russos não seriam russos se, mesmo durante essa temporada gelada, alguns deles não testassem sua coragem.

Em Klimovsk, nos entornos da capital, duas pessoas fizeram um buraco do tamanho de uma jacuzzi em um rio congelado e tomaram um “banho”, segundo elas.

Mas os principais heróis foram mesmo os moscovitas. Na manhã de 8 de janeiro, quando os termômetros registravam -31ºC, foi realizado um desfile de bicicletas de quase 13 km, com direito a uma passagem pelo Kremlin. A ciclista Ekaterina, de 26 anos, até se queixou de que “na verdade, estava suando por toda parte”.

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