Peritos avaliam três causas para queda de Tu-154

Velas e flores deixadas durante vigília em Sôtchi

Velas e flores deixadas durante vigília em Sôtchi

Nina Zotina/RIA Nôvosti
Rússia segue com buscas por avião militar que caiu no mar Negro a caminho da Síria. Embora não haja informações concretas sobre a causa do acidente, falha técnica, erro do piloto e atentado terrorista são possibilidades.

Os especialistas que estão investigando a queda do avião militar Tu-154 russo no domingo (25) avaliam três teorias para o incidente: falha técnica, erro do piloto ou atentado terrorista. Não há indícios de sobreviventes entre as 92 pessoas a bordo.

A aeronave, que pertencia ao Ministério da Defesa russo e seguia para a Síria, caiu no mar Negro minutos após a decolagem.

De acordo com a imprensa russa, o incidente ocorreu quando o avião pegava altitude, mas não houve sinal de socorro por parte dos pilotos.

O primeiro-ministro russo Dmítri Medevdev recebeu a incumbência de criar uma comissão estatal que irá investigar os detalhes da tragédia.

Peritos do Ministério para Situações de Emergência e do Comitê de Investigação já obtiveram documentos relacionados ao voo e estão agora questionando funcionários e pessoal técnico do aeroporto.

As equipes de busca, que contam com mais de 3.500 pessoas, 39 barcos e cinco helicópteros, já localizaram 11 corpos e mais de 150 destroços do avião, informou o porta-voz da pasta da Defesa, Igor Konatchenkov.

As caixas-pretas do avião, entretanto, ainda não foram encontradas.

1. Falha técnica

Segundo o diretor da Associação de Aviação Civil Aeroflot, Víktor Gorbatchov, a aeronave pode ter tido escassez de energia durante o voo.

“Deve ter havido algo errado com os motores. Não sabemos ainda, e é difícil precisar se foi combustível ou falha do motor. A decolagem é o momento mais difícil; talvez, a aeronave não tenha ganhado potência ou velocidade suficiente”, diz o especialista.

Embora fabricado em 1984, o Tu-154 havia passado por uma manutenção em 2014 e novos reparos foram conduzidos em setembro passado. No entanto, de acordo com Gorbatchov, a idade avançada da aeronave não seria problema.

“Há no mundo aviões operando com 30, 50, até 60 anos ou mais velhos. Isso não importa. A aeronave estava em condições de voar e cumpria todos os requisitos”, diz.

Nem todos os analistas têm a mesma visão, porém. Segundo o especialista militar da TASS e coronel aposentado Víktor Litóvkin, a frota de aviões civis à disposição do Ministério da Defesa russo, ao contrário dos modelos de combate, está defasada.

“A maior parte dos aviões civis do Ministério da Defesa russo são Tu-154 fabricados ainda durante a União Soviética. A indústria de fabricação de aviões foi praticamente destruída na década de 1990, nenhum avião de transporte militar e de passageiros novo foi fabricado por anos”, explicou o especialista à Gazeta Russa.

Segundo o ex-militar, a pasta da Defesa não tem a intenção de comprar aviões civis estrangeiros, mas também não dispõe de alternativas para substituir o Tu-154. “Após o término da investigação, eles continuarão usando essas aeronaves”, acrescentou.

2. Erro do piloto

De acordo com o Ministério da Defesa russo, o avião estava sob o comando do piloto Roman Volkov, que tinha mais de 3.000 horas de voo.

“A tripulação era uma das mais experientes. Eles conduziram, por várias vezes na mesma aeronave, o transporte de caças Su-30s, Su-35s e Su-24s para a base aérea de Hmeimim”, disse uma fonte das agências de aplicação da lei ao jornal “Izvêstia”.

No entanto, segundo os analistas, a investigação também irá avaliar a possibilidade de a equipe de voo ter cometido falhas.

“Nenhuma teoria é descartada, desde combustíveis de má qualidade a um ato terrorista. Até mesmo erro do piloto, que pode ter acelerado demais na hora de pegar altitude e perdeu o controle”, disse Litóvkin.

3. Atentado terrorista

Alguns especialistas traçaram paralelos entre a queda do Tu-154 e a explosão do Airbus 321-231 que seguia do Egito para São Petersburgo, em outubro de 2015.

Terroristas haviam plantado uma bomba na cauda da aeronave, onde bagagens mais volumosas são armazenadas. O avião explodiu cerca de 20 minutos após a decolagem, mergulhando no chão a uma grande altitude.

Desta vez, a tragédia ocorreu sete minutos após o avião decolar.

“As condições meteorológicas eram favoráveis: se tivesse acontecido algum problema com a aeronave, com os motores, o piloto teria simplesmente virado a aeronave e planado de volta ao aeródromo, ou teria tentado aterrissar no mar”, disse o instrutor de voo e major Andrêi Krasnoperov, à rádio Kommersant.

“Mas, neste caso, o avião apenas caiu, o que ocorre quando há uma emergência a bordo, algo explode, ou alguma coisa cede”, continuou.

Em todas as demais situações, segundo o major, o piloto poderia ter informado o controlador de trânsito sobre falhas e enviado um sinal.

“O que indica que algo inesperado aconteceu aos sete minutos de voo. Portanto, não posso culpar a tripulação e, quando há um problema técnico, é raro ser repentino (...) Além disso, as equipes de resgate localizaram um homem perto da costa que ficou ferido pela queda de destroços; isto é, os fragmentos do avião se espalharam enquanto caíam, sugerindo que a aeronave explodiu no ar”, concluiu Krasnoperov.

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