Sistema atualizado de reconhecimento facial começa a ser testado na capital

Câmeras de vigilância permitiram solucionar 1.700 crimes na capital em 2015

Câmeras de vigilância permitiram solucionar 1.700 crimes na capital em 2015

Marina Lystseva / TASS
Moscou está lançando a segunda fase de testes de um sistema de reconhecimento facial com base em câmeras de vigilância. No entanto, as tecnologias testadas até o momento na capital são demasiadamente caras e insuficientemente eficazes.

As autoridades de Moscou lançarão em 2017 a segunda fase do teste do sistema de reconhecimento facial por câmeras de vigilância urbana, segundo o diretor do departamento de tecnologia da informação de Moscou, Artiom Iermolaiev.

Os resultados da primeira etapa da experiência mostraram que, por enquanto, o uso dessa tecnologia é demasiadamente oneroso.

“Se introduzirmos esta solução em toda a cidade, será necessário aumentar em dez vezes as despesas de vigilância por vídeo. A tecnologia vai custar vários bilhões de rublos, o que é completamente impraticável”, explicou Iermolaiev, sem citar valores.

No entanto, os problemas enfrentados atualmente não se referem apenas ao custo, mas também à qualidade da tecnologia de reconhecimento.

“As câmeras de vigilância urbana são dinâmicas: elas se movem da esquerda à direita, e têm zoom. Em tais condições, obter o reconhecimento de 60% a 70% das imagens é extremamente difícil. Um resultado de 30% já é cósmico”, acrescentou.

Em primeiro lugar, o departamento de tecnologia da informação está à procura de tecnologias que ajudem a obter melhor resultado na movimentação das câmeras.

“Além disso, estamos a estudando formas de alterar os parâmetros das câmeras de vídeo. Elas podem se tornar mais estáticas. Isso vai reduzir a vigilância, mas ajudará a termos uma análise mais eficaz dos fluxos de vídeo”, disse Iermolaiev.

Várias empresas, inclusive nacionais, participam dos testes.

1.700 crimes solucionados

O sistema de reconhecimento facial pode ser usado para identificar criminosos e pessoas desaparecidas. Moscou possui 140 mil câmeras de vigilância, das quais 100 mil estão localizadas em entradas de edifícios.

Somente agentes policiais e autoridades municipais têm acesso a esses arquivos de vídeo. Os residentes da cidade podem, porém, solicitar uma cópia de um vídeo se forem vítimas de algum crime, como roubo de carro, por exemplo.

Para isso, as pessoas devem entrar em contato com o departamento em um período de cinco dias e solicitar a preservação do arquivo; com o número de protocolo em mãos, basta seguir à polícia, onde os agentes são obrigados a apresentar uma cópia do vídeo ao requerente.

Também é possível assistir à gravações das câmeras em um centro especial no complexo de exposições VDNKh, no nordeste de Moscou.

Segundo o departamento de Moscou, graças à tecnologia, foi possível desvendar até 1.700 crimes no último ano. Durante o mesmo período, moradores da capital fizeram 8.000 pedidos para esses matérias em vídeo.

No limite da privacidade

Ivan Begtin, diretor da Organização de Cultura Informativa, acredita que o sistema de reconhecimento facial começará a funcionar plenamente em Moscou um futuro breve.

“Em casos recentes, os infratores foram capturados em poucas horas graças à rede de câmeras de vigilância”, relembra Begtin.

Porém, segundo Mikhail Ziuzin, especialista em TI da Academia de Sistemas de Informação, embora possa aumentar o número de crimes solucionados, o sistema também poderia ser usado para fins hostis.

“Se o sistema for invadido por terceiros, eles podem receber uma enorme quantidade de informações sobre uma pessoa: onde vivem, em que lugares vão, quais caminhos usam. Seria uma invasão à vida privada dos cidadãos”, alerta Ziuzin .

Com o jornal RBC

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