Burlar lei é ‘única forma’ de subir na vida para 30% dos russos, diz estudo

Rendimento real dos russo apresentou queda recorde no último trimestre

Rendimento real dos russo apresentou queda recorde no último trimestre

Viatcheslav Prokofiev/TASS
Para melhorar a qualidade de vida, um terço dos russos acreditam ser necessário conduzir atividades ilegais, revelou uma pesquisa recente da Academia presidencial russa da Economia Nacional e da Administração Pública (Ranepa). Economia informal já envolve mais de 40% da população economicamente ativa no país.

Trinta por cento dos russos acreditam que só conseguiriam aumentar sua renda ou melhorar seu padrão de vida violando a lei, segundo pesquisa realizada pelo Centro de Acompanhamento Sociopolítico da Ranepa.

Essa opinão é apontada sobretudo entre pessoas com baixa renda (52%).

Segundo os autores do estudo, o número de entrevistados que sustentam tal ponto de vista está relacionado ao bem-estar dos indivíduos – quanto pior a sua situação financeira, maior sua confiança de que é preciso burlar a lei para melhorá-la.

As violações mais comuns são de natureza não penal, como trabalho não registrado ou ausência de alvará para negócios. Na pesquisa foram entrevistadas 1.600 pessoas de 35 regiões do país.

“Este é um sintoma alarmante, o aumento de predisposição dos cidadãos a várias formas de economia paralela não penal e sua vontade de se envolver em processos assim é observada em meio ao declínio gradual dos rendimentos reais da população”, disse diretor do Centro, Andrêi Pokida, ao jornal RBC.  

O rendimento real dos russos diminuiu, em média, 6,1% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período no ano passado – um declínio recorde desde 1999.

Paralelo com anos 90

Especialistas registraram uma atitude de “muita aprovação” da população economicamente ativa em relação às várias formas de economia paralela.

Apesar de apenas 7,2% dos entrevistados acreditarem que esse tipo de postura traga mais benefícios do que prejuízo, e 34,5% dos inquiridos compartilhem de uma visão oposta, 38,3% pensam trazer vantagens e danos em igual medida.

Em relação aos dados de 2013, quando a pesquisa da Ranepa havia sido realizada pela última vez, o número de pessoas que aprovavam a economia informal era 10,5% maior do que agora. Esse tipo de tolerância era ainda maior em 1990: 49,5% estavam convencidos de que ele trazia benefícios e danos, e 21% aprovavam.

Após 11 anos, porém, a situação havia mudado: o número de adeptos da economia informal caiu para um mínimo histórico de 2,1% em 2001, enquanto seus adversários aumentaram para 49%.

Segundo estimativas da Ranepa, divulgadas em junho passado, o mercado de trabalho informal na Rússia envolve cerca de 30 milhões de pessoas (40,3% da população economicamente ativa). Destes, 8,7 milhões de pessoas (11,7%) estão completamente excluídas do segmento formal, e o restante recebe parcela do salário informalmente, porém complementa com ganhos informais.

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