Apesar de crise, cresce taxa de natalidade na Rússia

Menor taxa de natalidade no país foi registrada em 1999, após crise devastadora

Menor taxa de natalidade no país foi registrada em 1999, após crise devastadora

PhotoXPress
Número de bebês nascidos no primeiro semestre de 2016 subiu 1,6%. Mesmo com elevação da taxa, país apresenta defasagem em termos de crescimento real da população.

A estagnação da economia russa não afetou taxa de natalidade, que, durante os seis primeiros meses de 2016 teve um leve aumento em relação aos dois anos anteriores.

Os dados são resultado de um estudo do Instituto de Análise Social e Previsão da Academia Presidencial Russa de Economia Nacional e da Administração Pública.

Segundo a agência de estatísticas estatal Rosstat, o número de bebês nascidos no primeiro semestre deste ano foi 1,6% maior do que no mesmo período em 2015.

Paralelamente, 15% dos respondentes afirmaram que iriam adiar ter filhos, caso venham a perder o emprego.

Principais razões

“A crise atual, assim como a de 2008, não é forte o suficiente para afetar o desejo das pessoas de ter filhos ou adiar”, disse à Gazeta Russa uma das autoras do levantamento do Instituto, Alla Tyndik.

A maioria das famílias, segundo a especialista, são afetadas pela crise com preços mais altos e renda menor, no entanto, “o desemprego, que é um fator muito mais significativo, afetou poucas pessoas.”

Além das pessoas já terem se adaptado à condições atuais, a fase aguda da crise já teria passado para muitas delas, avalia o chefe de operações na bolsa da empresa de investimento Freedom Finance, Gueórgui Vaschenko.

“O Estado também continua oferecendo outras formas de apoio social às famílias, incluindo programas de empréstimos imobiliários”, afirma.

O fomento à habitação nos últimos anos é apontado pelo analista financeiro Timur Nigmatullin, do grupo Finam, uma das principais razões por trás do aumento da taxa.

“Com esses recursos, a taxa de natalidade, via de regra, recupera o atraso de vários anos, independentemente da renda ou situação econômica em geral”, diz o analista.

Em 2013, por exemplo, o número de moradias disponíveis na Rússia subiu 15,5%, para 69,4 milhões de metros quadrados; e, em 2014, mais 14,9%, para 81 milhões de metros quadrados.

“Isso ajudou a manter a taxa de natalidade e até mesmo empurrá-la para cima”, continua Nigmatullin.

O aumento global da taxa de natalidade também revela que muitas famílias estão optando por ter um segundo filho, segundo Tyndik, referindo-se a uma tendência que se arrasta desde meados dos anos 2000.

“As mulheres geralmente têm o segundo filho entre 30 e 35 anos de idade, e esta é uma geração bem numerosa”, aponta a pesquisadora.

Perspectivas para o futuro

Segundo dados da Rosstat, em 2015, a taxa de nascimento de crianças por mulher cresceu para 1,77. Já nos primeiros seis meses de 2016, este indicador subiu para 1,83, segundo o ministro do Ministro do Trabalho e Proteção Social, Maksim Topilin.

A menor taxa de natalidade na Rússia foi registrada em 1999, após a crise mais grave na história moderna do país.

Apesar do aumento nos últimos anos, especialistas apontam que o atual movimento ainda não é suficiente para o desenvolvimento nacional.

“Para isso, seria necessário que o número médio de filhos por mulher fosse, pelo menos, de 2,2”, afirma o economista Serguêi Khestanov.

Segundo ele, o excedente demográfico na Rússia vem hoje, sobretudo, devido ao aumento dos fluxos migratórios.

“O crescimento real da população começará somente quando a renda disponível das famílias aumentar. Acho que, pelos números, isso não vai acontecer antes de 2020”, prevê.

No primeiro semestre de 2016, houve uma queda de 32.200 pessoas no crescimento natural da população; em 2015, esse número foi o dobro.

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