Chefe de unidade anticorrupção é detido com US$ 140 milhões ilegais

Zakhártchenko ficará sob custódia durante condução da investigação

Zakhártchenko ficará sob custódia durante condução da investigação

Evguêni Odinokov/RIA Nôvosti
Segundo fontes diversas, dinheiro encontrado com coronel Dmítri Zakhártchenko pode ser proveniente de esquema fraudulento envolvendo banco. Com aumento de casos, senador sugeriu pena de morte para corruptores.

Durante busca no departamento para segurança econômica e combate à corrupção do Ministério do Interior da Rússia, na sexta-feira passada (9), oficiais do Serviço Federal de Segurança (da sigla em russo, FSB) e do Comitê de Investigação aprenderam 15 milhões de rublos (quase US$ 235 mil) no carro do coronel Dmítri Zakhártchenko, responsável pelo setor.

Até o final do dia, porém, descobriu-se que o valor encontrado inicialmente era apenas uma fração do montante escondido em apartamentos pertencentes a Zakhártchenko e parentes próximos. A quantidade total apreendida foi de quase 9 bilhões de rublos (US$ 140 milhões), em notas de dólares norte-americanos e euros.

Segundo o canal russo REN, o volume de dinheiro era tão grande que somava 1,5 tonelada, e a polícia teve de usar carrinhos de supermercado na hora da apreensão.

Embora Zakhártchenko tenha insistido não saber a procedência do dinheiro, o oficial foi indiciado com base em três artigos do Código Penal, incluindo o recebimento de propina, e a princípio ficará detido sob custódia por dois meses.

Escândalo sem precedentes

O escândalo de corrupção em torno Zakhártchenko tornou-se o maior dos últimos anos devido ao volume financeiro envolvido.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, a presidência está “em posse de todas as informações” e vem acompanhado o caso atentamente.

Em meio à indignação pública diante de inúmeros esquemas fraudulentos, o primeiro vice-presidente do comitê de defesa e segurança do Conselho da Federação (Senado russo), Frants Klintsévitch, sugeriu que o país considere a introdução de pena de morte para crimes de corrupção.

Apesar do posicionamento mais moderado, o deputado da Duma de Estado Aleksandr Khinchtein também se pronunciou sobre o “enorme problema da corrupção”.

“Se um coronel tem todo esse dinheiro, imagine o que alguns de nossos generais podem estar escondendo”, disse Khinchtein, durante sessão na câmara.

Em sua conta no Twitter, o prefeito de Iekaterinburgo, Evguêni Roizman ressaltou ainda que o montante apreendido é equivalente a um quarto do orçamento anual de sua cidade, cuja população é de 1,5 milhões de pessoas.

Procedência do dinheiro

No escritório principal para segurança econômica e combate à corrupção do Ministério do Interior russo, Zakhártchenko estava no comando da divisão “T”, que trata de crimes no setor de combustíveis e energia.

Com três diplomas universitários e PhD em Economia,  o oficial, que trabalha na pasta do Interior desde 2001, é descrito por um antigo companheiro de universidade como “um líder talentoso e carismático” e “um verdadeiro patriota”.

No entanto, nenhuma das qualidades descritas anteriormente poderia, segundo os investigadores, explicar como Zakhártchenko foi capaz de acumular tal quantia em dinheiro. Além disso, seu salário oficial nos últimos anos não ultrapassou a marca dos 3 milhões de rublos (cerca de US $ 47 mil).

Segundo fontes da RIA Nôvosti nas agências de aplicação da lei, o montante coletado não pertencia a Zakhártchenko, de modo que o coronel estaria apenas “armazenando o dinheiro a pedido de gestores do Nota Bank”, cuja licença foi revogada em novembro de 2015, depois de 26 bilhões de rublos desaparecerem das contas da instituição.

A gerente financeira do banco, Galina Martchukova, foi detida na época, mas o dinheiro nunca foi localizado. Segundo a fonte da agência russa, Zakhártchenko, por ser antigo conhecido Martchukova, teria alertado a gestora sobre a iminente prisão e tomado parte do dinheiro roubado para escondê-lo temporariamente.

Tarde, mas em tempo

Uma fonte da agência Interfax ligada ao FSB relatou que Zakhártchenko entrou na mira das agências de reforço da lei após atrapalhar as investigações em torno de Mikhail Slobodin, ex-diretor-gerente do Vympelcom (que detém uma das maiores operadoras de telefonia móvel russa, a Beeline).

No último dia 5 de setembro, a Comissão de Investigação havia inserido Slobodin na lista de procurados por suspeita de receber propina no valor de 800 milhões de rublos (US$ 12,5 milhões). Horas antes, porém, o empresário fugiu para o exterior.

Suspeita-se que Zakhártchenko, que estava com familiarizado com o caso, tenha alertado Slobodin, informou a fonte à agência de notícias russa.

Paralelamente, o site Gazeta.ru vinculou a prisão do oficial à contínua luta interna nas agências de aplicação da lei russas. Fontes do jornal alegam que o coronel perdeu sua “proteção” no órgão após recente remodelação no departamento de segurança econômica do FSB: depois de perder sua esfera de influência, Zakhártchenko entrou na mira do FSB e do Comitê de Investigação.

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