Três anos após lei antifumo, Rússia tem menor número de fumantes em 7 anos

Menos espaço para fumantes e proibição de publicidade são armas usadas em campanha

Menos espaço para fumantes e proibição de publicidade são armas usadas em campanha

Vladímir Astapkovitch/RIA Nôvosti
Cigarros mais caros e queda no poder aquisitivo teriam contribuído para diminuição.

A parcela de cidadãos fumantes entre a população da Rússia é a menor dos últimos sete anos, segundo aponta um levantamento realizado pelo Centro Russo de Pesquisas de Opinião Pública (VTsIOM), feito três anos após a introdução da lei antifumo no país. Atualmente, 31% dos russos são fumantes, enquanto três anos atrás, antes da lei, os fumantes constituíam 41% da população. Cerca de um terço daqueles que ainda fumam (28%) relataram que, em um ano, começaram a consumir menos cigarros.

"Aumentou o número de pessoas que anteriormente fumavam um maço de cigarros por dia e hoje fumam meio maço ou menos”, disse à Gazeta Russa Marina Tchernova, médica e chefe dos Programas de Saúde Pública da Confederação Internacional das Sociedades de Consumidores.

"Realmente, começamos a fumar menos nos últimos anos”, concorda Aleksêi, um analista financeiro de Moscou. “Por exemplo, antigamente, quando a nossa turma, quase toda composta de fumantes, reunia-se em um bar, os maços de cigarros ‘desapareciam’ um após o outro. Hoje é preciso sair do local para fumar, e ficamos com preguiça. No fim das contas, a lei está funcionando”, completou.

Razões econômicas

Tchernova destaca a importância do componente econômico da lei. Segundo a especialista, em função do aumento do preço, os cigarros tornam-se menos acessíveis a cada ano. Esse aumento dos preços se soma ao declínio geral dos rendimentos dos russos, provocado pela crise econômica. Para Tchernova, é difícil determinar o que mais influenciou a decisão de parar de fumar: as medidas restritivas do governo ou a queda dos rendimentos.

"É difícil dizer se as pessoas começaram a fumar menos devido à lei ou ao empobrecimento. Eu mesmo continuo a fumar exatamente tanto quanto antes da lei", disse à Gazeta Russa Aleksandr Druz, copresidente do Movimento pelos Direitos dos Fumantes.

O aumento do preço dos cigarros causou um efeito positivo para os cofres públicos da Rússia. "O dinheiro dos impostos especiais sobre o tabaco está sendo direcionado para o orçamento da Federação Russa, e em função do aumento das taxas cresce a receita do Estado”, explicou Tchernova. “Em 2015, o orçamento recebeu 21% mais recursos de impostos especiais em comparação com o ano anterior.”

Fumantes insatisfeitos

O movimento que Druz representa surgiu quase imediatamente após a aprovação da Lei Antifumo. As pessoas que participam dele consideram que a lei é discriminatória e que viola os direitos dos fumantes. O movimento já exigiu várias vezes que a norma vigente fosse alterada, mas as autoridades não deram atenção às suas solicitações.

"Os preços dos cigarros crescem continuamente, mas não está claro para onde vai o dinheiro desses impostos. Seria desejável que ele fosse destinado ao tratamento daqueles que fumam e às campanhas antitabaco", disse Druz. “Muitos fumantes são dependentes do cigarro e devem ser ajudados em vez de terem seus direitos restringidos”, continuou. Ele e outros membros do movimento acreditam que uma solução possível seria criar restaurantes especiais para os fumantes, assim como vagões especiais em trens de longa distância, onde pudessem fumar sem incomodar os demais passageiros.

No entanto, não parece que o governo esteja avaliando fazer essas concessões: somente ao longo do último ano, os membros da Duma do Estado (câmara baixa do Parlamento russo, equivalente à Câmara dos Deputados) já sugeriram proibir fumar na presença de crianças, vender cigarros à noite, bem como produzir cigarros mais finos.

Lei Antifumo, aprovada na Rússia em 2013, estipula:

- A proibição de fumar em escritórios, escolas e universidades, hospitais, clínicas e todas as instituições públicas, restaurantes, cafés, em todos os meios de transporte, dentro de estações ferroviárias, portos e aeroportos, estações de metrô e pontos de parada de transporte coletivo, bem como a uma distância inferior a15 metros desses pontos. Infratores terão que pagar multas;

- A total proibição da publicidade de produtos derivados do tabaco. Os maços de cigarros não podem estar expostos nas prateleiras das lojas, somente uma lista de preços;

- O aumento anual de impostos sobre o tabaco. Em 2016 o imposto chegou a 2.000 rublos (cerca de US$ 31) por quilograma, enquanto em 2017 serão 2.200 rublos (cerca de US$ 34).

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