Defensores dos direitos humanos sofrem ataque no Cáucaso

Garota carrega cartaz com dizeres: "Encontrem os culpados". Organização já havia sofrido ataque em 2015.

Garota carrega cartaz com dizeres: "Encontrem os culpados". Organização já havia sofrido ataque em 2015.

AP
Jornalistas da Suécia e da Noruega estavam no grupo, que foi espancado e roubado.

Um grupo de cerca de 20 homens mascarados atacou um microônibus que levava ativistas dos direitos humanos e jornalistas na noite de quarta-feira (9), na fronteira entre as repúblicas russas da Inguchétia e da Tchetchênia, de acordo com a agência Ria Nôvosti.

Dos oito passageiros, seis ficaram feridos e quatro deles precisaram de socorros médicos. Entre as vítimas, há dois jornalistas estrangeiros, um da Suécia, outro da Noruega.

Os ativistas haviam organizado um tour para a imprensa na Tchetchênia e Inguchétia, territórios russos que abrigam radicais islâmicos e onde os governos são frequentemente criticados por infrações aos direitos humanos.

O ataque ocorreu na cidade de Sunja, na Inguchétia. Os passageiros foram forçados a descer do veículo, espancados e até roubados. O microonibus foi incendiado com todos os pertences dos passageiros dentro.

Os criminosos chamaram de "terroristas" os jornalistas e ativistas atacados.

O ataque foi divulgado pelo membro do Conselho Presidencial da República da Rússia Para Direitos Humanos, Ígor Kaliápin.

Os ativistas no microônibus eram parte da organização Comitê Para Prevenção da Tortura, presidida por Kaliápin.

O ministro dos Assuntos Internos da Inguchétia esteve no local do incidente, onde liderou um grupo de investigação que trabalha para esclarecer as circunstâncias do ataque.

Um caso criminal foi aberto com base nos parágrafos sobre "Desordem" e "Destruição ou danos premeditados de bens".

Reação e reincidência

O vice-porta-voz da Duma de Estado (câmara dos deputados na Rússia), Serguêi Jelezniak, demonstrou preocupação e instou que o governo da Inguchétia tome total controle das investigações.

Para ele, não se pode deixar que o ocorrido seja usado para a "desestabilização das circunstâncias na região e aumento das tensões entre a Rússia e os países dos quais representantes foram feridos no ataque".

Em junho de 2015, o escritório do Comitê Para Prevenção da Tortura em Grózni, capital da Tchetchênia, foi atacado. Não se encontraram os responsáveis pelo ataque.

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