Fogos para os corajosos

Com faturamento médio entre 550 e 1.100 reais por dia, pequenas lojas de fogos não veem perigo em suas atividades

Com faturamento médio entre 550 e 1.100 reais por dia, pequenas lojas de fogos não veem perigo em suas atividades

AP
Russos simplesmente adoram soltar fogos de artifício nas festas de final de ano. Ou simplesmente sair às ruas para gritar "urá!", enquanto observam os fogos dos outros. Mas consequências da brincadeira são, muitas vezes, mortais.

Nas festas de Ano Novo, a Rússia fica inteira iluminada por fogos que são acessos em cada jardim, em cada área comum de prédios residenciais...

Cidadãos comuns compram seu próprio próprio material para celebrar, mas os resultados, muitas vezes, são desastrosos: além das queimaduras, recorrentes em quem festeja dessa maneira, há acidentes com incêndios nas varandas atingidas pelos fogos e os animais domésticos ficam ensandecidos com o som.

Quem evita tal tipo de lesões e acidentes ainda sai pelas ruas gritando "urá!" a cada acender nos céus russos.

Mas, apenas quinze minutos após a virada de ano e as tradicionais badaladas do relógio do Kremlin, os hospitais começam a receber vítimas: queimaduras, lesões, pacientes sem os dedos. A causa é sempre a mesma: fogos.

"Sem mal aos sóbrios"

A jovem Olga senta-se pensativa ao caixa de uma loja especializada em fogos pirotécnicos na cidade Jeleznodorójni, nos arredores de Moscou.

Cada loja de fogos de artifício de pequeno porte em Moscou tem um faturamento médio de cerca de 10 a 20 mil rublos por dia, ou seja, entre R$ 550 e R$ 1.100.

"Os fogos de artifício não causam nenhum mal quando estão longe dos bêbados. Eu mesma solto fogos em todas as ocasiões possíveis: no dia dos namorados, no aniversário da minha filha... O Réveillon é inconcebível sem eles", diz.

"Uma vez, na virada do ano, colocamos ao bateria de lançamento ao contrário, com o pavio de lado. No escuro, nem percebemos, e os fogos esguicharam para todos os lados, ao invés de partirem para cima. Estávamos em nove pessoas, e os homens que montaram a bateria saíram logo correndo. Rimos muito, achamos engraçado", acrescenta.

São comuns nessa época também as notícias de mortes causadas por fogos e, quase todos os anos, governos locais tentam introduzir leis para restringir seu lançamento a pessoas e empresas especializadas, proibindo que cidadãos comuns tenham acesso ao material.

Mas, se a discussão é recorrente, o final é quase sempre o mesmo, e a insatisfação popular mina a inserção de tais medidas.

Assim, os artigos pirotécnicos continuam a ser vendidos durante o ano inteiro em lojas especializadas e mercados.  

Nas celebrações Réveillon de 2012 na capital russa, 24 pessoas contraíram ferimentos devido aos fogos, entre essas, 4 crianças.

Em 2011, foram 17 pacientes com lesões e queimaduras, em 2010, 19, e, em 2009, 35.

O ano de 2008 teve um recorde de 65 feridos, de acordo com informações do Centro de Atendimentos de Emergência Médica de Moscou.

 

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